Em Lisboa, o governo português escolheu a MD Capital — fundada por dois veteranos octogenários do Bradesco — para assumir o controle da subsidiária brasileira da Caixa Geral de Depósitos, encerrando um processo competitivo que atraiu até o Nubank antes de ele se retirar. A transação, avaliada acima de R$ 250 milhões, reflete o movimento mais amplo de Portugal de reconcentrar sua maior instituição financeira pública no mercado doméstico. O desfecho, porém, ainda aguarda a bênção do Banco Central do Brasil, lembrando que entre a escolha e a posse existe sempre o longo corredor da burocracia.
Ex-veteranos do Bradesco vencem leilão pela filial brasileira da CGD
Herdam operações complexas e problemáticas, inclusive uma fiança de dezenas de milhões
Por que o governo português está vendendo um banco que opera no Brasil?
A CGD está em processo de reestruturação. Vender a filial brasileira permite que o banco concentre recursos e atenção no mercado nacional português, onde é mais forte e tem maior relevância estratégica.
E por que esses dois ex-funcionários do Bradesco conseguiram ganhar?
Eles conhecem o mercado bancário brasileiro profundamente. Teixeira Junior e Bianchi passaram carreiras inteiras no Bradesco, então entendem operações, riscos, relacionamento com reguladores. Isso provavelmente pesou na avaliação.
O portfólio do banco parece complicado — essa fiança para a Oi é um problema?
É um sinal de que não é uma compra simples. Eles herdam operações problemáticas, não apenas um banco limpo. Mas talvez vejam oportunidade em reestruturar esses ativos ou em sua experiência lidar com situações difíceis.
Quanto tempo até isso ficar pronto?
Vários meses, no mínimo. Primeiro o governo português conclui seus trâmites, depois o Banco Central do Brasil precisa aprovar. Não é rápido.
E se o Banco Central disser não?
Seria raro, mas possível. O regulador brasileiro tem poder de veto sobre mudanças de controle em instituições financeiras. Teria que haver algo muito grave para isso acontecer.
The Pulse
- O governo português formalizou a venda da filial brasileira da CGD após reunião do conselho de ministros em Lisboa, encerrando um processo que se arrastava como parte da reestruturação do banco estatal.
- O Nubank chegou a disputar o ativo, mas se retirou na semana anterior ao anúncio ao adquirir o Porto Real — instituição que já lhe fornecia a licença bancária desejada, tornando a filial da CGD dispensável.
- A oferta vencedora superou o piso de R$ 250 milhões, mas grande parte do valor corresponde à assunção de dívidas, incluindo uma fiança de dezenas de milhões de reais ligada à operadora Oi — um passivo de peso no portfólio.
- Os compradores, Mario Teixeira Junior e Dorival Bianchi, ambos com mais de 80 anos e trajetória no Bradesco, planejam dividir o negócio com um empresário do setor agropecuário ainda não identificado publicamente.
- A MD Capital permanece como vencedora declarada, mas sem controle efetivo: meses de trâmites com Portugal e a aprovação do Banco Central do Brasil ainda separam a empresa da posse real do banco.
Em Lisboa, o governo português escolheu a MD Capital — fundada por dois veteranos octogenários do Bradesco — para assumir o controle da subsidiária brasileira da Caixa Geral de Depósitos, encerrando um processo competitivo que atraiu até o Nubank antes de ele se retirar. A transação, avaliada acima de R$ 250 milhões, reflete o movimento mais amplo de Portugal de reconcentrar sua maior instituição financeira pública no mercado doméstico. O desfecho, porém, ainda aguarda a bênção do Banco Central do Brasil, lembrando que entre a escolha e a posse existe sempre o longo corredor da burocracia.
Mario da Silveira Teixeira Junior e Dorival Antonio Bianchi, ex-executivos do Bradesco hoje com 80 e 85 anos respectivamente, venceram o leilão promovido pelo governo português para vender a subsidiária brasileira da Caixa Geral de Depósitos. A decisão foi anunciada na quinta-feira, 30 de julho, após reunião do conselho de ministros em Lisboa, que escolheu a MD Capital — empresa dos dois sócios — como proponente vencedora para adquirir a totalidade do capital social do banco.
O processo atraiu três candidatos: além da MD Capital, o Nubank e a Garantia Capital apresentaram propostas. O Nubank, porém, abandonou a disputa na semana anterior ao anúncio, após fechar a compra do Porto Real, instituição que já lhe fornecia a licença bancária necessária. Com a saída do banco digital, o caminho ficou aberto para a dupla de veteranos.
O valor exato da oferta não foi revelado, mas superou o piso de R$ 250 milhões fixado por Portugal — sendo que parcela significativa corresponde à assunção de dívidas. O banco possui R$ 1,9 bilhão em ativos, com R$ 860,6 milhões em operações de crédito, e carrega passivos complexos, como uma fiança de dezenas de milhões de reais vinculada à operadora Oi. Teixeira Junior e Bianchi não entrarão sozinhos: trarão um empresário ligado ao setor agropecuário, cujos detalhes ainda não foram divulgados.
Para Portugal, a transação integra o esforço mais amplo de reestruturação da CGD, permitindo que o banco estatal reforce seu foco no mercado doméstico. Para a MD Capital, no entanto, a vitória no leilão é apenas o primeiro passo: os trâmites com o governo português devem durar meses, e a mudança de controle ainda precisará ser aprovada pelo Banco Central do Brasil antes que os novos donos assumam de fato o comando da instituição.
Dois ex-executivos do Bradesco conquistaram o direito de comprar a filial brasileira da Caixa Geral de Depósitos. Mario da Silveira Teixeira Junior e Dorival Antonio Bianchi, através de sua empresa MD Capital, venceram o leilão promovido pelo governo português para desfazer-se da subsidiária. O anúncio saiu na quinta-feira, 30 de julho, após reunião do conselho de ministros em Lisboa, que formalizou a escolha da dupla como proponente vencedora para adquirir a totalidade do capital social do banco.
O processo competitivo atraiu três candidatos. Além da MD Capital, o Nubank e a Garantia Capital apresentaram propostas. O Nubank, porém, recuou na semana anterior ao anúncio, após anunciar a compra do Porto Real — uma instituição que lhe fornecia a licença bancária que precisava. Sem necessidade de continuar na disputa, o banco de tecnologia financeira deixou o caminho aberto para a MD Capital.
O valor exato da oferta vencedora não foi divulgado, mas ultrapassou o piso de R$ 250 milhões estabelecido pelo governo português. Grande parte dessa cifra, contudo, refere-se à assunção de dívidas do banco. A subsidiária brasileira da CGD possui R$ 1,9 bilhão em ativos, dos quais R$ 860,6 milhões estão alocados em operações com características de concessão de crédito. O portfólio inclui negócios complexos e problemáticos — entre eles uma fiança de dezenas de milhões de reais para a operadora de telefonia Oi.
Teixeira Junior, aos 80 anos, é proprietário do time de futebol Audax Osasco. Bianchi tem 85 anos. Ambos não entrarão sozinhos no negócio. Conforme apurado, trarão consigo um empresário ligado a um grupo agropecuário, embora os detalhes dessa participação não tenham sido revelados. O governo português vê a transação como parte de seu processo mais amplo de reestruturação e capitalização da Caixa Geral de Depósitos, permitindo que a instituição reforce seu foco no mercado nacional português.
A operação ainda enfrenta obstáculos burocráticos. Os trâmites com o governo português devem estender-se por vários meses. Depois disso, a mudança de controle da subsidiária brasileira precisará passar pela aprovação do Banco Central do Brasil, o que pode adicionar mais tempo ao processo. Até que essas etapas sejam concluídas, a MD Capital permanecerá como proponente vencedora, mas sem controle efetivo sobre a instituição.
Notable Quotes
Esta decisão permite dar continuidade ao processo de reestruturação e capitalização da CGD, reforçando o foco estratégico da instituição no mercado nacional— Governo de Portugal