Falha em GPS dos E2 da Embraer não freia expansão com Latam no Brasil

Mais de 8.000 passageiros foram impactados por cancelamentos e atrasos de voos da Azul.
Expansão real, mas ainda promessa de futuro
A Latam diversifica os clientes da Embraer no Brasil, mas a receita do país ainda representa apenas 8,3% do faturamento total.
Mark

Por que essa falha de GPS importa agora, especificamente? A Embraer não estava já vendendo aviões?

Mimi

Estava, mas o momento é crucial. A Latam acabava de fazer um pedido enorme — 24 aviões firmes, com opção de 50 mais. Era o sinal de que a Embraer estava finalmente diversificando seus clientes no Brasil além da Azul. Aí vem essa falha global e cancela 80 voos.

Luke

Mas a falha foi global, certo? Afetou KLM, Porter, outras companhias. Não foi um problema específico do E2 da Embraer.

Mimi

Verdade. A Embraer disse que foi instabilidade na recepção do sinal de GPS, não um defeito do avião. Mas a Azul foi a mais afetada — mais de 8 mil passageiros impactados.

Mark

E por que a Azul foi mais afetada se o problema era global?

Mimi

Ótima pergunta. A Embraer não respondeu. Pode ter sido configuração específica, equipamento, ou simplesmente o tamanho da frota da Azul naquele momento.

Luke

Então não sabemos realmente o que causou isso ou por que a Azul levou mais pancada. E a Embraer não explicou.

Mimi

Não. Mas o mercado não entrou em pânico. O UBS BB disse que não via impacto duradouro. A Latam manteve o pedido.

Mark

Quanto custa esse pedido da Latam?

Mimi

A XP estimou em cerca de US$ 1 bilhão, com desconto de 50% sobre os preços de tabela. Mas é estimativa, não o valor contratual.

Luke

Então é um número de corretora, não confirmado pelas empresas. E a Latam vai receber sete desses aviões em 2026, segundo o plano que apresentaram em novembro de 2025.

Mimi

Exato. E esses aviões permitem que ela voe para rotas menores, potencialmente 35 novos destinos na América do Sul.

Mark

Mas a receita do Brasil ainda é pequena para a Embraer?

Mimi

Sim. Cresceu 18,6% em 2025, mas ainda representa só 8,3% do faturamento total. E a maior parte veio de aviação executiva, não comercial.

Luke

Então a diversificação é real, mas ainda não é material para os números da Embraer. É mais uma promessa de futuro.

Mimi

É. E a Azul teve seu pedido reduzido de 51 para 25 aviões em novembro de 2025, durante a reestruturação da companhia.

Mark

Então a Embraer está perdendo volume com um cliente e ganhando com outro?

Mimi

Basicamente. Mas a Latam é um cliente novo, o que reduz o risco de depender só da Azul.

  • Instabilidade global no GPS cancelou mais de 80 voos da Azul, impactando mais de 8 mil passageiros
  • Latam encomendou 24 E195-E2 com opção de 50 adicionais, com entregas a partir do segundo semestre de 2026
  • Receita do Brasil para a Embraer cresceu 18,6% em 2025, mas permanece em 8,3% do faturamento total
  • Azul teve encomenda reduzida de 51 para 25 aeronaves em novembro de 2025

Falha no GPS impactou mais de 8.000 passageiros da Azul e afetou também companhias aéreas internacionais como KLM, Porter e Luxair. Latam mantém encomenda de 24 E195-E2 e analistas do UBS BB não identificam impacto duradouro para a Embraer neste estágio.

Instabilidade global no GPS afetou jatos E195-E2 da Embraer, levando a Azul a cancelar mais de 80 voos, mas analistas não veem impacto duradouro na fabricante em momento de expansão com pedido da Latam.

Uma instabilidade global no sistema de GPS desativou dezenas de jatos Embraer E195-E2 da Azul no final de setembro, forçando a companhia aérea a cancelar mais de 80 voos e deixando mais de 8 mil passageiros presos em aeroportos ou aguardando remarcações. O problema também atingiu operadoras internacionais — KLM Cityhopper, Porter, Luxair e Binter Canarias enfrentaram perturbações similares. Apesar da escala do incidente, a Embraer informou que nenhum voo correu risco de segurança.

O timing da falha colocou a fabricante brasileira em uma posição delicada. Semanas antes, em setembro de 2025, a Latam havia anunciado uma encomenda histórica: 24 E195-E2 com opção de compra de outras 50 aeronaves, com entregas programadas a partir do segundo semestre de 2026. Era o sinal mais forte de que a Embraer estava conquistando espaço real no mercado de aviação comercial brasileira, além de sua relação de longa data com a Azul, que começou em 2008 e ganhou novo impulso em 2019 quando se tornou a primeira operadora mundial do E195-E2. O episódio do GPS, portanto, chegou em um momento em que a fabricante estava ampliando sua base de clientes domésticos.

O mercado reagiu com cautela, mas sem pânico. Analistas do UBS BB publicaram um relatório na quarta-feira afirmando que esperavam uma solução rápida e não viam impacto duradouro para a Embraer naquele estágio. Os analistas Alberto Valerio, Andressa Varotto e Bruno Kenji apontaram que precedentes históricos sugeriam que os custos das interrupções costumavam ficar com as companhias aéreas, enquanto a correção vinha do fornecedor do equipamento ou da origem do sinal — embora ressalvassem que essa avaliação era inicial e não determinava quem arcaria com as despesas neste caso específico. A Latam, por sua vez, afirmou ao UOL que a falha não alterava seus planos de compra.

O pedido da Latam representa mais do que uma venda isolada. A corretora XP estimou o valor da encomenda firme em aproximadamente US$ 1 bilhão, considerando um desconto de cerca de 50% sobre os preços de tabela. Para a XP, o negócio aumentava a visibilidade das receitas futuras da Embraer e ajudava a reduzir o risco da tese de investimento da fabricante. Os E195-E2 permitem que a Latam atenda rotas de menor demanda e complementem a operação de aviões maiores — a companhia apontou potencial para acrescentar até 35 destinos na América do Sul com essas aeronaves. O plano de frota da Latam previa receber sete E2 em 2026, conforme informações apresentadas em teleconferência de resultados do terceiro trimestre de 2025.

A entrada da Latam também ocorria enquanto a Embraer ajustava seus compromissos com a Azul. No relatório anual de 2025, a fabricante informou que havia renegociado, em novembro daquele ano, encomendas anteriores da companhia aérea, reduzindo o conjunto de 51 para 25 aeronaves — uma revisão que refletia a reestruturação financeira pela qual a Azul passava. Apesar dessa redução, o presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, continuava citando tanto a operação da Azul quanto a chegada da Latam como exemplos do papel dos E2 na conexão entre cidades menores do Brasil.

A diversificação de clientes reforçava as perspectivas comerciais da Embraer no Brasil, mas ainda não havia se traduzido em aumento significativo do peso do país no faturamento total da fabricante. A receita atribuída ao Brasil cresceu de US$ 531,4 milhões em 2024 para US$ 630,2 milhões em 2025, uma alta de 18,6%, mas a participação na receita total permaneceu em 8,3%. O avanço foi puxado principalmente pela aviação executiva, não pela comercial. A encomenda da Latam ampliava a perspectiva de negócios da aviação comercial, mas os dados anuais ainda não permitiam atribuir a ela um aumento da relevância financeira do país para a Embraer.

Nem a Azul nem a Embraer responderam aos questionamentos específicos enviados pela reportagem até a publicação. A Azul não esclareceu se já havia recebido uma explicação sobre a causa da falha, qual foi o impacto financeiro exato, se pretendia buscar ressarcimento da Embraer ou da Honeywell (fornecedora de equipamentos), ou se o episódio alteraria sua avaliação dos E2. A Embraer, por sua vez, não respondeu sobre a causa da instabilidade, por que a frota da Azul foi mais afetada, se o problema estava relacionado a equipamento, software ou configuração específica, ou se seria necessária intervenção nas aeronaves. Também não informou se os E195-E2 encomendados pela Latam usavam o mesmo equipamento ou configuração envolvidos no episódio. No mercado de ações, as ações da Embraer fecharam em alta na quinta-feira, com os papéis EMBJ3 SA subindo 0,95% e sendo cotados a R$ 99,10.

Até aquele momento, a falha no GPS não havia alterado os planos de expansão. A Latam mantinha sua encomenda e o UBS BB não identificava impacto duradouro para a Embraer. Mas a retomada das operações ainda não significava que a causa do problema tivesse sido definitivamente solucionada.

Esperamos uma solução rápida e não vemos impacto duradouro para a Embraer neste estágio
— Analistas do UBS BB (Alberto Valerio, Andressa Varotto e Bruno Kenji)
A ocorrência não altera a encomenda feita à Embraer
— Latam, em comunicado ao UOL
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