No último dia do ano, o Supremo Tribunal Federal abrigou uma acareação que expôs as entranhas de um dos maiores equívocos financeiros recentes de um banco público brasileiro. O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, confirmou que cerca de R$ 2 bilhões investidos em carteiras de crédito consignado do Banco Master — que se revelaram falsas — permanecem irrecuperáveis após a liquidação da instituição privada. O que começou como uma aplicação de R$ 12,2 bilhões tornou-se um labirinto de ativos ilíquidos e versões conflitantes, enquanto os contribuintes do Distrito Federal aguardam, em silênci
Ex-presidente do BRB afirma que banco não recuperou R$ 2 bi investidos no Master
R$ 2 bilhões presos num processo que nunca seria concluído
Como é possível que um banco público tenha investido R$ 12 bilhões em carteiras de crédito que se mostraram falsas? Não havia verificação?
Havia, mas o Banco Central só descobriu as inconsistências depois que o dinheiro já estava lá. O BRB tentou se recuperar substituindo os ativos, e conseguiu com R$ 10 bilhões, mas R$ 2 bilhões ficaram presos quando o Master foi liquidado.
Espera — a gente sabe quem aprovou esses R$ 12 bilhões inicialmente? Porque "carteiras falsas" é uma coisa muito grave para passar despercebida.
A investigação da Operação Compliance Zero está apurando isso. O que sabemos é que quando o BC apontou os problemas, o Master ofereceu a substituição.
E Vorcaro diz que não houve prejuízo. Ele está certo?
Ele diz que ofereceu um deságio de 30% para facilitar a recuperação e que havia garantias de R$ 9 bilhões. Mas os investigadores acham que o prejuízo real pode ser maior.
Maior como? Qual é a base disso?
Cerca de R$ 5 bilhões em ativos do Master não têm liquidez. Você pode ter uma garantia de R$ 9 bilhões, mas se o ativo não pode ser vendido, a garantia é apenas um papel.
Então o BRB ainda não sabe quanto vai perder?
Exato. Por isso está fazendo auditoria com escritório especializado. Só depois saberá o tamanho real do estrago.
E os R$ 2 bilhões que não foram recuperados — eles estão garantidos pelos R$ 9 bilhões que o Master ofereceu?
Teoricamente sim, mas o Master foi liquidado. Então a pergunta é: quem paga a garantia agora?
Il Polso
- R$ 2 bilhões investidos pelo BRB em carteiras de crédito consignado do Banco Master permanecem sem recuperação após a liquidação decretada pelo Banco Central.
- A Operação Compliance Zero revelou que os ativos adquiridos pelo banco público eram falsos, transformando uma aplicação de R$ 12,2 bilhões em uma crise de gestão de recursos públicos.
- Enquanto o BRB afirma ter substituído cerca de R$ 10 bilhões dos ativos problemáticos antes da liquidação, o dono do Master, Daniel Vorcaro, nega qualquer prejuízo e cita garantias de R$ 9 bilhões como proteção suficiente.
- Investigadores alertam que o rombo real pode ser ainda maior: cerca de R$ 5 bilhões em ativos oferecidos pelo Master ao BRB não possuem liquidez, existindo apenas no papel.
- O BRB aguarda auditoria do escritório Machado Meyer, com suporte da Kroll, para dimensionar o prejuízo e definir os próximos passos — enquanto contribuintes do Distrito Federal permanecem os credores silenciosos da operação.
No último dia do ano, o Supremo Tribunal Federal abrigou uma acareação que expôs as entranhas de um dos maiores equívocos financeiros recentes de um banco público brasileiro. O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, confirmou que cerca de R$ 2 bilhões investidos em carteiras de crédito consignado do Banco Master — que se revelaram falsas — permanecem irrecuperáveis após a liquidação da instituição privada. O que começou como uma aplicação de R$ 12,2 bilhões tornou-se um labirinto de ativos ilíquidos e versões conflitantes, enquanto os contribuintes do Distrito Federal aguardam, em silêncio, o desfecho de uma conta que ainda não fechou.
Na noite de 30 de dezembro, o STF foi palco de um confronto de versões sobre um dos maiores desastres financeiros envolvendo um banco público brasileiro. Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, depôs por meia hora diante de investigadores da Polícia Federal para explicar por que o banco não conseguiu recuperar aproximadamente R$ 2 bilhões investidos no Banco Master — tempo suficiente para expor uma ferida que ainda sangra nas contas da instituição do Distrito Federal.
Tudo começou com uma aposta que saiu errada. O BRB havia aportado R$ 12,2 bilhões no Master para adquirir carteiras de crédito consignado que, ao serem examinadas pelo Banco Central, revelaram-se falsas. O achado desencadeou a Operação Compliance Zero e colocou em xeque a gestão de recursos públicos. Segundo Costa, o banco agiu rápido: quando a operação foi deflagrada, já havia substituído cerca de R$ 10 bilhões das carteiras problemáticas por outros ativos do Master. Mas R$ 2 bilhões ainda estavam em trânsito quando a liquidação foi decretada, interrompendo um processo que nunca seria concluído.
Daniel Vorcaro, dono do Master, apresentou uma narrativa diferente. Afirmou que o BRB não sofreu prejuízo algum, que seu banco ofereceu deságio de 30% nos ativos substituídos e que as garantias de R$ 9 bilhões cobriam os valores ainda pendentes — estimados pela defesa em cerca de R$ 1,6 bilhão. Os advogados de ambos os lados buscaram minimizar o confronto, falando em 'percepções distintas sobre os mesmos fatos'.
Os investigadores, porém, enxergam o quadro com mais pessimismo. Avaliam que o prejuízo potencial ao BRB pode superar os números iniciais, pois cerca de R$ 5 bilhões em ativos do Master oferecidos ao banco público não possuem liquidez — existem no papel, mas não podem ser convertidos em dinheiro. Enquanto uma auditoria conduzida pelo Machado Meyer Advogados, com suporte da Kroll Associates Brasil, tenta dimensionar o estrago, os contribuintes do Distrito Federal permanecem como credores silenciosos de uma operação que ninguém consegue explicar por completo.
Na noite de terça-feira, 30 de dezembro, o Supremo Tribunal Federal foi palco de um confronto de versões sobre um dos maiores desastres financeiros envolvendo um banco público brasileiro. Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco Regional de Brasília, sentou-se diante de investigadores da Polícia Federal para explicar por que o BRB não conseguiu recuperar aproximadamente R$ 2 bilhões que havia investido no Banco Master. A acareação durou apenas meia hora — tempo suficiente para expor uma ferida que ainda sangra nas contas do banco do Distrito Federal.
Tudo começou com uma aposta que saiu errada. O BRB havia aportado R$ 12,2 bilhões no Banco Master para adquirir carteiras de crédito consignado. Quando o Banco Central examinou esses ativos, descobriu que eram falsos — um achado que desencadeou a Operação Compliance Zero e colocou em xeque a gestão de recursos públicos. O que deveria ter sido uma aplicação segura transformou-se em um labirinto de perdas potenciais e ativos sem valor.
Segundo Costa, o BRB conseguiu se mover rápido. Quando a operação foi deflagrada, o banco já havia substituído cerca de R$ 10 bilhões dessas carteiras problemáticas por outros ativos do Master. Mas R$ 2 bilhões ainda estavam em trânsito, presos num processo de substituição que nunca seria concluído. O Master havia oferecido garantias de R$ 9 bilhões enquanto o banco público finalizava a troca — uma proteção que se mostrou insuficiente quando a liquidação do banco de Daniel Vorcaro foi decretada pelo Banco Central.
Vorcaro, o dono do Master, contou uma história diferente. Ele afirmou que o BRB não sofreu prejuízo nenhum na operação e que seu banco ofereceu um deságio de 30% nos ativos substituídos para facilitar a recuperação. Confirmou que o processo estava em andamento quando tudo parou. Sua defesa argumentou que os ativos não substituídos totalizavam cerca de R$ 1,6 bilhão, mas estavam cobertos pelas garantias de R$ 9 bilhões.
Os investigadores, porém, veem o quadro com mais pessimismo. Eles avaliam que o potencial prejuízo ao BRB pode ser ainda maior do que os números iniciais sugerem. Cerca de R$ 5 bilhões em ativos do Master oferecidos ao BRB não possuem liquidez — ou seja, não podem ser vendidos facilmente, transformando-se em papéis sem saída. É a diferença entre um ativo que existe no papel e um ativo que pode ser convertido em dinheiro.
Os advogados de ambos os lados tentaram suavizar o confronto. Cléber Lopes, defensor de Paulo Henrique Costa, afirmou que não houve contradições entre os depoimentos, apenas "percepções distintas sobre os mesmos fatos". A defesa de Vorcaro ecoou o argumento, insistindo que a atuação foi técnica e regular. Mas as cifras falam mais alto que as palavras: R$ 2 bilhões não recuperados, R$ 5 bilhões em ativos sem liquidez, e um banco público ainda à espera de respostas.
O BRB, por sua vez, segue em modo de espera. A instituição aguarda a conclusão de uma auditoria conduzida pelo escritório Machado Meyer Advogados, com suporte técnico da Kroll Associates Brasil, para avaliar o cenário de eventual prejuízo e determinar as medidas necessárias. Enquanto isso, os contribuintes do Distrito Federal permanecem como credores silenciosos de uma operação que ninguém consegue explicar completamente.
Citazioni salienti
Não houve contradições entre os depoimentos, apenas percepções distintas sobre os mesmos fatos— Cléber Lopes, advogado de Paulo Henrique Costa
O BRB aguarda a conclusão de auditoria para avaliar o cenário de eventual prejuízo e tomar as medidas necessárias— Comunicado do BRB