Ex-presidente do BRB prometeu a Vorcaro que Master 'nunca deixaria de ser seu'

O banco NUNCA deixará de ser o SEU banco
Promessa de Paulo Henrique Costa a Daniel Vorcaro em mensagem de abril de 2025, interpretada pela PF como garantia de controle contínuo.
Mark

Por que essas mensagens importam tanto? São apenas conversas privadas entre dois homens.

Mimi

Porque elas mostram a intenção. A PF argumenta que Costa não estava negociando uma compra de banco normal — estava garantindo a Vorcaro que ele continuaria controlando o Master mesmo depois de vendê-lo. Isso muda tudo.

Luke

Mas a PF está interpretando. "NUNCA deixará de ser o SEU banco" — isso pode significar muitas coisas. Pode ser uma garantia de que Vorcaro teria influência, ou pode ser apenas uma frase de conforto. A acareação mostrou contradições, mas não prova o que cada um realmente prometeu.

Mark

E quanto aos apartamentos? R$ 146 milhões é uma quantia enorme.

Mimi

Exatamente. Seis imóveis avaliados nesse valor. A investigação vê isso como propina — o pagamento por Costa fazer o trabalho de concretizar a fusão mantendo Vorcaro no controle.

Luke

Mas aqui está o problema: ninguém foi acusado formalmente de receber propina. Costa está preso preventivamente, mas a acusação formal ainda não saiu. Os apartamentos foram "avaliados" pela polícia, mas não sabemos se foram realmente transferidos, em que condições, ou se havia documentação legítima para isso.

Mark

O governador Ibaneis sabia disso tudo?

Mimi

A mensagem de Costa menciona que Ibaneis pediu material para argumentação porque "vamos receber críticas". Isso sugere que o governador estava envolvido na decisão de prosseguir com a operação.

Luke

Sugere, mas não prova. Ibaneis disse que confiava em Costa. Pode ser verdade. Pode ser que Costa agisse por conta própria. O relatório não traz evidência direta de que Ibaneis sabia dos apartamentos ou da propina alegada.

  • Mensagens de WhatsApp revelam que Paulo Henrique Costa prometeu a Daniel Vorcaro que o Banco Master permaneceria sob seu controle mesmo após a venda formal ao BRB — uma garantia que contradiz a narrativa oficial da operação.
  • A PF aponta que Costa não agia como gestor público, mas como intermediário a serviço de Vorcaro, com compensação estimada em R$ 146 milhões em imóveis de luxo.
  • O BRB adquiriu carteiras de crédito fraudulentas que causaram prejuízo de R$ 12 bilhões, e documentos internos indicam que o banco tinha ciência da origem duvidosa dos ativos.
  • Uma mensagem de outubro de 2024 cita o governador Ibaneis Rocha como ciente da operação e pedindo material para 'argumentação' diante de críticas esperadas, sugerindo respaldo político de alto nível.
  • Costa permanece preso preventivamente após tentativa frustrada de delação premiada, enquanto o caso avança no STF sob relatoria do ministro André Mendonça.

No coração de Brasília, uma fusão bancária que nunca se consumou deixou rastros de promessas feitas em silêncio: o então presidente do BRB assegurou ao dono do Banco Master que o banco 'NUNCA deixará de ser o SEU banco', palavras que a Polícia Federal agora lê como a arquitetura de um acordo paralelo. A investigação sugere que por trás da linguagem corporativa havia uma negociação de outra natureza — seis apartamentos avaliados em R$ 146 milhões como contrapartida por manter o controle real nas mãos de quem o vendia. É o momento em que o público e o privado se confundem, e o Estado se torna instrumento de interesses particulares.

Em abril de 2025, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, enviou uma mensagem a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, com uma promessa reveladora: o banco 'NUNCA deixará de ser o SEU banco'. A troca, feita pelo WhatsApp e agora analisada pela Polícia Federal, expõe a natureza real de uma negociação que, publicamente, era apresentada como uma fusão bancária de interesse institucional.

O Banco Central chegou a barrar a operação, mas os rastros permaneceram. A investigação, conduzida no âmbito do inquérito principal do caso Master no STF, examina se Costa recebeu propina de Vorcaro na forma de seis apartamentos avaliados em cerca de R$ 146 milhões — compensação por atuar como intermediário para viabilizar a compra do Master pelo BRB.

As mensagens revelam uma cumplicidade construída em detalhes. Em janeiro de 2025, Costa propõe batizar o projeto interno de 'Vértice' — 'o ponto de encontro de forças para algo novo, relevante, transformador'. Vorcaro o chama de 'capitão'. A PF interpreta essa dinâmica como evidência de que Costa trabalhava para os interesses do dono do Master, não para os do banco público que presidia.

Uma acareação entre os dois homens expôs contradições: Costa afirmou que Vorcaro prometera vender carteiras do próprio Master; Vorcaro disse que sempre deixou claro que eram de terceiros. Ainda assim, documentos internos do BRB mostram que o banco sabia da origem duvidosa dos ativos e prosseguiu com a operação.

Outra mensagem, de outubro de 2024, mostra Costa mencionando o governador Ibaneis Rocha como parte do processo — pedindo material para 'argumentação' diante das críticas que viriam. Ibaneis afirmou posteriormente ter confiado plenamente no trabalho de Costa. O ex-presidente do BRB permanece preso preventivamente na Operação Compliance Zero, após tentativa frustrada de firmar acordo de delação com a PGR.

Em abril de 2025, enquanto o Banco Regional de Brasília tentava adquirir o Banco Master, seu então presidente Paulo Henrique Costa enviou uma mensagem a Daniel Vorcaro, dono do Master, com uma promessa que a Polícia Federal agora vê como central ao caso: o banco "NUNCA deixará de ser o SEU banco". A troca de mensagens pelo WhatsApp, divulgada em relatório da PF na noite de quinta-feira, revela o tom e a natureza de um acordo que nunca chegou a se concretizar — o Banco Central barrou a operação no ano anterior — mas que deixou rastros de uma negociação muito diferente daquela apresentada publicamente.

O contexto é grave. O BRB havia adquirido carteiras de crédito fraudulentas que causaram prejuízo estimado em R$ 12 bilhões. A investigação, que integra o inquérito principal do caso Master sob relatoria do ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal, examina se houve propina envolvida nessa operação. Segundo a análise da PF, os seis apartamentos que Costa supostamente receberia de Vorcaro foram avaliados em cerca de R$ 146 milhões — uma compensação substancial por um trabalho específico.

As mensagens revelam a dinâmica entre os dois homens. Em janeiro de 2025, Costa pergunta a Vorcaro se ele quer "batizar o projeto" de compra do Master. Vorcaro responde que Costa é o "capitão". Costa então propõe o nome "Vértice, como o ponto de encontro de forças para algo novo, relevante, transformador". Dentro do BRB, o projeto foi de fato batizado assim. A PF interpretou essa sequência como evidência de que Costa não era um simples executor de política bancária, mas um agente trabalhando especificamente para promover os interesses de Vorcaro — e recebendo compensação por isso.

O relatório detalha também as contradições que emergiram quando a PF realizou uma acareação entre Vorcaro e Costa em janeiro deste ano. Costa alegou que Vorcaro havia prometido vender carteiras do próprio Master. Vorcaro disse que sempre deixou claro que as carteiras eram de terceiros. Apesar dessa contradição, documentos internos do próprio BRB comprovaram que o banco sabia da origem duvidosa dos ativos e prosseguiu mesmo assim.

Outra mensagem, de outubro de 2024, mostra Costa dizendo a Vorcaro: "Estou trabalhando para lançar a operação amanhã ou, no mais tardar, na segunda-feira. O Governador me pediu que preparasse um material para a argumentação dele, porque vamos receber críticas". A menção ao governador — Ibaneis Rocha, então no comando do Distrito Federal — sugere que a operação tinha respaldo político de alto nível. Ibaneis afirmou posteriormente que confiava no trabalho de Costa à frente do BRB.

Costa permanece preso preventivamente no âmbito da Operação Compliance Zero. Ele tentou assinar um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República, mas não obteve sucesso. O caso continua sob investigação, com as mensagens agora servindo como evidência de um arranjo que, segundo a PF, foi estruturado para manter Vorcaro no controle efetivo do Master mesmo após sua venda formal ao banco estatal.

Tal afirmação, com ênfase em 'NUNCA' e 'SEU', não deixa dúvidas sobre o compromisso de Paulo Henrique em servir aos interesses de Vorcaro
— Análise da Polícia Federal sobre as mensagens de WhatsApp
Estou trabalhando para lançar a operação amanhã ou, no mais tardar, na segunda-feira. O Governador me pediu que preparasse um material para a argumentação dele, porque vamos receber críticas
— Paulo Henrique Costa a Daniel Vorcaro, outubro de 2024
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