Em um depoimento à Polícia Federal, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa reconheceu que sabia dos riscos financeiros do Banco Master, mas insistiu que a responsabilidade pelo eventual colapso recairia sobre seu fundador, Daniel Vorcaro. A operação de aquisição, apresentada por Costa como estratégia de expansão e não como resgate, jamais se concretizou — o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master, deixando para trás perguntas difíceis sobre o que foi dito, o que foi omitido e quem, afinal, deveria ter agido.
Ex-presidente do BRB admite conhecimento sobre risco de colapso do Banco Master
Se ia quebrar ou não, no final seria um problema dele
Por que o ex-presidente do BRB estava tão seguro de que o Master quebraria? Ele tinha informações que o público não tinha?
Costa sabia que havia riscos — ele admite isso. Mas sua posição era que esses riscos eram problema de Vorcaro, não do BRB. Ele estava dizendo que o banco público fez sua lição de casa, avaliou o que fazia sentido comprar e rejeitou o resto.
Mas aqui está o problema: se Costa sabia que o banco poderia quebrar, por que o BRB estava negociando com ele? E se não sabia, como explica que Vorcaro mencionava problemas de liquidez "muitas vezes em conversas"?
Essa é a tensão. Costa diz que era uma operação estratégica normal, não um resgate. Mas excluir R$ 51,2 bilhões e depois rejeitar mais R$ 5 bilhões em ativos é uma forma bem agressiva de dizer "não queremos a maior parte do que você está oferecendo".
Então o BRB estava basicamente escolhendo os melhores pedaços e deixando o resto para trás?
Aparentemente. Costa argumenta que isso prova que não havia intenção de salvar ninguém. Mas também levanta a pergunta: se o Master era tão fraco que o BRB precisava descartar a maioria dos seus ativos, por que negociar com ele em primeiro lugar?
E há outro detalhe: o Master tinha patrimônio líquido de R$ 5 bilhões, maior que o do próprio BRB. Então não era uma instituição pequena ou irrelevante. Isso muda a escala da conversa.
O que acontece agora? Costa vai responder por algo?
Ele deu seu depoimento. A Polícia Federal está investigando. Mas o que fica claro é que havia conhecimento dos riscos e escolhas deliberadas sobre o que comprar e o que deixar para trás.
O ponto que ninguém está respondendo claramente é: se Costa sabia que o Master podia quebrar, e Vorcaro estava falando sobre problemas de liquidez, em que momento alguém deveria ter parado e dito "isso não vai funcionar"?
Der Puls
- Costa admitiu saber dos riscos, mas traçou uma linha clara: se o Master quebrasse, o problema seria de Vorcaro, não do BRB.
- R$ 51,2 bilhões em ativos e passivos do Master foram excluídos das negociações, e outros R$ 5 bilhões foram rejeitados após avaliações de risco — números que revelam a profundidade das dúvidas internas.
- O ex-presidente insiste que a compra era estratégia competitiva, não socorro financeiro, mas a escala das exclusões e os alertas informais de Vorcaro sobre liquidez complicam essa narrativa.
- O Banco Central encerrou qualquer possibilidade de acordo ao decretar a liquidação extrajudicial do Master, transformando uma negociação inacabada em objeto de investigação federal.
Em um depoimento à Polícia Federal, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa reconheceu que sabia dos riscos financeiros do Banco Master, mas insistiu que a responsabilidade pelo eventual colapso recairia sobre seu fundador, Daniel Vorcaro. A operação de aquisição, apresentada por Costa como estratégia de expansão e não como resgate, jamais se concretizou — o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master, deixando para trás perguntas difíceis sobre o que foi dito, o que foi omitido e quem, afinal, deveria ter agido.
Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília, confirmou à Polícia Federal em dezembro que tinha ciência dos riscos financeiros do Banco Master enquanto as duas instituições negociavam uma possível aquisição. Mas ele foi enfático: se o banco de Daniel Vorcaro chegasse ao colapso, a responsabilidade seria exclusivamente do fundador. A operação, no entanto, nunca se concretizou — o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master antes que qualquer acordo fosse fechado.
Costa rejeitou a interpretação de que o BRB tentava resgatar uma instituição em dificuldades. Em sua versão, o Master era apenas a terceira opção avaliada dentro de um processo mais amplo de expansão estratégica. A lógica era simples: o BRB operava por agências tradicionais, enquanto o Master dominava correspondentes bancários e tecnologia — áreas em que bancos públicos costumam ter dificuldades. O patrimônio líquido de R$ 5 bilhões do Master, superior ao do próprio BRB, também pesava na equação.
Os números das negociações, porém, contam uma história mais complexa. O BRB excluiu R$ 51,2 bilhões em ativos e passivos do Master da mesa de negociações, e outros R$ 5 bilhões foram rejeitados após avaliações de risco, jurídica e de compliance. Costa usou essas exclusões como argumento para reforçar que não havia intenção de salvar o banco — mas a dimensão dos valores descartados evidencia o tamanho das dúvidas que cercavam a transação.
Costa também confirmou que Vorcaro havia mencionado, em conversas informais, preocupações com a situação de liquidez do Master. Ainda assim, essas advertências não mudaram sua postura sobre quem deveria responder pela saúde financeira da instituição. O depoimento integra uma investigação mais ampla sobre as circunstâncias do colapso do Master e o papel das negociações com o BRB — deixando em aberto questões sobre transparência e responsabilidade em todo o processo.
Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília, admitiu em depoimento à Polícia Federal realizado em dezembro que conhecia os riscos financeiros enfrentados pelo Banco Master durante as negociações entre as duas instituições. Mas ele foi claro sobre um ponto: se o banco de Daniel Vorcaro chegasse ao colapso, a culpa seria exclusivamente do fundador. "Se [o Master] ia quebrar ou não, no final seria um problema dele", disse Costa aos investigadores.
A operação nunca saiu do papel. O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master, encerrando qualquer possibilidade de que a aquisição fosse concluída. Mas o que Costa deixou registrado em seu depoimento — ao qual a CNN Brasil teve acesso — oferece uma janela para entender como o BRB avaliava a transação nos meses que antecederam o colapso.
Costa negou categoricamente que o objetivo da compra fosse socorrer uma instituição em dificuldades. Segundo ele, o Master era apenas a terceira opção avaliada pelo banco público em um processo mais amplo de expansão estratégica. A ideia, conforme sua versão, era tornar o BRB mais competitivo no mercado financeiro aproveitando as diferenças operacionais entre os dois bancos. Enquanto o BRB operava por meio de agências tradicionais, o Master funcionava através de correspondentes bancários e possuía maior domínio em tecnologia — uma área em que Costa afirmava que empresas públicas enfrentavam dificuldades para avançar. O Master, além disso, tinha um patrimônio líquido de R$ 5 bilhões, superior ao do próprio BRB.
Mas os números da negociação contam uma história diferente. Durante as conversas, o BRB excluiu R$ 51,2 bilhões dos ativos e passivos do Banco Master da mesa de negociações. Costa argumentou que essa exclusão reforçava sua tese de que não havia intenção de "salvar" a instituição. Além disso, cerca de R$ 5 bilhões em ativos oferecidos pelo Master foram rejeitados após passarem pelas avaliações de risco, jurídica e de compliance do Banco de Brasília.
Quando questionado se Vorcaro havia comunicado previamente sobre possíveis problemas de liquidez, Costa respondeu que sim, muitas vezes em conversas informais o fundador havia expressado preocupação com a situação. Mas essas advertências, aparentemente, não alteraram a postura do ex-presidente do BRB quanto à responsabilidade final pela saúde financeira do Master.
O depoimento de Costa à Polícia Federal integra uma investigação mais ampla sobre as circunstâncias que levaram ao colapso do Banco Master e o papel das negociações com o BRB nesse processo. A liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central encerrou a operação, deixando em aberto questões sobre transparência, diligência e responsabilidade nas tratativas entre as duas instituições.
Bemerkenswerte Zitate
Se [o Master] ia quebrar ou não, no final seria um problema dele [Vorcaro]— Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB
Muitas vezes em conversas ele falou, sim. Ao longo do processo que ele estava preocupado que estivesse uma decisão— Paulo Henrique Costa, respondendo sobre comunicações de Vorcaro sobre problemas de liquidez