No cruzamento entre poder público e sistema financeiro, o governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha posiciona-se à margem de uma operação que pode ter custado ao Banco de Brasília até R$ 12 bilhões em fraudes. A tentativa frustrada de aquisição do Banco Master — rejeitada pelo Banco Central e seguida pela liquidação da instituição — revela como decisões tomadas nos bastidores de grandes instituições podem reverberar sobre o patrimônio público e a confiança dos mercados. O caso lembra que, nas estruturas onde o Estado e o capital se entrelaçam, a responsabilidade raramente encontra um único
Ex-presidente do BRB conduziu compra do Master, afirma Ibaneis à CNN
Toda operação de compra foi tratada diretamente com o Paulo Henrique
Por que o governador sentiu necessidade de se afastar publicamente dessa operação?
Porque quando uma transação de R$ 12 bilhões em fraude vem à tona, todos os envolvidos buscam clareza sobre seu papel. Ibaneis estava sinalizando que não participou das decisões operacionais.
Mas ele é o controlador do banco. Como alguém que controla uma instituição não sabe o que o presidente dela está fazendo?
Essa é a questão que fica no ar. Ele diz que Paulo Henrique Costa conduziu tudo, mas a responsabilidade de supervisão ainda existe.
E quanto ao Daniel Vorcaro? Por que o governador menciona especificamente que teve poucos contatos com ele?
Porque Vorcaro é o banqueiro do Master, o outro lado da transação. Ibaneis quer deixar claro que não negociou diretamente com ele.
Mas isso não significa que não havia comunicação indireta. Poucos contatos não é o mesmo que nenhum contato.
O que acontece agora com o BRB?
Aguarda a auditoria externa e pode receber dinheiro do governo do DF se o prejuízo for confirmado. Mas o banco diz que está operando normalmente.
Operando normalmente enquanto investe em auditoria para descobrir se perdeu R$ 12 bilhões. Isso é uma contradição que o mercado vai notar.
Il Polso
- Uma fraude estimada em R$ 12 bilhões em carteiras de crédito ameaça a saúde financeira do Banco de Brasília, instituição controlada pelo governo do Distrito Federal.
- A Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, afastando o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e colocando o banqueiro Daniel Vorcaro sob investigação federal.
- O Banco Central rejeitou a compra do Master em setembro e decretou sua liquidação em novembro, revelando uma crise de liquidez que tornou a operação ainda mais explosiva.
- O BRB contratou auditoria externa e sinalizou que pode receber aporte do governo do DF, enquanto tenta preservar sua credibilidade perante o mercado.
- O governador Ibaneis Rocha nega qualquer envolvimento nas negociações, atribuindo toda a condução da operação ao ex-presidente afastado do banco.
No cruzamento entre poder público e sistema financeiro, o governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha posiciona-se à margem de uma operação que pode ter custado ao Banco de Brasília até R$ 12 bilhões em fraudes. A tentativa frustrada de aquisição do Banco Master — rejeitada pelo Banco Central e seguida pela liquidação da instituição — revela como decisões tomadas nos bastidores de grandes instituições podem reverberar sobre o patrimônio público e a confiança dos mercados. O caso lembra que, nas estruturas onde o Estado e o capital se entrelaçam, a responsabilidade raramente encontra um único endereço.
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, afirmou à CNN que seus contatos com o banqueiro Daniel Vorcaro foram raros e jamais envolveram discussões sobre o Banco Master. Para ele, a operação foi conduzida de ponta a ponta pelo então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa — afastado do cargo após a Polícia Federal deflagrar a Operação Compliance Zero, que investiga fraudes nas transações entre as duas instituições.
A tentativa de aquisição havia sido anunciada em março do ano anterior: o BRB pretendia comprar 49% das ações ordinárias, a totalidade das preferenciais e 58% do capital total do Master. O Banco Central, porém, rejeitou a operação em setembro. Meses depois, em novembro, decretou a liquidação do Master diante de grave crise de liquidez, tornando Vorcaro e Costa alvos da investigação federal.
Os números são expressivos: a fraude está estimada em R$ 12 bilhões em carteiras de crédito adquiridas pelo BRB. Em resposta, o banco contratou auditoria externa e sinalizou a possibilidade de receber um aporte financeiro do governo do DF caso o prejuízo seja confirmado. Em comunicado recente, o BRB reafirmou sua suficiência patrimonial e garantiu que opera normalmente, sem risco de intervenção — uma tentativa de manter a confiança do mercado enquanto aguarda os resultados das investigações.
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, procurou deixar claro à CNN que manteve distância das negociações que levaram o Banco de Brasília a tentar comprar o Banco Master. Segundo ele, seus encontros com o banqueiro Daniel Vorcaro foram raros e nunca abordaram o tema do banco. A operação, afirmou, foi conduzida integralmente pelo então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que posteriormente foi afastado do cargo após a Polícia Federal deflagrar a Operação Compliance Zero.
Em março do ano anterior, o BRB havia anunciado a intenção de adquirir 49% das ações ordinárias, a totalidade das preferenciais e, consequentemente, 58% do capital total do Master, o que garantiria ao banco brasiliense assento no conselho de administração. O Banco Central rejeitou a operação em setembro. Meses depois, em novembro, a mesma autoridade monetária decretou a liquidação do Banco Master diante de grave crise de liquidez. Tanto Vorcaro quanto Costa tornaram-se alvo da investigação federal que apura fraudes nas transações de títulos entre as duas instituições.
Os números que emergiram das investigações são substanciais. A fraude está estimada em R$ 12 bilhões em carteiras de crédito que o BRB havia comprado do Banco Master. Diante dessa situação, o Banco de Brasília contratou uma auditoria externa para apurar os fatos que estão sendo investigados pela Polícia Federal. O banco também sinalizou que pode receber um aporte financeiro de seu controlador, o governo do Distrito Federal, caso seja confirmado prejuízo à instituição em decorrência dessa operação.
Em comunicado divulgado na semana em que essas declarações foram feitas, o BRB reafirmou sua suficiência patrimonial e informou que segue operando normalmente, sem qualquer risco de intervenção. A declaração do governador, portanto, ocorre em um contexto onde a instituição tenta manter a confiança do mercado enquanto aguarda os resultados da auditoria e das investigações que podem determinar o tamanho real do impacto financeiro dessa transação fracassada.
Citazioni salienti
Estive com ele poucas vezes e nunca tratei sobre o banco. Toda operação de compra foi tratada diretamente com o Paulo Henrique— Ibaneis Rocha, governador do Distrito Federal