Famílias de reféns exigem pausa nas tréguas até devolução de todos os corpos

13 corpos de reféns israelitas permanecem retidos pelo Hamas em Gaza; mais de 68.000 mortos na Faixa de Gaza desde o início da guerra em outubro de 2023.
O Hamas sabe exatamente onde está cada um dos reféns falecidos
Denúncia das famílias dois meses após o prazo estabelecido para devolução de todos os corpos.

No limiar entre a guerra e a paz, treze corpos permanecem em Gaza — retidos pelo Hamas duas semanas após o prazo acordado — e as famílias dos reféns israelitas exigem que o mundo pause antes de avançar. O cessar-fogo, fruto de meses de pressão internacional e de um plano de 20 pontos impulsionado por Donald Trump, prometia um regresso completo; a promessa ficou incompleta. Enquanto mediadores pressionam e escombros cobrem respostas, as famílias recusam que a diplomacia avance sem que cada morte tenha sepultura.

  • Treze corpos de reféns israelitas continuam retidos em Gaza, duas semanas depois do prazo estabelecido no acordo de cessar-fogo — uma falha que as famílias recusam aceitar em silêncio.
  • O Fórum das Famílias dos Reféns exige a suspensão imediata da próxima fase das negociações, tornando a devolução dos corpos uma condição inegociável para qualquer avanço diplomático.
  • O Hamas alega não conseguir localizar os corpos num território devastado, mas as famílias rejeitam a justificação, afirmando que o grupo sabe exatamente onde cada refém falecido se encontra.
  • As buscas foram alargadas a zonas sob controlo militar israelita, conduzidas pelo Crescente Vermelho sem presença armada — mas há quase uma semana que nenhum corpo é recuperado.
  • Os Estados Unidos pressionam o Hamas para concluir as entregas, considerando-as essenciais para desbloquear a segunda fase, que inclui desarmamento, retirada israelita e reconstrução de Gaza.

Duas semanas depois do prazo, 13 corpos de reféns israelitas continuam em Gaza. O acordo de cessar-fogo, em vigor desde 10 de outubro e construído sobre um plano de 20 pontos que Donald Trump ajudou a impulsionar, previa a entrega de 28 corpos pelo Hamas. Apenas 15 chegaram. Os restantes 13 permanecem desaparecidos, e as famílias perderam a paciência.

O Fórum das Famílias dos Reféns fez um pedido claro ao Governo israelita e aos mediadores internacionais: suspendam a próxima fase do cessar-fogo até que cada corpo seja devolvido. "O Hamas sabe exatamente onde está cada um dos reféns falecidos", declararam, rejeitando a justificação de que os corpos possam estar soterrados sob escombros ou em zonas de difícil acesso. Entre os 13 está o soldado Hadar Goldin, em Gaza desde 2014 — cada nome é uma morte sem sepultura, uma família sem encerramento.

As buscas continuam sob a coordenação do Crescente Vermelho, alargadas recentemente a zonas além da chamada "linha amarela", em áreas ainda sob controlo militar israelita. Mas há quase uma semana que nenhum corpo é recuperado. Os mediadores, em especial os Estados Unidos, pressionam o Hamas para concluir as entregas, vendo-as como condição essencial para avançar para a segunda fase — que inclui o desarmamento do Hamas, a retirada israelita e a reconstrução do enclave.

A guerra que tornou tudo isto necessário começou a 7 de outubro de 2023, quando o Hamas invadiu Israel, matou cerca de 1.200 pessoas e raptou 251 para Gaza. Desde então, mais de 68.000 pessoas morreram na Faixa de Gaza. O que deveria ser um regresso simples de corpos tornou-se o ponto de impasse que pode bloquear toda a arquitetura frágil da paz negociada.

Duas semanas passaram desde o prazo. O acordo dizia que todos os reféns — vivos e mortos — deveriam estar de volta. Mas 13 corpos ainda estão em Gaza, retidos pelo Hamas e pelas milícias que o acompanham. O Fórum das Famílias dos Reféns, cansado de esperar, fez um pedido direto: parem. Não avancem para a próxima fase do cessar-fogo até que cada corpo seja devolvido. Não é negociável.

O cessar-fogo entrou em vigor a 10 de outubro, fruto de um plano de 20 pontos que Donald Trump ajudou a impulsionar. Tinha vindo depois de semanas de pressão internacional, depois de Benjamin Netanyahu ter ordenado uma nova invasão terrestre a Gaza. Na primeira fase, o Hamas e outras facções palestinianas libertaram 20 reféns vivos e 15 corpos, em troca de cerca de 2.000 prisioneiros palestinianos e dos restos mortais de gazavis. Parecia um começo. Mas o acordo previa que o Hamas entregasse 28 corpos no total. Apenas 15 chegaram. Os restantes 13 continuam desaparecidos.

O Hamas diz que não consegue encontrá-los. O território está devastado pela ofensiva israelita, explicam os mediadores que ouviram a justificação. Alguns corpos podem estar soterrados sob escombros. Outros podem estar em zonas que o Exército israelita ainda controla. Mas as famílias não acreditam em desculpas. "O Hamas sabe exatamente onde está cada um dos reféns falecidos", denunciaram num comunicado que soou como um grito de frustração. Treze pessoas permanecem retidas. Duas semanas depois do prazo.

Entre os 13 estão indivíduos que morreram em cativeiro, pessoas assassinadas a 7 de outubro de 2023 quando o Hamas invadiu Israel e matou cerca de 1.200 pessoas, raptando 251 para Gaza. Um dos corpos é o do soldado Hadar Goldin, que está em Gaza desde 2014. Cada um deles é uma história inacabada, uma morte sem sepultura, uma família sem encerramento.

As buscas continuam. No domingo passado, o Hamas alargou as operações para zonas além da "linha amarela" — áreas que permanecem sob controlo militar israelita. A operação é conduzida pelo Crescente Vermelho, a organização internacional federada com a Cruz Vermelha, com pessoal técnico apenas, sem presença militar. Ambas as partes pediram isto. Mas há quase uma semana que nenhum corpo é devolvido.

Os mediadores internacionais, especialmente os Estados Unidos, estão a pressionar o Hamas para que termine as entregas. Consideram isto essencial para avançar. A segunda fase do plano inclui o desarmamento do Hamas, a continuação da retirada israelita de Gaza e a criação de uma administração civil para reconstruir o que a guerra destruiu. Mas as famílias dizem: não há segunda fase sem os corpos. Não há acordo completo enquanto houver 13 pessoas ainda retidas.

A guerra que levou a este cessar-fogo começou a 7 de outubro de 2023. Matou mais de 68.000 pessoas em Gaza e destruiu grande parte das infraestruturas do enclave. Israel foi acusado de genocídio e de usar a fome como arma de guerra — acusações que nega. O Hamas é considerado uma organização terrorista por vários países. E agora, meses depois, o que deveria ter sido um regresso simples de corpos tornou-se um ponto de impasse que pode bloquear toda a próxima fase das negociações.

As famílias pedem ao Governo israelita, ao Governo norte-americano e aos mediadores que não avancem para a próxima fase do acordo até que o Hamas cumpra todas as suas obrigações
— Fórum das Famílias dos Reféns
O Hamas sabe exatamente onde está cada um dos reféns falecidos. Passaram duas semanas desde o prazo estabelecido no acordo para o regresso dos 48 reféns, e 13 permanecem retidos
— Fórum das Famílias dos Reféns
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Porque é que as famílias estão a pedir uma pausa agora, quando o cessar-fogo já começou?

Model

Porque o acordo tinha um prazo claro — todos os corpos deveriam estar de volta há duas semanas. O Hamas entregou apenas metade do que prometeu. As famílias veem isto como uma quebra de confiança fundamental.

Inventor

O Hamas diz que não consegue encontrar os corpos. Isso não é uma explicação válida?

Model

Talvez seja verdade para alguns. Mas as famílias argumentam que o Hamas sabia onde estavam os reféns enquanto os tinha. A dificuldade em encontrá-los agora parece suspeita quando o prazo já passou.

Inventor

Qual é o risco de avançar para a segunda fase sem os corpos?

Model

Se avançarem, perdem a alavanca. A segunda fase inclui desarmamento do Hamas e reconstrução. Uma vez que isso comece, o incentivo para o Hamas procurar os corpos desaparece. As famílias sabem disto.

Inventor

Há quanto tempo alguns destes corpos estão em Gaza?

Model

Um deles — o soldado Hadar Goldin — está lá desde 2014. Dez anos. Imagina ser uma família à espera há uma década. Agora há um cessar-fogo, há uma oportunidade, e ainda assim nada.

Inventor

O que é que os mediadores internacionais estão a fazer?

Model

Estão a pressionar o Hamas, especialmente os Estados Unidos. Mas a pressão tem limites. Precisam manter o cessar-fogo de pé. As famílias estão a dizer: não, o cessar-fogo só vale a pena se trouxer os corpos de volta.

Inventor

Isto pode colapsar tudo?

Model

Pode. Se as famílias conseguirem apoio político suficiente, podem bloquear a segunda fase. E sem a segunda fase, o cessar-fogo fica suspenso. É um risco real.

Contact Us FAQ