Ex-major de MS nega tráfico na Bélgica e culpa homônimo pelos crimes

Nenhum impacto direto de vítimas mencionado; caso envolve acusações de tráfico internacional de cocaína com lucros estimados em 1,7 bilhão de reais.
Não fui eu, foi um homônimo que cometeu esses crimes
Carvalho nega participação em esquema de tráfico internacional de cocaína durante julgamento na Bélgica.
Mark

Por que um ex-major da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul estava envolvido em tráfico internacional de cocaína?

Mimi

Carvalho não era um chefe de organização no sentido tradicional. Ele operava como intermediário na logística das drogas, conectando fornecedores na América do Sul com compradores na Europa. Esse tipo de operador trabalha discretamente, sem necessariamente controlar territórios ou grupos armados.

Luke

Mas temos confirmação de que ele realmente fez isso? Ou são acusações do Ministério Público?

Mark

Qual é a escala do que ele é acusado de ter feito?

Mimi

Os promotores dizem que ele forneceu pelo menos 16 toneladas de cocaína para a rede de Flor Bressers. Quando foi preso em 2022, as autoridades acreditavam que ele havia coordenado o envio de 45 toneladas para a Europa desde 2017.

Luke

Essas são estimativas das autoridades, certo? Não há confirmação independente desses números.

Mark

E sua defesa é simplesmente negar tudo?

Mimi

Sua defesa é que não foi ele, foi um homônimo. Ele compareceu pessoalmente ao tribunal para apresentar essa versão aos juízes.

Luke

Isso é uma defesa fraca, mas é o que ele tem. O tribunal terá que avaliar se há evidência suficiente para condenar.

Mark

O julgamento parece caótico.

Mimi

Muito. Houve 21 pedidos de afastamento contra os juízes originais, conflitos sobre documentos confidenciais, protestos sobre as condições de segurança. Um advogado foi acusado de abuso de acesso aos autos.

Luke

Esses conflitos podem afetar a validade da sentença? Ou são apenas procedimentais?

Mark

Quanto tempo isso vai levar?

Mimi

As audiências foram retomadas em setembro, e estimava-se pelo menos quatro semanas de sessões. A acusação e a defesa já apresentaram argumentos, então o processo está na reta final.

Luke

Mas não há data confirmada para a sentença. Pode ser semanas ou meses ainda.

  • Carvalho nega pessoalmente qualquer ligação com 16 toneladas de cocaína fornecidas à rede europeia de Flor Bressers, alegando confusão com um homônimo.
  • O julgamento em Bruxelas acumula turbulências: 21 pedidos de suspeição forçaram a substituição completa dos três juízes originais, atrasando meses de procedimentos.
  • O Ministério Público belga pediu punição ao advogado de defesa Hans Rieder por introduzir documentos com conversas confidenciais entre advogados e clientes de outro processo — o tribunal adiou a decisão para a sentença final.
  • Acusados permanecem em cabines de vidro vigiadas por agentes armados e mascarados, e um dos réus segue preso apesar de a defesa afirmar que a fiança de 250 mil euros já foi depositada.
  • Com acusação e defesa tendo já apresentado seus argumentos, o processo entra na reta final — mas nenhuma data de sentença foi confirmada.

Um ex-major da Polícia Militar do Mato Grosso do Sul, apelidado de 'Pablo Escobar brasileiro', apresentou-se diante de um tribunal de alta segurança em Bruxelas para negar que seja o homem por trás de um dos maiores esquemas de tráfico de cocaína julgados na Bélgica. Sérgio Roberto de Carvalho, 68 anos, atribui os crimes a um homônimo — defesa que ecoa a longa trajetória de um homem que viveu sob identidades falsas em múltiplos países antes de ser capturado. O julgamento, marcado por trocas de juízes, disputas sobre sigilo profissional e acusados mantidos em cabines de vidro, aproxima-se de seu desfecho sem que a verdade sobre a autoria dos crimes tenha sido aceita por todas as partes.

Sérgio Roberto de Carvalho, ex-major da PM de Mato Grosso do Sul conhecido como 'Pablo Escobar brasileiro', compareceu pessoalmente a um tribunal de alta segurança em Bruxelas — instalado na antiga sede da Otan — para negar envolvimento em um esquema internacional de tráfico de cocaína. Sua defesa foi direta: os crimes foram cometidos por um homônimo, não por ele.

Carvalho, 68 anos, é acusado de ter fornecido ao menos 16 toneladas de cocaína à rede de Flor Bressers, organização que usava uma empresa de tratamento de água em Antuérpia como fachada para importar drogas da América do Sul. Entre 2019 e 2020, dez carregamentos atribuídos ao grupo teriam gerado lucros equivalentes a 1,7 bilhão de reais. Os promotores sustentam que Carvalho coordenava voos de cocaína do Peru e da Bolívia para o Brasil, de onde as remessas seguiam para portos europeus — operações que teriam começado por volta de 2017.

Preso na Hungria em junho de 2022 após uma busca internacional prolongada, Carvalho havia vivido em Portugal, Ucrânia e Dubai usando documentos falsos, incluindo um passaporte mexicano. Extraditado para a Bélgica em 2023, ele não é novato no sistema criminal: foi condenado a 15 anos por tráfico em 1998 e só expulso da PM em 2010. Em 2020, preso na Espanha sob identidade falsa, chegou a enviar uma certidão declarando sua própria morte por covid-19.

O julgamento tem sido marcado por conflitos sucessivos. No início de 2026, 21 pedidos de suspeição forçaram a substituição dos três juízes originais. As audiências foram retomadas em setembro com nova composição. Na semana mais recente, o Ministério Público pediu punição ao advogado Hans Rieder por introduzir no processo documentos com transcrições de conversas confidenciais entre advogados e clientes de outra investigação — o tribunal adiou a decisão para a sentença final. Advogados também protestaram contra as cabines de vidro em que os réus permanecem e contra a presença de agentes armados e mascarados que dificultam a comunicação reservada.

Com acusação e defesa já tendo apresentado seus argumentos, o processo está em sua reta final. A sentença ainda não tem data confirmada.

Sérgio Roberto de Carvalho, um ex-major da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul que ganhou a alcunha de "Pablo Escobar brasileiro", compareceu pessoalmente a um tribunal na Bélgica na quarta-feira para negar qualquer envolvimento em um esquema internacional de tráfico de cocaína. Sua defesa foi simples e direta: não fui eu, foi um homônimo. O julgamento, que ocorre em um complexo de segurança reforçada instalado na antiga sede da Otan em Bruxelas, está entrando em sua fase final após meses de procedimentos marcados por conflitos entre a defesa e o Ministério Público belga.

Carvalho, agora com 68 anos, enfrenta acusações de ter fornecido pelo menos 16 toneladas de cocaína para a rede liderada por Flor Bressers, um operador apontado como chefe de uma organização de tráfico voltada para a Europa. Se condenado, pode receber até 15 anos de prisão. Segundo investigações, a organização usava uma empresa de tratamento de água em Antuérpia como fachada para importar cocaína da América do Sul. Entre agosto de 2019 e abril de 2020, dez carregamentos atribuídos ao grupo teriam gerado lucros de 200 milhões de euros, o equivalente a 1,7 bilhão de reais. O Ministério Público pediu a pena máxima de 20 anos para Bressers, além de multas e confisco de bens.

A trajetória de Carvalho antes da prisão revela um operador que se movimentava pela logística internacional das drogas com discreção. Os promotores acusam o brasileiro de organizar voos carregados de cocaína do Peru e da Bolívia para o Brasil, depois coordenando remessas para a Europa através de portos brasileiros, operações que teriam começado por volta de 2017. Quando foi preso na Hungria em junho de 2022, após uma busca internacional prolongada, as autoridades acreditavam que ele havia coordenado o envio de pelo menos 45 toneladas de cocaína para a Europa. Ele também era procurado pelos Estados Unidos, Itália e Espanha. Extraditado para a Bélgica em junho de 2023, Carvalho havia vivido em Portugal, Ucrânia e Dubai antes de sua captura, usando documentos falsos incluindo um passaporte mexicano.

O julgamento tem sido tumultuado. No início de 2026, foram acolhidos 21 pedidos de afastamento por suspeição contra os três juízes originais, forçando a formação de uma nova composição do tribunal. As audiências foram retomadas em 7 de setembro com essa nova equipe, e a Justiça belga estimou que seriam necessárias pelo menos quatro semanas de sessões. Carvalho havia faltado a muitas sessões anteriores devido a graves problemas de saúde, mas compareceu na quarta-feira para apresentar pessoalmente sua versão aos juízes.

Os conflitos se intensificaram na quinta-feira quando o Ministério Público pediu que o advogado Hans Rieder fosse punido por uma alegada infração. A acusação sustenta que Rieder abusou do direito de acesso aos autos ao trazer para o processo documentos de outra investigação criminal contra Bressers, conduzida em Antuérpia, que contêm transcrições de conversas confidenciais entre advogados e clientes. Rieder e seu colega Yehudi Moszkowicz usaram o material para questionar se as autoridades também teriam interceptado comunicações entre Bressers e seus defensores, comprometendo o sigilo profissional. O tribunal suspendeu a audiência e rejeitou, por enquanto, a punição imediata, deixando a questão para ser decidida na sentença final.

Outros conflitos cercam as condições do julgamento. Advogados protestaram contra a cabine de vidro em que os principais acusados permanecem e contra a proximidade de agentes armados e mascarados, que dificultam a comunicação reservada com os clientes. A situação de Caio Marchesani, acusado de lavar dinheiro do tráfico, gerou outra disputa: uma decisão judicial permitia sua saída da prisão mediante fiança de 250 mil euros, mas embora a defesa afirmasse que o valor havia sido depositado, ele continuava preso. A Procuradoria Federal atribuiu o bloqueio ao Departamento de Imigração, devido a dúvidas sobre sua situação migratória.

Carvalho não é novo no sistema criminal. Foi condenado a 15 anos de prisão por tráfico de drogas em 1998, mas só foi expulso da Polícia Militar em 2010. Em 2020, foi preso na Espanha sob uma identidade falsa do Suriname, e após pagar fiança, encaminhou uma certidão declarando a morte por covid-19 de "Paul Wouter", um dos nomes que havia usado. Agora, com o julgamento se aproximando de seu encerramento, a acusação e a defesa já apresentaram seus argumentos. Não há data confirmada para o anúncio da sentença, mas o processo está claramente em sua reta final.

Não fui eu, foi um homônimo que cometeu esses crimes
— Sérgio Roberto de Carvalho, em depoimento ao tribunal belga
Contattaci Domande frequenti