Outubro registra 1.380 focos de incêndio no Amazonas, quase 4 vezes mais que o mesmo período de 2025, com 122.794 hectares queimados em 9 dias. Duas aeronaves KC-390 da FAB pousaram em Manaus para lançar 12 mil litros de água por decolagem, enquanto há divergências entre autoridades estaduais e federais sobre resposta.
FAB intensifica combate a incêndios no Amazonas com 36 cidades em emergência
Inúmeros focos no meio da floresta preservada
Por que o ministro disse que a situação era mais grave do que imaginava? Ele não tinha dados antes do sobrevoo?
Tinha dados, sim, mas dados de satélite e relatórios. Ver com os próprios olhos é diferente. Ele viu focos de incêndio no meio da floresta preservada, não apenas fogo que começava em pastagens. Isso muda a compreensão do problema.
Mas espera — ele sobrevoa uma vez e muda a avaliação? Quantas áreas ele realmente viu? A fumaça estava tão densa que atrasou a decolagem. Como ele pode ter certeza do que viu?
E essa briga entre o governo estadual e o federal — quem está certo?
Ambos têm razão em partes diferentes. O Ministério diz que ofereceu brigadistas e o estado rejeitou. O comandante dos bombeiros diz que pedidos de ajuda foram negados. Pode ser que haja confusão sobre jurisdição, sobre quem pede o quê, para onde.
Exatamente. A gente não sabe se houve rejeição real ou se é uma questão de comunicação ruim. O que sabemos é que há 290 brigadistas federais em campo e 11 aeronaves. Isso é fato. O resto é acusação de um lado contra o outro.
Os números de incêndios — 1.380 focos em dez dias — isso é realmente quatro vezes mais que o ano passado?
Segundo o Painel do Fogo, sim. E 122.794 hectares queimados em nove dias já é 97,3% acima da média histórica para o mês inteiro. São números que falam por si.
Falam, mas precisamos saber: essa comparação é com 2025 ou com anos anteriores? O El Niño é novo este ano? Porque se o padrão de seca já era esperado, talvez o aumento não seja tão anômalo quanto parece.
O que é esse MAFFS que a FAB está usando?
É um sistema que projeta água pela porta traseira do avião. Pode descarregar três mil galões por passagem. A FAB diz que é mais preciso e mais eficaz.
Mais eficaz do que o quê? Que comparação existe? E se é tão bom, por que não estava sendo usado antes? Essas aeronaves KC-390 chegaram agora — por que demoraram?
A fumaça em Manaus — as pessoas estão realmente sofrendo?
Sim. Relatos falam de pessoas sendo "defumadas vivas". A Defesa Civil emitiu alertas. A fumaça é tão densa que atrasou voos. Não é apenas incômodo — afeta a respiração, a visibilidade, a vida cotidiana.
Mas quanto tempo vai durar? Quando a fumaça vai dissipar? Porque se as ondas de calor continuam, como a gente resolve isso? Combater o incêndio é importante, mas se o clima está seco e quente, o fogo vai voltar.
Der Puls
- 1.380 focos de incêndio em dez dias de outubro — quase 4 vezes mais que 2025
- 122.794 hectares queimados em 9 dias — 97,3% acima da média histórica mensal
- 36 municípios em situação de emergência decretada pelo governador
- Duas aeronaves KC-390 da FAB com capacidade de 12 mil litros de água por decolagem
- 290 brigadistas federais em campo com frota de 11 aeronaves
Outubro registra 1.380 focos de incêndio no Amazonas, quase 4 vezes mais que o mesmo período de 2025, com 122.794 hectares queimados em 9 dias. Duas aeronaves KC-390 da FAB pousaram em Manaus para lançar 12 mil litros de água por decolagem, enquanto há divergências entre autoridades estaduais e federais sobre resposta.
A FAB intensifica combate a incêndios no Amazonas com aeronaves KC-390 enquanto 36 municípios decretam emergência. Ministro relata cenário 'mais grave' que previsto, com focos em floresta preservada.
Duas aeronaves KC-390 Millennium da Força Aérea Brasileira tocaram o solo da Base Aérea de Manaus no domingo à noite, trazendo consigo a esperança de frear uma crise que cresceu muito além do que os planejadores imaginavam. Os aviões chegaram para reforçar o combate aos incêndios que varrem o Amazonas, com o Comando de Operações Aeroespaciais já organizando três decolagens para segunda-feira, cada uma durando cerca de duas horas, cada uma despejando aproximadamente 12 mil litros de água sobre as chamas.
O quadro que se revelou era mais sombrio do que o previsto. Nos primeiros dez dias de outubro, o estado registrou 1.380 focos de incêndio — quase quatro vezes o número do mesmo período em 2025. Em apenas nove dias do mês, 122.794 hectares já haviam sido consumidos pelas chamas, um número que já superava em 97,3% a média histórica para o mês inteiro. O governador Roberto Cidade decretou situação de emergência em 36 municípios, espalhados do entorno de Manaus até o sul do estado. As chamas já haviam alcançado cidades como Itacoatiara, Parintins, Coari e Tefé.
Após sobrevoar as áreas atingidas no domingo, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, descreveu o cenário como "mais grave do que o previsto", citando "inúmeros focos" de incêndio espalhados pela floresta preservada. A densa camada de fumaça que cobria Manaus foi tão densa que chegou a atrasar a decolagem da comitiva ministerial, comprometendo a visibilidade e o teto operacional. O ministro destacou que não se tratava apenas de fogo que começava em pastagens e avançava para a floresta — havia focos surgindo no meio da mata intocada, um padrão que sugeriu uma situação mais complexa e dispersa do que inicialmente compreendido.
A resposta federal, porém, ocorria em meio a tensões entre autoridades estaduais e federais sobre quem estava fazendo o quê. O Ministério do Meio Ambiente afirmou que o governo do Amazonas havia rejeitado uma equipe de brigadistas federais antes que ela se deslocasse para o estado. O coronel Orleilso Muniz, comandante do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, havia dito que pedidos de ajuda foram negados, inclusive em áreas sob responsabilidade federal. O ministério rebateu, afirmando que o governo federal já estava atuando com uma frota de 11 aeronaves — aviões Air Tractor lançando água e os cargueiros KC-390 da FAB — além de 290 brigadistas federais em campo.
As duas aeronaves que chegaram a Manaus tinham funções distintas. Uma transportava materiais e equipamentos de apoio. A outra foi equipada com o Sistema Modular Aerotransportado de Combate a Incêndios (MAFFS), um sistema que projeta água pela porta traseira esquerda do avião, capaz de descarregar até três mil galões de água em cada passagem, com ou sem retardante de fogo, dependendo das condições do terreno. A FAB afirmou que o sistema oferecia maior precisão e aumentava "significativamente" a eficácia das operações, apesar dos desafios — os voos precisavam ser realizados em baixa altitude, baixa velocidade e em temperaturas elevadas, mantendo a aeronave pressurizada para não comprometer a performance.
Os incêndios vinham crescendo em intensidade desde setembro, e especialistas já apontavam a influência do El Niño na região, fenômeno climático que causa secas no Norte do Brasil. Segundo a prefeitura de Manaus, o fogo tinha origem na Região Metropolitana e em cidades do interior. As ondas de calor dificultavam a dissipação da fumaça que cobria a capital. Ane Alencar, diretora de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, apontou que os incêndios se concentravam na margem sul do Rio Amazonas, em frente a Manaus, principalmente nos municípios de Careiro da Várzea, Careiro e Autazes.
Os moradores de Manaus enfrentavam uma realidade imediata e visceral: uma densa camada de fumaça que tornava difícil respirar, que comprometia a visibilidade nas ruas e que se recusava a dissipar. Relatos descreviam pessoas sendo "defumadas vivas", uma expressão que capturava tanto a persistência do problema quanto o desespero de quem o vivia. A Defesa Civil havia emitido alertas sobre a qualidade do ar. O que estava acontecendo no meio da floresta — os focos espalhados, o avanço das chamas — tinha um rosto humano nas ruas da capital, onde a fumaça tornava cada respiração uma negociação com o ar que se respirava.
Bemerkenswerte Zitate
Mais grave do que eu imaginava depois de fazer o sobrevoo, porque nós identificamos muitos focos de incêndio no meio da floresta preservada— João Paulo Capobianco, ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima