Uma falha que parecia pequena, um simples nome de arquivo, revela como a confiança entre programas pode abrir portas inesperadas. A biblioteca Pillow, usada por milhões de sistemas escritos em Python para tratar imagens, repassa sem verificação o nome de um arquivo EPS a um programa auxiliar, e quem controla esse nome pode controlar o servidor. A descoberta, registrada por pesquisadores e confirmada pelos próprios mantenedores, lembra que a segurança digital costuma depender de gestos discretos e de hábitos de atualização que nem sempre acompanham a pressa do mundo.
Falha crítica na biblioteca Pillow do Python permite execução remota de comandos em servidores
Até uma imagem inofensiva pode causar estragos se o nome for do invasor
Começo pelo básico: por que o nome de um arquivo é tão perigoso?
Porque a Pillow repassa esse nome ao Ghostscript sem checar nada. Se o nome tiver comandos, eles podem ser executados. O conteúdo da imagem nem importa.
E vale separar o que está confirmado. Os próprios mantenedores descreveram isso no GitHub. Já a nota de 9,2 para as três falhas vem da análise da OX Security.
A falha do FlashPix parece ainda mais silenciosa, certo?
Sim. O servidor identifica o arquivo pelo cabeçalho, não pela extensão, então basta abrir a imagem. Ninguém precisa clicar em nada. Mas exige o pacote olefile instalado.
Esse "se" é importante. Nem todo servidor está exposto da mesma forma.
A brecha de 2013 chama a atenção. Foram mais de dez anos no código.
E atinge um uso comum: salvar a foto na memória temporária em vez de no disco, algo típico de sites que recebem uploads.
O resumo fala em milhões de sistemas afetados, mas o texto não traz um número que sustente isso. É uma estimativa sem fonte detalhada.
Também há o detalhe de que a Anthropic achou uma das falhas usando o Claude.
Foi a das miniaturas, a CVE-2026-112403, com validação manual da Ada Logics. É a que trava o servidor.
Travar é diferente de assumir o controle. Não há relato de exploração real, só a correção e o alerta.
Il Polso
- Três brechas graves na Pillow, cada uma com nota 9,2 de 10, colocam servidores de todo o mundo sob ameaça imediata.
- Basta um arquivo de imagem com nome adulterado para que comandos invasores sejam executados, sem que ninguém clique em nada.
- Uma das falhas está no código desde 2013, o que significa que milhões de sistemas carregaram o risco por mais de uma década.
- Administradores correm para atualizar à versão 13.0.0, mas a migração exige também a atualização do próprio Python.
- Enquanto isso, o projeto pede a remoção do Ghostscript em servidores que recebem arquivos públicos, uma medida provisória para conter a exposição.
Uma falha que parecia pequena, um simples nome de arquivo, revela como a confiança entre programas pode abrir portas inesperadas. A biblioteca Pillow, usada por milhões de sistemas escritos em Python para tratar imagens, repassa sem verificação o nome de um arquivo EPS a um programa auxiliar, e quem controla esse nome pode controlar o servidor. A descoberta, registrada por pesquisadores e confirmada pelos próprios mantenedores, lembra que a segurança digital costuma depender de gestos discretos e de hábitos de atualização que nem sempre acompanham a pressa do mundo.
A história começa com algo quase banal: o nome de um arquivo. Na Pillow, biblioteca de processamento de imagens muito usada em Python, um arquivo EPS com nome alterado para carregar comandos maliciosos pode dar a um invasor o controle de um servidor conectado à internet. A biblioteca repassa esse nome ao Ghostscript, programa auxiliar, sem checar o conteúdo. Os mantenedores confirmaram a gravidade, e o alerta vale até para imagens inofensivas, se quem define o nome for o atacante.
A análise da OX Security identificou três falhas graves, todas com nota 9,2. Uma delas afeta a leitura de JPEG no antigo formato FlashPix: basta a imagem ser aberta, desde que o pacote olefile esteja instalado, e o servidor pode ser tomado, sem qualquer clique do usuário. A terceira, registrada como CVE-2026-112393, existe desde 2013 e surge quando fotos comprimidas são gravadas diretamente na memória temporária, prática comum em sites que processam imagens enviadas por visitantes. Uma quarta correção, CVE-2026-112403, trata de travamentos na criação de miniaturas. Ela foi encontrada com apoio do Claude, da Anthropic, e validada manualmente pela Ada Logics.
A recomendação central é atualizar para a versão 13.0.0, disponível no PyPI. Ela, porém, abandonou versões antigas do Python, o que obriga a revisar toda a base do sistema. Até lá, o projeto orienta desinstalar o Ghostscript de servidores públicos, evitar miniaturas de fotos de desconhecidos e deixar de processar imagens na memória. O desfecho agora depende da rapidez com que os administradores conseguirão migrar.
O ponto de partida da falha é um detalhe banal: o nome de um arquivo. Na Pillow, biblioteca de processamento de imagens muito usada na linguagem Python, um arquivo EPS (formato comum em ilustrações e desenhos vetoriais) com o nome alterado para incluir comandos maliciosos pode permitir que um invasor assuma o controle de um servidor conectado à internet.
O mecanismo está na falta de validação. Ao processar o arquivo, a Pillow repassa o nome do documento diretamente ao Ghostscript, programa auxiliar, sem verificar se o texto traz instruções invasoras. Os mantenedores do projeto confirmaram a gravidade em comunicado de segurança no GitHub: a falha é acionada pelo nome do arquivo, e não por qualquer elemento dentro do documento PostScript. Ou seja, mesmo uma imagem inofensiva pode causar estragos se quem define o nome do arquivo for o invasor.
Segundo a análise da OX Security, a biblioteca apresentou três falhas graves, cada uma com pontuação 9,2 em uma escala que vai até 10. O problema do EPS é uma delas. A segunda está na leitura de imagens JPEG no formato FlashPix, um padrão antigo de fotografia digital. De acordo com o relatório de segurança no GitHub, ela permite que o invasor tome o controle do servidor no momento em que a imagem é aberta, desde que o pacote complementar olefile esteja instalado. O programa identifica o arquivo pela assinatura dos dados do cabeçalho, e não pela extensão do nome, e por isso os servidores ficam expostos sem que ninguém precise clicar na imagem.
A terceira brecha, registrada como CVE-2026-112393, está no código do programa desde 2013. Ela ocorre quando o sistema tenta salvar uma foto comprimida diretamente na memória temporária do servidor, em vez de gravá-la no disco rígido. A prática é comum em sites que tratam imagens enviadas por usuários antes de exibi-las.
A atualização corrige ainda um defeito na criação de miniaturas, as versões reduzidas usadas para pré-visualização na web. Identificado como CVE-2026-112403, o erro faz o servidor travar ao redimensionar fotos em JPEG. O analista David Korczynski registrou no boletim técnico que essa falha foi encontrada pela Anthropic, com o uso do Claude, em estudo da segurança de softwares de código aberto, e validada manualmente pela Ada Logics.
A orientação principal aos profissionais que administram esses servidores é atualizar imediatamente para o Pillow 13.0.0, disponível no repositório PyPI, conforme as notas de lançamento. A nova versão removeu o suporte a versões mais antigas do Python, o que obriga a atualizar toda a base do sistema.
Enquanto a atualização não é aplicada, as diretrizes do projeto recomendam desinstalar o Ghostscript dos servidores que recebem arquivos públicos. Os mantenedores também pedem que os sistemas evitem criar miniaturas de fotos enviadas por desconhecidos e não processem imagens diretamente na memória temporária do computador. O ponto a observar agora é a velocidade com que os administradores migram para a versão 13.0.0, já que isso depende de atualizar também o Python.
Citazioni salienti
A falha é acionada pelo nome do arquivo, e não por qualquer elemento dentro do documento PostScript.— Mantenedores da Pillow, comunicado de segurança no GitHub
A falha das miniaturas foi encontrada pela Anthropic com o Claude, com validação manual pela Ada Logics.— David Korczynski, analista, boletim técnico no GitHub