Em Florianópolis, a fronteira entre o que a lei permite e o que a ambição profissional ultrapassa foi colocada à prova quando o Conselho Regional de Medicina e o Procon invadiram uma clínica de coworking para investigar um farmacêutico acusado de realizar procedimentos estéticos reservados exclusivamente à medicina. O caso revela uma tensão antiga entre a expansão de práticas estéticas e os limites regulatórios que existem para proteger quem se submete a elas. O desfecho dependerá de um laudo técnico e das decisões administrativas que se seguirão — um processo que, em si, é um retrato do esfor
Farmacêutico é alvo de operação por realizar procedimentos exclusivos da medicina em Florianópolis
Procedimentos que exigem injeção ou manipulação anatômica são exclusivos da medicina
Por que um farmacêutico faria procedimentos que sabe serem exclusivos de médicos? Parece arriscado demais.
Pode ser ganância, pode ser falta de clareza sobre os limites legais, pode ser que ele acreditasse que certos procedimentos estavam numa zona cinzenta. Mas o risco é real — não só legal, mas para o paciente. Sem a formação médica, faltam conhecimentos sobre anatomia, complicações, quando parar.
E como alguém descobriu? A denúncia veio de um cliente?
Veio de alguém que presenciou um procedimento sendo feito. Pode ter sido um cliente, pode ter sido alguém que estava no coworking. O importante é que a denúncia funcionou — o CRM levou a sério e fiscalizou.
O farmacêutico cooperou durante a operação. Isso muda algo?
Cooperar é bom, mostra que não havia resistência ativa. Mas não apaga o que foi feito. O CRM vai analisar tudo — os produtos, os procedimentos documentados, o que foi encontrado. A cooperação pode contar a favor dele depois, mas agora é questão de investigação técnica.
Qual é o risco real para quem fez esses procedimentos com ele?
Depende do procedimento. Rinomodelação mal feita pode deixar cicatrizes, assimetrias, problemas respiratórios. Harmonização de glúteos com técnica errada pode causar infecção, necrose de tecido, deformidades permanentes. Sem treinamento médico, o profissional não sabe reconhecer complicações ou como corrigi-las.
E agora, qual é o próximo passo?
O CRM faz o laudo, passa para o Procon, e aí o Procon decide se notifica, se leva ao Ministério Público ou se vai para a justiça. Pode resultar em multa, proibição de exercer a profissão, ou até processo criminal, dependendo de como a lei estadual e federal enquadra isso.
The Pulse
- Uma denúncia de que um farmacêutico realizava procedimentos como rinomodelação e harmonização de glúteos — exclusivos de médicos — acionou uma operação conjunta do CRM e do Procon em Florianópolis.
- Fiscais vasculharam gavetas e armários de uma clínica de coworking, fotografaram produtos e verificaram os procedimentos realizados no local, com o profissional presente durante toda a ação.
- O farmacêutico, descrito como receptivo à equipe, foi orientado sobre os limites legais de sua profissão, mas a investigação está longe de encerrada.
- O CRM agora prepara um laudo técnico que determinará se o caso vai a notificação formal, ao Ministério Público ou à esfera judicial — o nome do profissional ainda não foi divulgado.
- O episódio expõe uma lacuna regulatória crítica: enquanto a Anvisa regula produtos, são os conselhos profissionais que definem quem pode fazer o quê — e essa distinção nem sempre é clara para o público.
Em Florianópolis, a fronteira entre o que a lei permite e o que a ambição profissional ultrapassa foi colocada à prova quando o Conselho Regional de Medicina e o Procon invadiram uma clínica de coworking para investigar um farmacêutico acusado de realizar procedimentos estéticos reservados exclusivamente à medicina. O caso revela uma tensão antiga entre a expansão de práticas estéticas e os limites regulatórios que existem para proteger quem se submete a elas. O desfecho dependerá de um laudo técnico e das decisões administrativas que se seguirão — um processo que, em si, é um retrato do esforço contínuo das instituições em guardar a segurança pública.
Em Florianópolis, uma operação conjunta entre o Conselho Regional de Medicina e o Procon de Santa Catarina chegou a uma clínica de coworking na terça-feira para investigar um farmacêutico acusado de realizar procedimentos estéticos que a lei reserva exclusivamente a médicos. A denúncia havia chegado ao CRM após uma testemunha flagrar o profissional executando um desses procedimentos protegidos.
O farmacêutico era investigado por realizar rinomodelação, harmonização dos glúteos, tratamento para flacidez e hiperidrose nas axilas. Durante a fiscalização, os agentes documentaram fotograficamente os produtos encontrados e verificaram os procedimentos em curso. O profissional estava presente e se mostrou receptivo, sendo orientado sobre os limites legais de sua atuação.
O próximo passo é a elaboração de um laudo técnico pelo CRM, que será encaminhado ao Procon. A partir daí, as opções incluem notificação formal, encaminhamento ao Ministério Público de Santa Catarina ou medidas judiciais. O nome do profissional não foi tornado público.
O caso ilumina uma questão estrutural: a Anvisa regula produtos e aspectos sanitários, mas não define quais procedimentos cada profissional pode executar — essa responsabilidade recai sobre os conselhos de cada área. A agência é clara ao afirmar que esteticistas só podem usar cosméticos de uso externo; qualquer procedimento que envolva injeção, substâncias medicamentosas ou manipulação de estruturas anatômicas pertence ao domínio da medicina. Para quem busca estética, a recomendação é verificar licença sanitária do local, aprovação dos produtos e qualificação documentada do profissional.
Em Florianópolis, uma operação conjunta entre o Conselho Regional de Medicina e o Procon de Santa Catarina invadiu uma clínica de coworking na terça-feira para investigar um farmacêutico acusado de realizar procedimentos que a lei reserva exclusivamente a médicos. A denúncia chegou ao CRM depois que alguém testemunhou o profissional executando um desses procedimentos protegidos — um ato que, segundo a regulação, só pode ser feito por um médico habilitado.
O farmacêutico estava sendo investigado por realizar rinomodelação, harmonização dos glúteos, tratamento para flacidez e hiperidrose nas axilas. Durante a operação, os fiscais abriram gavetas e armários na clínica, documentaram fotograficamente os produtos encontrados e verificaram quais procedimentos estavam sendo realizados no local. O profissional estava presente durante a fiscalização e, conforme o Procon, mostrou-se receptivo à equipe. Ele foi orientado sobre os limites legais de sua profissão.
O que acontece agora depende de uma sequência de passos administrativos. O CRM vai preparar um laudo técnico baseado no material coletado durante a operação. Esse laudo será encaminhado ao Procon, que então decidirá os próximos movimentos: notificar o farmacêutico formalmente, encaminhar o caso ao Ministério Público de Santa Catarina, ou tomar alguma medida judicial. O nome do profissional não foi divulgado publicamente.
O caso toca em uma questão maior sobre segurança em procedimentos estéticos. A Anvisa, agência que regula produtos e aspectos sanitários, não determina quais procedimentos são permitidos — essa responsabilidade cabe aos conselhos profissionais de cada área. O que a agência enfatiza é que esteticistas não podem usar medicamentos em suas atividades, apenas cosméticos de uso externo. Quando um procedimento exige injeção, aplicação de substâncias medicamentosas ou manipulação de estruturas anatômicas, ele entra no domínio exclusivo da medicina.
Para quem busca procedimentos estéticos, a Anvisa recomenda três verificações básicas: confirmar que o local tem licença sanitária, garantir que os produtos usados são aprovados pela agência, e comprovar que o profissional tem qualificação documentada para aquele serviço específico. Desconfiar de promessas de resultados garantidos, preços muito abaixo do mercado, ou profissionais que não conseguem esclarecer dúvidas antes do procedimento. A operação em Florianópolis é um lembrete de que essas proteções existem por razão — e que fiscalizar quem as viola é trabalho contínuo.
Notable Quotes
O profissional estava no local durante a operação e foi receptivo à equipe. Ele foi orientado sobre a exclusividade da medicina nesses procedimentos.— Procon de Santa Catarina