Com a morte de Caçulinha aos 86 anos, encerra-se uma das parcerias mais duradouras da televisão brasileira — quase meio século de convivência entre um músico de alma generosa e um apresentador que o reconhecia como parte essencial de sua própria história. Rubens Antônio da Silva partiu após dez dias internado em São Paulo, deixando para trás uma trajetória que atravessou gerações, palcos e estúdios, do rádio de Campinas às grandes orquestras internacionais. Faustão, ao lamentar a perda, lembrou não apenas do colega de trabalho, mas do amigo que compartilhou os altos e baixos de uma vida inteir
Faustão lamenta morte de Caçulinha: 'Convivência absurda'
Ele viveu e entrou no grande baile da vida, fez história
Como é possível que dois profissionais trabalhem juntos por mais de vinte anos e depois se separem dessa forma?
Porque a televisão muda. O que funcionava nos anos 1980 e 1990 — a música ao vivo, a orquestra em estúdio — deixou de ser prioridade. Caçulinha viu seu trabalho ser reduzido a jingles de propaganda.
Mas precisamos ser claros: a gente só tem a versão de Caçulinha sobre por que foi demitido. Faustão não comentou especificamente sobre aquele momento em 2009.
Verdade. O que sabemos é que houve críticas, que o programa mudou de formato, e que Caçulinha saiu. O resto é interpretação.
E quanto à amizade? Eles continuaram próximos depois de 2009?
A nota de Faustão fala de uma "convivência absurda" desde 1965, mas não deixa claro se mantinham contato depois que Caçulinha saiu da Globo.
Exatamente. Faustão homenageia a vida extraordinária de Caçulinha, mas não diz se estavam em contato quando ele morreu. Isso é um vazio importante.
Então a morte de Caçulinha marca o fim de uma era?
Marca o fim de uma parceria que durou décadas e que ajudou a definir um estilo de televisão brasileira. Caçulinha trabalhou com os maiores nomes da música — isso não é pequeno.
Mas também marca algo sobre como a indústria descarta pessoas. Um músico que trabalhou com Tony Bennett, Roberto Carlos, Elis Regina — e termina sua carreira em televisão sendo demitido porque a música ao vivo não dava audiência.
O Pulso
- Caçulinha morreu na madrugada de segunda-feira após dez dias internado, vítima de um infarto que encerrou uma vida de 86 anos dedicada à música brasileira.
- A notícia reacendeu a memória de uma parceria de décadas que moldou a identidade sonora do Domingão do Faustão e marcou gerações de telespectadores.
- A relação entre os dois havia terminado de forma abrupta em 2009, quando Caçulinha foi demitido após criticar publicamente a decisão de Faustão de eliminar a música ao vivo do programa.
- Apesar da ruptura profissional, Faustão divulgou nota emocionada reconhecendo o caráter, a criatividade e a grandeza do amigo que conheceu desde 1965.
- O legado de Caçulinha vai além da televisão — ele trabalhou com Tony Bennett, Elis Regina e Roberto Carlos, ocupando lugar entre os maiores músicos do país.
Com a morte de Caçulinha aos 86 anos, encerra-se uma das parcerias mais duradouras da televisão brasileira — quase meio século de convivência entre um músico de alma generosa e um apresentador que o reconhecia como parte essencial de sua própria história. Rubens Antônio da Silva partiu após dez dias internado em São Paulo, deixando para trás uma trajetória que atravessou gerações, palcos e estúdios, do rádio de Campinas às grandes orquestras internacionais. Faustão, ao lamentar a perda, lembrou não apenas do colega de trabalho, mas do amigo que compartilhou os altos e baixos de uma vida inteira dedicada à arte.
Rubens Antônio da Silva, o Caçulinha, morreu na madrugada de segunda-feira, 5 de agosto, aos 86 anos, após dez dias internado em São Paulo em decorrência de um infarto. Com ele, encerrou-se uma das parcerias mais longas da televisão brasileira: mais de duas décadas ao lado de Faustão como compositor e músico do Domingão.
Os dois se conheceram em 1965, num programa de rádio em Campinas chamado Rádio Baile. Daquele encontro nasceu uma amizade que Faustão descreveu como "absurda" — viagens juntos, vida compartilhada, altos e baixos divididos. Quando o apresentador migrou para a televisão, nos anos 1980, Caçulinha estava ao seu lado. Quando Faustão foi para a Globo em 1989, o músico o acompanhou.
A parceria durou até 2009, quando terminou de forma abrupta. Caçulinha foi demitido após criticar a decisão de Faustão de eliminar a música ao vivo do programa, substituída por jingles de merchandising. "Ele quis mudar tudo, acabou com a música porque não dava audiência. Aí eu saí e fui fazer outra coisa", disse o músico na época.
Mas a grandeza de Caçulinha ultrapassava os limites do Domingão. Ele trabalhou com Tony Bennett, Roberto Carlos, Elis Regina, Elizeth Cardoso e Cauby Peixoto — uma trajetória que o colocou entre os maiores nomes da música brasileira. Faustão, ao lamentar a perda, encontrou consolo na plenitude daquela vida. "Ele viveu e entrou no grande baile da vida, fez história e deixará saudades", escreveu o apresentador, reconhecendo que um capítulo insubstituível da música e da televisão brasileira havia chegado ao fim.
Rubens Antônio da Silva, conhecido como Caçulinha, morreu na madrugada de segunda-feira, 5 de agosto, aos 86 anos. Havia passado dez dias internado em São Paulo se recuperando de um infarto que o levaria ao óbito. Sua morte marcou o fim de uma das parcerias mais longas da televisão brasileira — mais de duas décadas ao lado de Fausto Silva, o Faustão, como compositor e músico da trilha sonora do Domingão.
Faustão, aos 74 anos, divulgou uma nota à imprensa em que lamentava a perda de um dos seus amigos mais antigos. Os dois se conheciam desde 1965, quando se encontraram em um programa de rádio chamado Rádio Baile, em Campinas. Daquele primeiro encontro nasceu uma convivência que o apresentador descreveu como "absurda" — viajavam juntos, dividiam a vida, compartilhavam os altos e baixos que a profissão oferecia. Faustão ressaltou que foi um prazer trabalhar com alguém de "ótimo caráter", criativo e versátil.
Caçulinha não era apenas um músico de televisão. Sua carreira o havia colocado entre os maiores nomes da música brasileira. Trabalhou com Tony Bennett, Roberto Carlos, Elis Regina, Elizeth Cardoso, Ângela Maria e Cauby Peixoto — uma lista que revelava sua competência e lealdade ao longo de décadas. Quando Faustão começou sua trajetória na televisão, nos anos 1980, no programa Perdidos na Noite pela Bandeirantes, Caçulinha estava lá. Quando o apresentador se mudou para a Globo em 1989, Caçulinha o acompanhou. A parceria se manteve até 2009.
O fim da relação profissional chegou de forma abrupta. Caçulinha foi demitido do programa após fazer críticas ao próprio Faustão e às mudanças que estavam acontecendo no Domingão. Segundo o músico relatou na época, Faustão havia decidido eliminar a música ao vivo do programa porque não gerava audiência. O que restou foram apenas jingles de merchandising. Para Caçulinha, aquilo não era mais o mesmo trabalho que ele havia feito durante tantos anos. "Ele quis mudar tudo, acabou com a música porque não dava audiência. Aí eu saí e fui fazer outra coisa", disse o músico, marcando o encerramento de uma era.
Mesmo com o término profissional, Faustão encontrou consolo na reflexão sobre a vida que Caçulinha havia vivido. Descreveu-a como "extraordinária". O apresentador também se reconfortava com o fato de que o músico não havia sofrido prolongadamente com a doença que o levou. "Ainda bem que ele não sofreu tanto como em algumas doenças, ele viveu e entrou no grande baile da vida, fez história e deixará saudades", escreveu Faustão. Com a morte de Caçulinha, encerrava-se um capítulo importante não apenas da carreira de Faustão, mas da própria história da música e da televisão brasileira.
Citações Notáveis
Tivemos uma convivência absurda de viajar junto, de dividir a vida junto, de curtir os altos e baixos da vida.— Faustão, sobre sua relação com Caçulinha
Ele quis mudar tudo, acabou com a música porque não dava audiência. Aí eu saí e fui fazer outra coisa.— Caçulinha, sobre sua saída do Domingão em 2009