Itaú lança site 'Factópoles' para responder a reportagens do Metrópoles

Essa cobertura insistente distorce dados e nega o contraditório
Argumento do Itaú para justificar a criação do Factópoles como resposta às reportagens do Metrópoles.

Quando uma das maiores instituições financeiras do Brasil decide criar um site inteiramente dedicado a contestar a cobertura de um único veículo de mídia, algo mais profundo do que uma disputa factual está em jogo. O Itaú Unibanco lançou o Factópoles em resposta a 42 reportagens e 50 posts publicados pelo Metrópoles em dez semanas, alegando distorção de dados e negação do contraditório. O episódio ilumina uma tensão antiga e crescente entre o poder corporativo e a imprensa: quem tem o direito de definir a narrativa — e por quais meios.

  • Em dez semanas, o Metrópoles publicou 42 matérias e 50 posts sobre o Itaú, abordando cobranças indevidas, seguros não solicitados e um acordo milionário com o Ministério Público de Minas Gerais.
  • O banco afirma que os valores divulgados — entre R$ 16 bilhões e R$ 33 bilhões — são falsos, sustentando que o montante real destinado ao ressarcimento é de apenas R$ 11 milhões.
  • Sentindo-se sem espaço para resposta nos mesmos canais onde as acusações circulam, o Itaú criou o Factópoles e enviou notificação extrajudicial ao veículo exigindo correções.
  • O Metrópoles rejeitou as críticas, defendendo suas apurações como investigações jornalísticas legítimas e mantendo sua cobertura.
  • O conflito permanece sem resolução, com ambos os lados firmes em suas posições e o debate sobre direito de resposta e responsabilidade jornalística cada vez mais exposto ao público.

Na quarta-feira, 1º de julho, o Itaú Unibanco anunciou o lançamento do Factópoles, uma plataforma criada exclusivamente para contestar reportagens do Metrópoles — portal controlado pelo empresário e ex-senador Luiz Estevão. Em dez semanas, segundo o banco, o veículo publicou 42 matérias e cerca de 50 posts em redes sociais com o que o Itaú classifica como "informações deturpadas", sem oferecer espaço adequado para a versão da instituição.

O centro da disputa está em reportagens sobre cobranças indevidas, seguros não solicitados e, sobretudo, um acordo firmado em dezembro entre o banco, o Ministério Público de Minas Gerais e o Idec. O Metrópoles noticiou que o ressarcimento previsto poderia chegar entre R$ 16 bilhões e R$ 33 bilhões. O Itaú nega categoricamente esses números, afirmando que o valor real é de R$ 11 milhões, referente a casos pontuais de clientes que contrataram seguros sem comprovação de consentimento — muitos deles por correspondentes bancários ou herdados de aquisições anteriores. O banco também destaca que o Judiciário não reconheceu práticas intencionais de irregularidade.

Além do site, o Itaú enviou notificação extrajudicial ao Metrópoles pedindo correções. A instituição afirma que manteve relação colaborativa com o veículo até meados de abril de 2026, quando o tom da cobertura mudou. O Factópoles, esclarece o banco, não é uma plataforma de checagem geral — função já exercida pelo ÉFake —, mas um espaço dedicado a expor sua versão sobre cada matéria contestada.

O Metrópoles rebateu, defendendo suas apurações como investigações jornalísticas legítimas. Com ambos os lados mantendo suas posições, o conflito permanece aberto e coloca em evidência questões fundamentais sobre direito de resposta, transparência corporativa e os limites da cobertura jornalística de grandes instituições.

Na quarta-feira, 1º de julho, o Itaú Unibanco anunciou o lançamento do Factópoles, um site criado especificamente para responder a uma série de reportagens publicadas pelo Metrópoles nos últimos meses. O banco argumenta que, em um período de dez semanas, o portal de notícias — controlado pelo empresário e ex-senador Luiz Estevão — publicou 42 matérias e cerca de 50 posts em redes sociais contendo o que o Itaú chama de "informações deturpadas" sobre suas operações, sem oferecer espaço adequado para a resposta da instituição financeira.

O conflito entre o banco e o veículo de mídia tem raízes em reportagens sobre supostos descontos indevidos em contas correntes e cartões de crédito, fechamento de agências, litígios judiciais e, particularmente, cobranças de seguros não solicitados. Uma das principais discordâncias envolve um acordo firmado em dezembro entre o Itaú, o Ministério Público de Minas Gerais e o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor. O Metrópoles publicou que o ressarcimento previsto no Termo de Ajustamento de Conduta poderia chegar entre R$ 16 bilhões e R$ 33 bilhões. O Itaú nega categoricamente esses números, afirmando que a quantia destinada para essa finalidade é de R$ 11 milhões, com prazo para solicitações até 23 de fevereiro de 2028.

Segundo o banco, o acordo trata de "situações pontuais e já identificadas" envolvendo um grupo específico de clientes que contrataram seguro sem comprovação de consentimento e enfrentaram dificuldades para cancelá-lo. O Itaú ressalta que muitos desses casos envolveram contratações realizadas fora de suas agências, por meio de correspondentes bancários, ou eram heranças de instituições que o banco adquiriu no passado. A instituição também enfatiza que o Judiciário não atribuiu ao Itaú práticas intencionais de cobranças irregulares.

Além do site, o Itaú enviou uma notificação extrajudicial ao Metrópoles solicitando a correção do que considera "informações falsas ou inexatas". O banco afirma que manteve um relacionamento colaborativo com o veículo até meados de abril de 2026, quando essa dinâmica mudou. "Essa cobertura insistente distorce dados e nega o contraditório nos mesmos canais em que as acusações são veiculadas, desinformando o mercado, clientes e investidores", diz o Itaú no Factópoles, justificando a criação da plataforma como exercício de um "direito legítimo e constitucional".

O Itaú deixa claro que o Factópoles não é um site para identificar notícias falsas — função que o banco já desempenha através de sua plataforma ÉFake. O novo site tem como objetivo único expor os posicionamentos da instituição sobre as matérias publicadas, incluindo detalhes sobre o relacionamento entre o banco e os jornalistas do Metrópoles, datas de publicação e informações sobre se o banco foi procurado para apresentar sua versão dos fatos.

O Metrópoles rebateu os questionamentos do Itaú, afirmando que suas reportagens fazem parte de investigações jornalísticas legítimas conduzidas pelo veículo. O conflito levanta questões fundamentais sobre direito de resposta, responsabilidade jornalística e a forma como grandes corporações e veículos de mídia lidam com discordâncias sobre cobertura editorial. A tensão entre a instituição financeira e o portal de notícias permanece em aberto, com ambos os lados mantendo suas posições sobre a precisão e a adequação da cobertura.

Essa cobertura insistente distorce dados e nega o contraditório nos mesmos canais em que as acusações são veiculadas, desinformando o mercado, clientes e investidores
— Itaú Unibanco, no Factópoles
O acordo trata de situações pontuais e já identificadas envolvendo um grupo específico de clientes que, no passado, contrataram seguro sem evidência de anuência
— Itaú Unibanco, em nota sobre o TAC
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que o Itaú decidiu criar um site inteiro em vez de simplesmente responder às reportagens nos mesmos canais?

Model

O banco argumenta que o Metrópoles não oferecia espaço adequado para resposta nos mesmos canais onde as acusações eram veiculadas. Criando o Factópoles, o Itaú tenta garantir que sua versão chegue aos mesmos públicos — mercado, clientes, investidores — que recebem as reportagens originais.

Inventor

A discordância sobre os números do acordo parece ser o cerne da disputa. Como números tão diferentes podem estar em jogo?

Model

O Metrópoles citou uma faixa de R$ 16 bilhões a R$ 33 bilhões, enquanto o Itaú diz que são R$ 11 milhões. A diferença pode estar em como cada lado interpreta o escopo do acordo — se inclui apenas ressarcimentos diretos ou se incorpora estimativas de danos potenciais.

Inventor

O Itaú diz que o relacionamento era colaborativo até abril de 2026. O que mudou naquele momento?

Model

O banco não especifica o que desencadeou a mudança, mas é nesse período que a frequência de reportagens parece ter aumentado significativamente. Pode ter havido uma reportagem específica que o Itaú considerou uma ruptura, ou uma mudança editorial no Metrópoles.

Inventor

Qual é a diferença entre o Factópoles e o ÉFake, que o Itaú já mantém?

Model

O ÉFake é uma plataforma de fact-checking geral do banco. O Factópoles é específico: documenta o relacionamento entre o Itaú e o Metrópoles, mostra quando o banco foi procurado para responder e quando não foi, criando um registro público dessa dinâmica.

Inventor

O Metrópoles rebateu dizendo que suas reportagens são investigações legítimas. Como se resolve uma disputa quando ambos os lados têm versões tão diferentes?

Model

Essa é a questão central. Sem arbitragem externa — como investigações regulatórias ou decisões judiciais — cada lado continua apresentando sua narrativa. O Factópoles é uma tentativa do Itaú de ganhar essa batalha de narrativas através da transparência seletiva.

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