Em um país continental onde culturas se entrelaçam com facilidade, o Brasil revelou uma afinidade profunda e geograficamente surpreendente com as narrativas sul-coreanas: não são as grandes metrópoles do Sul e Sudeste que lideram esse encontro, mas o Norte e o Nordeste, regiões que encontraram nos k-dramas um espelho de emoções universais — amor, família e sonho. Uma pesquisa encomendada pela Netflix em agosto de 2026 confirma que sessenta por cento dos brasileiros já assistiram a pelo menos uma série coreana, e que esse consumo, longe de ser casual, é entre os mais intensos e fiéis da platafo
Fãs de k-drama se concentram no Norte e Nordeste, revela pesquisa da Netflix
O ritmo do fã é frenético
Por que a pesquisa da Netflix focou especificamente nessas regiões? Parece estranho que Norte e Nordeste dominem tanto.
A pesquisa não explica o porquê, apenas mostra o padrão. Mas o levantamento mede consumo proporcional à audiência de cada lugar, não volume absoluto. Então é possível que essas regiões tenham uma base menor de usuários, mas uma proporção muito maior deles assistindo k-dramas.
Exatamente. A gente não sabe se Alagoas, Maranhão e Pará têm mais usuários de Netflix ou menos. Só sabemos que, entre quem usa, a proporção que assiste k-drama é maior. São métricas diferentes.
E quanto ao número de 60% que já viram um k-drama? Isso é realmente alto.
É alto mesmo. Significa que k-drama deixou de ser nicho. Passou a ser mainstream. Mas lembre-se: "já ter visto uma vez" é diferente de ser fã. O estudo depois faz um recorte entre quem consome k-content de verdade.
E aí os números caem. Trinta por cento dos fãs assistem diariamente. Um quarto do público geral assiste semanalmente ou diariamente. São públicos diferentes sendo medidos de formas diferentes.
A Netflix investiu dois bilhões e meio de dólares em k-content. Isso funcionou?
Pelos números da pesquisa, sim. Noventa por cento dos fãs consomem através da Netflix. Setenta por cento pensam primeiro na plataforma quando querem k-drama. Antes disso, era restrito a sites especializados.
Mas a pesquisa não diz se esse investimento aumentou o número de fãs ou apenas consolidou a Netflix como plataforma preferida entre quem já era fã. Pode ser que o público de k-drama tenha crescido naturalmente, e a Netflix apenas capturou esse crescimento.
As comédias românticas são o gênero preferido. Por quê?
A diretora de marketing sugere que é porque os brasileiros já amam novelas e melodramas. K-dramas trazem histórias universais sobre amor e família, mas com uma estética e cultura diferentes. É familiar, mas novo ao mesmo tempo.
Isso é uma interpretação dela, não um dado da pesquisa. A pesquisa mostra qual gênero é preferido, mas não explica por quê. Seria preciso perguntar aos espectadores diretamente.
Le Pouls
- O que parecia um gosto de nicho se revela como fenômeno de massa: seis em cada dez brasileiros já cruzaram a fronteira cultural dos k-dramas.
- No Norte e Nordeste, a intensidade é ainda mais marcante — noventa por cento dos espectadores nordestinos consideram as séries coreanas mais viciantes do que qualquer outro formato disponível.
- Alagoas, Maranhão e Pará lideram o ranking de reproduções, desafiando a narrativa de que o consumo de conteúdo internacional se concentra nos grandes centros urbanos.
- A Netflix, que há dez anos estreou na Coreia do Sul, responde a essa demanda com investimentos bilionários e uma oferta constante de novos títulos legendados e dublados em português.
- Em cinco anos de ranking semanal no Brasil, produções sul-coreanas estiveram no top dez por 214 das 290 semanas — uma presença que já não surpreende, mas que continua a crescer.
Em um país continental onde culturas se entrelaçam com facilidade, o Brasil revelou uma afinidade profunda e geograficamente surpreendente com as narrativas sul-coreanas: não são as grandes metrópoles do Sul e Sudeste que lideram esse encontro, mas o Norte e o Nordeste, regiões que encontraram nos k-dramas um espelho de emoções universais — amor, família e sonho. Uma pesquisa encomendada pela Netflix em agosto de 2026 confirma que sessenta por cento dos brasileiros já assistiram a pelo menos uma série coreana, e que esse consumo, longe de ser casual, é entre os mais intensos e fiéis da plataforma.
Uma pesquisa encomendada pela Netflix ao instituto Toluna, realizada em agosto com mais de dois mil brasileiros, desfaz o mito de que k-dramas são um gosto de minoria. Sessenta por cento dos entrevistados já assistiram a pelo menos uma série sul-coreana, e entre os fãs declarados, trinta por cento consomem esse conteúdo diariamente — frequência superior à de reality shows e documentários.
O mapa do consumo revela uma geografia inesperada. São as regiões Norte e Nordeste que dominam o ranking de reproduções, com Alagoas, Maranhão e Pará na liderança. No Nordeste, nove em cada dez espectadores consideram os k-dramas mais viciantes do que outros formatos. A medição leva em conta a proporção de audiência por região, não o volume absoluto de horas.
Para Jana Borges, diretora de marketing da Netflix no Brasil, a explicação está na ressonância emocional: as produções coreanas falam de amor, família, sonhos e pessoas comuns — temas que os brasileiros já reconhecem nas novelas e melodramas nacionais. A culinária, as paisagens e a cultura coreana acrescentam um encantamento novo a narrativas emocionalmente familiares.
Esse encontro cultural tem raízes em uma década de investimentos. Desde que a Netflix estreou na Coreia do Sul, há dez anos, a plataforma expandiu progressivamente o conteúdo coreano para outros mercados. Em 2023, anunciou um aporte de dois bilhões e meio de dólares em k-content para os três anos seguintes. O resultado é visível: setenta por cento dos brasileiros pensam primeiro na Netflix quando o assunto é k-drama, e noventa por cento acessam o conteúdo pela plataforma. Em cinco anos de ranking semanal no Brasil, séries sul-coreanas figuraram no top dez por 214 das 290 semanas — e no ano passado, em 49 das 52 semanas. As comédias românticas lideram as preferências, com títulos como Beijo Explosivo e Amor e Batatas entre os mais assistidos.
A Netflix encomendou uma pesquisa que revela quem realmente assiste a k-dramas no Brasil — e a resposta desmente a ideia de que é um gosto de nicho. Sessenta por cento dos brasileiros consultados já viram pelo menos uma série sul-coreana. Entre os fãs de verdade, um quarto deles assiste diariamente ou pelo menos uma vez por semana. O levantamento, feito em agosto com 2.087 pessoas através do instituto Toluna, mostra um público que não apenas consome, mas consome com uma intensidade que supera outros formatos.
Entre quem se identifica como consumidor de k-content, trinta por cento assiste a k-dramas todos os dias — uma taxa mais alta do que a de reality shows ou documentários. Jana Borges, diretora de marketing da Netflix no Brasil, resume assim: o ritmo do fã é frenético. Para acompanhar essa velocidade, a plataforma garante que sempre há novas produções coreanas chegando ao serviço, com legendas e dublagem em português.
Mas o mapa do consumo revela algo mais específico. As regiões Norte e Nordeste dominam completamente. Alagoas, Maranhão e Pará ocupam os primeiros lugares no ranking de reproduções deste ano — a ordem exata não foi divulgada. O levantamento mede a visualização de forma proporcional à audiência de cada região, não pelo volume absoluto de horas assistidas. No Nordeste, noventa por cento dos espectadores consideram os k-dramas mais viciantes do que outros formatos.
A pesquisa tentou entender por que essas séries geram tanto interesse. Setenta e um por cento dos fãs acreditam que k-dramas são melhores do que outros gêneros. Oitenta e sete por cento dizem que são mais viciantes, divertidos e geram mais leveza e alegria do que outras séries. Borges oferece uma explicação: as produções sul-coreanas trazem elementos que conversam com o que os brasileiros já amam nas novelas e melodramas — histórias sobre amor, família, sonhos e pessoas comuns. São narrativas universais com emoções familiares, mas ao mesmo tempo aspiracionais. A culinária, as paisagens e a cultura coreana trazem um frescor novo e encantador.
Este é o ano em que a Netflix completa dez anos desde sua estreia na Coreia do Sul. Nesse período, a empresa começou a produzir conteúdos originais e expandir títulos sul-coreanos para outros mercados. Fenômenos globais como Squid Game ajudaram a alimentar o interesse que já existia e a orientar os investimentos. Em 2023, a Netflix anunciou que investiria dois bilhões e quinhentos milhões de dólares — aproximadamente doze bilhões e oitocentos milhões de reais — em k-content ao longo dos três anos seguintes.
Esse investimento transformou a Netflix em referência para acesso às séries sul-coreanas, que antes eram restritas a sites especializados, especialmente para quem tinha contato com essas produções pela primeira vez. Setenta por cento dos entrevistados pensam primeiro no streaming quando o assunto é k-drama, e noventa por cento consomem através da plataforma. O reflexo dessa febre aparece na lista semanal dos dez títulos mais clicados. Desde que o ranking foi lançado no Brasil, há cinco anos, as produções da Coreia do Sul foram as terceiras que mais figuraram no top dez — ocuparam 214 semanas de um total de 290. No ano passado, quase todas as semanas — 49 de 52 — tiveram pelo menos um k-drama entre os mais vistos.
Para Borges, ver títulos sul-coreanos marcando presença constante no top dez semanal é resultado natural de investimentos de longo prazo no audiovisual na Coreia do Sul. As comédias românticas lideram a preferência entre os brasileiros. Títulos como Beijo Explosivo, Bon Appétit Vossa Majestade e Amor e Batatas exemplificam o gênero que mais atrai.
Citations marquantes
São histórias universais, com emoções familiares, mas ao mesmo tempo aspiracionais. A culinária, as paisagens e a cultura trazem um frescor novo e encantador.— Jana Borges, diretora de marketing da Netflix no Brasil