Advogado Willer Tomaz depositou R$ 325,3 milhões na Blaze em 2.145 operações, recebendo apenas R$ 180,3 milhões de volta. Blaze teria desativado verificação facial e oferecido criptomoedas para contornar limites de saque, violando normas contra lavagem de dinheiro.
Fazenda abre processo contra Blaze por irregularidades em apostas de advogado investigado
Aumente o limite para R$ 500 mil, senão inviabiliza meu jogo
Por que o Ministério da Fazenda abriu esse processo especificamente agora, se as apostas online foram regulamentadas em 2023?
A Blaze começou a operar legalmente no Brasil em janeiro de 2025, e é quando as irregularidades mais graves teriam ocorrido — a desativação da verificação facial, as negociações sobre limites de saque. O processo foi aberto porque essas práticas violam normas de prevenção à lavagem de dinheiro que já estavam em vigor.
Mas precisamos ser claros: a Fazenda abriu o processo para investigar, não para condenar. Ainda não sabemos se a Blaze será multada ou em quanto. A empresa nega as acusações e diz que seguiu procedimentos regulados.
E quanto ao advogado Tomaz? Ele está sendo acusado de lavagem de dinheiro?
A Polícia Federal investiga as movimentações dele por suspeita de lavagem de dinheiro na operação Sem Desconto, mas sua defesa nega qualquer crime. Ele argumenta que tudo foi transparente e rastreável em sua própria conta bancária.
A questão é: se as operações eram tão transparentes, por que a Blaze precisava desativar a verificação facial e oferecer criptomoedas? Esses são os detalhes que levantam suspeitas, não necessariamente as movimentações em si.
R$ 145 milhões em perdas — como alguém perde tanto dinheiro em apostas?
Tomaz depositou R$ 325,3 milhões e sacou R$ 180,3 milhões. Os números são reais e estão documentados. Mas a questão não é só o tamanho das perdas, é como a plataforma facilitou essas operações removendo controles de segurança.
Também não sabemos a origem desse dinheiro. A Blaze diz que Tomaz apresentou documentação de capacidade financeira, mas essa documentação não foi anexada aos autos por questões de sigilo fiscal. Então temos um buraco informativo importante aqui.
Qual é a conexão com Flávio Bolsonaro?
Tomaz viajou com Bolsonaro cinco vezes em 2025 — EUA, África do Sul, Portugal, França. Voltaram dos EUA em um jato do qual Tomaz era cotista. Quando questionado, Bolsonaro disse que Tomaz é profissional respeitado e que não dá para criminalizar a amizade.
Mas essa proximidade é relevante para a investigação? Não está claro. Bolsonaro não é acusado de nada. É contexto político, não necessariamente contexto jurídico.
A Blaze deveria ter reportado essas operações ao Coaf?
Segundo as normas, sim. Operações com indício de lavagem de dinheiro ou financiamento de terrorismo devem ser reportadas. Mas a Blaze não informou se fez esses comunicados, e o Coaf não respondeu à reportagem.
Esse é outro buraco. Se a Blaze não reportou e o Coaf não respondeu, não sabemos se houve falha de comunicação ou se o sistema funcionou. Sem essa informação, é difícil avaliar a gravidade das irregularidades.
El Pulso
- Advogado Willer Tomaz depositou R$ 325,3 milhões na Blaze em 2.145 operações
- Recebeu R$ 180,3 milhões de volta em saques, deixando saldo negativo de R$ 145 milhões
- Blaze desativou verificação facial e ofereceu criptomoedas para contornar limites de saque
- Empresa enfrenta multa potencial de até R$ 2 bilhões
- Polícia Federal investiga suspeita de lavagem de dinheiro na operação Sem Desconto
Advogado Willer Tomaz depositou R$ 325,3 milhões na Blaze em 2.145 operações, recebendo apenas R$ 180,3 milhões de volta. Blaze teria desativado verificação facial e oferecido criptomoedas para contornar limites de saque, violando normas contra lavagem de dinheiro.
Ministério da Fazenda abre processo contra plataforma Blaze investigando violações relatadas por advogado envolvido em escândalo do INSS, que perdeu R$ 145 milhões em apostas online.
O Ministério da Fazenda abriu um processo administrativo contra a Blaze, plataforma de apostas online, para investigar irregularidades denunciadas pelo advogado Willer Tomaz, que também está sob investigação por envolvimento no escândalo de fraudes no INSS. A empresa enfrenta potencial multa de até R$ 2 bilhões. O caso revela um padrão de operações que podem ter violado normas de prevenção à lavagem de dinheiro no mercado regulado de apostas.
Os números são substanciais. Entre 2024 e 2025, Tomaz realizou 2.145 depósitos na plataforma totalizando R$ 325,3 milhões. Seus saques somaram R$ 180,3 milhões em 2.733 operações, deixando um saldo negativo de R$ 145 milhões. Documentos do processo indicam que o advogado concentrava suas apostas em jogos de cassino transmitidos ao vivo: blackjack, baccarat e roleta. A Blaze também oferecia bônus para que ele jogasse em caça-níqueis online.
O cerne da investigação repousa em alegações de que a plataforma desativou mecanismos de segurança para acomodar as operações de Tomaz. Segundo os autos, um gerente VIP designado pela Blaze para atendê-lo desativou a exigência de verificação facial durante transações financeiras realizadas em janeiro de 2025, quando a plataforma começou a operar legalmente no Brasil. O mesmo gerente teria oferecido a possibilidade de movimentar dinheiro via criptomoedas. Ambas as práticas constituem violações às normas contra lavagem de dinheiro do mercado regulado de apostas online, proibido desde 25 de setembro de 2025.
Os diálogos registrados no processo revelam negociações diretas entre Tomaz e a plataforma sobre limites de saque. Quando o advogado ultrapassava os limites estabelecidos, a Blaze realizava ajustes para evitar o fatiamento dos envios. Em uma troca de mensagens, Tomaz pediu ao gerente VIP que aumentasse o limite para R$ 500 mil por saque, reclamando que o reconhecimento facial levava até um minuto para ser realizado. Meses depois, quando provedores reduziram os limites individuais para R$ 15 mil por questões regulatórias, o gerente negociou um novo limite de R$ 50 mil especificamente para Tomaz.
Em setembro de 2025, após receber notificações sobre estornos de saques de R$ 100 mil, Tomaz sinalizou desejo de parar de jogar, alegando estar perdendo todo o dinheiro apostado. O gerente VIP ofereceu bônus para que continuasse jogando e ajustes nos valores para evitar travas em depósitos e saques. Neste ponto, Tomaz mencionou pressão de autoridades reguladoras e bancos sobre suas transações, perguntando se havia solução para reduzir o número de operações bancárias. Foi quando o concierge sugeriu o uso de criptomoedas, argumentando que dessa forma não ficariam restritos a limites e ele poderia movimentar montantes maiores. A defesa de Tomaz afirma que ele rejeitou a sugestão de criptoativos e que apenas 1.335 de seus 2.733 pedidos de saque foram estornados, totalizando R$ 86,1 milhões.
A Blaze argumenta que Tomaz apresentou documentação comprobatória de sua capacidade financeira, incluindo cópia de declaração de imposto de renda e comprovante de origem de recursos, utilizados em procedimento de prevenção à lavagem de dinheiro conduzido por serviço de pagamentos regulado. A empresa afirma não ter anexado essa documentação aos autos por resguardo do sigilo fiscal do advogado e requer que seja objeto de perícia. A defesa de Tomaz nega qualquer lavagem de dinheiro, argumentando que todas as movimentações ocorreram em sua própria conta bancária de forma transparente e rastreável.
A lei de 2023 que regulamentou as apostas online determina obrigatoriedade da tecnologia de reconhecimento facial. Segundo especialista em regulação de apostas, essa ferramenta garante que o proprietário da conta foi quem depositou, apostou e sacou, servindo também para políticas de prevenção de dependência, regras contra lavagem de dinheiro e prevenção ao jogo de menores. Portaria da Secretaria de Prêmios e Apostas exige que as bets notifiquem o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) sobre operações com indício de lavagem de dinheiro ou financiamento de terrorismo, sem estabelecer valores específicos. A Blaze não informou se fez tais comunicados, e o Coaf não respondeu à reportagem.
A Polícia Federal investiga as movimentações de Tomaz por suspeita de lavagem de dinheiro no âmbito da operação Sem Desconto, na qual o advogado é investigado por ser "hub financeiro, patrimonial e logístico" nas fraudes em descontos aplicados em aposentadorias e pensões do INSS. Registros mostram que Tomaz realizou ao menos cinco viagens internacionais em 2025 acompanhado de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, visitando EUA, África do Sul, Portugal e França. Em janeiro, retornaram dos EUA em jato do qual Tomaz era cotista junto ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Quando questionado sobre a proximidade com o advogado investigado, Flávio Bolsonaro respondeu que Tomaz é um profissional respeitado e que "não dá para querer criminalizar a amizade agora".
Citas Notables
Todas as movimentações ocorreram em sua própria conta bancária, de forma transparente e rastreável, sem qualquer ocultação ou dissimulação de origem ou destino de recursos— Defesa de Willer Tomaz
É a ferramenta que garante que o dono da conta depositou, apostou e sacou— José Francisco Manssur, advogado especializado em regulação de apostas, sobre verificação facial