Há um tipo de coragem que se confunde com prudência: decidir mudar de vida numa segunda-feira e atacar o treino com força total. Em julho de 2025, a colunista Paola Machado, no InfoMoney, lembrou que o corpo que passou anos em repouso não negocia pressa, e que o esforço sem preparo pode se transformar em porta de entrada para uma tragédia silenciosa. Num país em que as doenças do coração já levam mais vidas do que todas as outras causas juntas, o alerta pede que a disposição de se mexer venha acompanhada de cuidado e de olhar médico.
Exercício sem preparo pode ser perigoso para o coração: 7 sinais de alerta que não devem ser ignorados
Treinar sem planejamento pode ser tão perigoso quanto o sedentarismo
Se exercício faz bem, por que a coluna fala em risco?
Porque o risco está na largada sem preparo. A maioria das mortes súbitas ligadas ao exercício, no estudo francês citado, ocorreu em pessoas inativas que começaram treinos intensos.
E os sinais não são só dor no peito?
Não. A coluna insiste que muitos infartos começam de forma atípica: falta de ar, suor frio, náusea, tontura, fadiga incomum.
Vale separar as coisas. É um texto de opinião, e os percentuais vêm de estudos citados de passagem, sem detalhes de amostra. A faixa de 20% a 60% de infartos atípicos é bem larga.
Então não dá para confiar nos números?
Dá para tratá-los como indicação de ordem de grandeza, não como medida precisa. Os 30% com sintomas prévios, por exemplo, são apresentados sem dizer em qual estudo.
Ainda assim, a orientação prática é simples: parar diante do sintoma e procurar avaliação médica.
E a prevenção?
Eletrocardiograma, ecocardiograma, ergoespirometria, histórico familiar e supervisão profissional nas primeiras semanas.
Um ponto que o texto não responde: quanto desse risco exames prévios realmente eliminam. Ele recomenda, mas não quantifica o benefício.
Il Polso
- Quem começa a treinar intensamente sem preparo pode estar caminhando, sem perceber, para um infarto ou uma parada cardíaca durante o próprio esforço.
- Sinais que costumam ser ignorados, como falta de ar fora do padrão, tontura, suor frio e cansaço incomum, aparecem como avisos que o corpo envia antes da crise.
- Em mulheres e diabéticos, os sintomas costumam chegar disfarçados, o que faz com que o perigo passe despercebido por quem o vive.
- A recomendação é clara: antes do primeiro treino pesado, exames como eletrocardiograma, ecocardiograma e ergoespirometria, além de acompanhamento profissional nas primeiras semanas.
- A mensagem que se consolida é que o risco não está em se exercitar, mas em fazê-lo às cegas, e que a avaliação prévia pode transformar um impulso perigoso em rotina segura.
Há um tipo de coragem que se confunde com prudência: decidir mudar de vida numa segunda-feira e atacar o treino com força total. Em julho de 2025, a colunista Paola Machado, no InfoMoney, lembrou que o corpo que passou anos em repouso não negocia pressa, e que o esforço sem preparo pode se transformar em porta de entrada para uma tragédia silenciosa. Num país em que as doenças do coração já levam mais vidas do que todas as outras causas juntas, o alerta pede que a disposição de se mexer venha acompanhada de cuidado e de olhar médico.
Quem decide largar o sedentarismo e já na primeira semana treina pesado costuma achar que está sendo disciplinado. A coluna publicada no InfoMoney em julho de 2025, assinada por Paola Machado, sustenta que essa pressa pode ser perigosa. O texto é de opinião e não reflete necessariamente a posição do veículo, mas os dados que a sustentam são duros.
Segundo a OMS, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo. No Brasil, mais de 383 mil pessoas morreram por doenças cardíacas em 2022, número superior ao de todas as outras causas somadas. Um estudo francês citado pela autora analisou 820 mortes súbitas ligadas ao exercício e mostrou que a maioria ocorreu em adultos de meia-idade sedentários, durante esportes recreativos como futebol e corrida.
A coluna lista sete sinais de alerta: dor ou peso no peito, falta de ar fora do padrão, tontura, palpitações irregulares, dor irradiada para mandíbula ou braço, suor frio com náusea e cansaço desproporcional. Muitos desses sintomas são atípicos, sobretudo em mulheres, idosos e diabéticos, e podem surgir semanas antes de um infarto. Quando aparecem, o treino deve parar e a pessoa deve buscar avaliação.
Como caminho, o texto recomenda exames prévios, como eletrocardiograma, ecocardiograma e ergoespirometria, e supervisão profissional nas primeiras semanas, quando a maior parte dos eventos acontece. A conclusão é que treinar sem planejamento pode ser tão arriscado quanto ficar parado.
Quem decide largar o sedentarismo numa segunda-feira e treinar pesado já na primeira semana tende a se achar prudente. Uma coluna publicada no InfoMoney em julho de 2025 sustenta o contrário: sem preparo, o exercício pode virar o gatilho de um evento cardíaco grave. O texto é de opinião, assinado pela colunista Paola Machado, e não reflete necessariamente a posição do veículo.
O pano de fundo são números pesados. Segundo a Organização Mundial da Saúde, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo, com mais de 17,9 milhões de óbitos por ano. No Brasil, dados do Ministério da Saúde indicam que mais de 383 mil pessoas morreram por doenças cardíacas em 2022, mais do que por todas as outras causas somadas, incluindo cânceres e causas externas.
A coluna cita um estudo francês publicado na revista Circulation. A pesquisa, conduzida entre 2005 e 2010, analisou 820 casos de morte súbita relacionados ao exercício. Mais de 90% dos eventos ocorreram em esportes recreativos, como futebol e corrida, praticados por adultos de meia-idade sedentários ou com pouca atividade no histórico. O problema se agrava pela evasão: segundo o relatório global da OMS de 2022, 27% dos adultos no mundo não alcançam o mínimo recomendado de atividade física. No Brasil, o Vigitel de 2023 apontou cerca de 12,1% de adultos fisicamente inativos.
A autora lista sete sinais de alerta. O primeiro é o desconforto no peito, que pode ser peso, pressão ou incômodo leve, e exige interromper o treino e buscar avaliação. Estudos citados indicam que entre 20% e 60% dos infartos têm sintomas atípicos. O segundo é a falta de ar fora do padrão: súbita, precoce no treino ou associada a dor torácica, sobretudo após os 40 anos. Idosos e diabéticos, segundo estudo dos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, costumam ter dispneia, suor ou náusea como manifestação inicial.
O terceiro sinal é tontura ou sensação de desmaio, que pode vir de desidratação ou hipoglicemia, mas também de queda de pressão ou arritmia. A coluna aponta como erro comum de iniciantes prender a respiração durante o esforço, a manobra de Valsalva. Cerca de 30% de quem sofre morte súbita no exercício relatou sintomas prévios. O quarto são as palpitações irregulares ou persistentes após o treino. A fibrilação atrial é a arritmia sustentada mais comum no Brasil e frequentemente subdiagnosticada; num estudo comunitário brasileiro, só 7,25% dos pacientes com a condição recebiam anticoagulante.
Os três últimos: dor irradiada para mandíbula, braço esquerdo, pescoço, costas ou estômago, presente em 26% a 34% dos infartos e mais comum em mulheres; suor frio com náusea e palidez, observado em cerca de 50% a 60% dos infartos com supradesnivelamento do segmento ST; e fadiga desproporcional, relatada em cerca de 70% dos casos de infarto em mulheres, às vezes semanas antes do evento.
Sobre as modalidades, a coluna recorre às Lausanne Recommendations: 1.101 casos de morte súbita esportiva em atletas com menos de 35 anos, entre 1966 e 2004, concentraram-se em futebol (30%), basquete (25%) e corrida (15%). A causa foi quase sempre cardiológica, sobretudo cardiomiopatias e anomalias coronarianas.
Como prevenção, o texto recomenda eletrocardiograma de repouso e de esforço, ecocardiograma, ergoespirometria e avaliação clínica com histórico familiar, além de supervisão de um profissional de educação física nas primeiras semanas, quando ocorre a maior parte dos eventos. Mesmo quem tem doença cardíaca pode se exercitar, com acompanhamento médico regular. Com mais de 60% dos adultos brasileiros acima do peso e 26,8% obesos, segundo a PNS 2019 do IBGE, a conclusão é que treinar sem planejamento pode ser tão perigoso quanto o sedentarismo.
Citazioni salienti
Diante de desconforto no peito durante o exercício, interrompa imediatamente e busque avaliação médica.— Paola Machado, colunista do InfoMoney