Vivia em condomínio de luxo enquanto era procurado
Um ex-governador interino mexicano, que um dia administrou o destino público de um estado inteiro, foi condenado nos Estados Unidos a três anos de prisão por ter usado o sistema financeiro americano para apagar os rastros de subornos recebidos em troca de contratos de obras. O caso de Jorge Juan Torres López, encerrado décadas após o início de sua carreira política, lembra que o poder exercido às margens da lei raramente encontra refúgio permanente — nem mesmo em condomínios de luxo à beira do Pacífico.
- Um ex-governador que trocou contratos de rodovias por subornos milionários usou bancos americanos para apagar o rastro do dinheiro ilícito — um esquema que durou anos antes de ser desmantelado.
- Preso em fevereiro de 2019 em Puerto Vallarta, onde vivia em um condomínio de luxo, Torres López foi extraditado oito meses depois para enfrentar a Justiça americana no Texas.
- Diante da Procuradoria de Corpus Christi, ele se declarou culpado de transações financeiras destinadas a disfarçar subornos, abrindo mão de uma propriedade nos EUA como parte do acordo.
- A condenação a três anos de prisão não encerra o caso: ao sair da cadeia, Torres López deverá enfrentar deportação ao México, enquanto seu colaborador aguarda sentença pelo mesmo tipo de crime.
Jorge Juan Torres López, ex-governador interino do estado mexicano de Coahuila, foi condenado a três anos de prisão nos Estados Unidos por lavagem de dinheiro. A sentença, anunciada por autoridades americanas em junho de 2021, encerra um processo judicial que remonta a 2017, quando as primeiras acusações vieram à tona.
Político de carreira filiado ao PRI, Torres López governou Coahuila de forma interina entre janeiro e novembro de 2011. Antes disso, havia ocupado o cargo de secretário de Finanças do estado. Mas por trás da trajetória institucional havia um esquema: ele recebia subornos em troca de contratos de construção de rodovias e usava o sistema financeiro americano para ocultar a origem ilícita dos valores.
Em fevereiro de 2019, foi preso em Puerto Vallarta, balneário do Pacífico mexicano onde vivia em um condomínio de luxo. Extraditado em outubro do mesmo ano, compareceu à Procuradoria de Corpus Christi, no Texas, onde se declarou culpado em junho de 2020. Como parte do acordo, entregou uma propriedade nos EUA vinculada aos pagamentos irregulares. A investigação foi conduzida pela ICE, e Torres López chegou a figurar entre os mais procurados pela DEA.
Ao cumprir a pena, ele deverá enfrentar deportação ao México. Seu colaborador, Héctor Javier Villarreal-Hernández, também foi condenado por lavagem de dinheiro no Texas e aguarda sentença.
Jorge Juan Torres López, um ex-governador mexicano de 67 anos, foi condenado a três anos de prisão nos Estados Unidos por lavagem de dinheiro. A sentença, anunciada pelas autoridades americanas na quinta-feira, encerra um caso que começou anos antes, quando Torres López ainda ocupava cargos públicos no México.
Torres López foi governador interino de Coahuila, estado no nordeste mexicano, entre janeiro e novembro de 2011. Formado em administração e membro do Partido Revolucionário Institucional, ele havia ocupado diversos cargos públicos desde 1994, incluindo o de secretário de Finanças do estado. Mas sua carreira pública terminou em escândalo. Em 2017, foi acusado de participar de um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro que envolvia subornos: ele recebia pagamentos em troca de contratos de construção de rodovias e depois usava o sistema financeiro americano para ocultar a origem ilícita desse dinheiro.
Em fevereiro de 2019, Torres López foi preso em Puerto Vallarta, o balneário na costa do Pacífico mexicano onde vivia em um condomínio de luxo. Oito meses depois, em outubro de 2019, foi extraditado para os Estados Unidos. Diante da Procuradoria de Corpus Christi, no Texas, ele se declarou culpado em 16 de junho de 2020 de realizar transações financeiras americanas especificamente para disfarçar os subornos que havia recebido. As acusações contra ele eram amplas: além da lavagem de dinheiro, incluíam fraude bancária, fraude eletrônica, apropriação indevida de fundos públicos e crimes contra uma nação estrangeira.
Como parte do acordo de culpa, Torres López concordou em entregar uma propriedade nos Estados Unidos que estava associada aos pagamentos irregulares. A investigação foi liderada pela Polícia de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, a ICE, em Corpus Christi, que o identificou como um dos mais procurados pela agência americana de combate às drogas, a DEA.
A condenação não marca o fim de seus problemas legais. As autoridades indicam que, após cumprir os três anos de prisão, Torres López provavelmente enfrentará um processo de deportação para o México. Ele não está sozinho nessa situação. Héctor Javier Villarreal-Hernández, de 50 anos, natural de Saltillo, Coahuila, colaborador de Torres López, também foi condenado no Texas por crimes de lavagem de dinheiro e aguarda sua sentença.
Notable Quotes
Torres López concordou em entregar uma propriedade nos Estados Unidos associada aos pagamentos irregulares— Procuradoria de Corpus Christi, Texas
Torres López provavelmente enfrentará um processo de deportação depois de cumprir sua pena na prisão— Polícia de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE)
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que um ex-governador mexicano foi julgado nos Estados Unidos e não no México?
Porque ele usou o sistema financeiro americano para lavar o dinheiro. Quando você move dinheiro ilícito através de bancos americanos, você comete um crime federal americano. O México pediu sua extradição, mas os EUA tinham jurisdição própria.
Ele realmente vivia em um condomínio de luxo em Puerto Vallarta enquanto era procurado?
Sim. Ele não estava escondido. Estava vivendo abertamente em um balneário turístico, o que sugere que talvez não se sentisse em risco imediato de prisão. Mas em fevereiro de 2019, foi preso lá.
Três anos parece pouco para alguém que desviou fundos públicos e recebeu subornos.
É verdade que a sentença é relativamente curta. Mas ele se declarou culpado, o que geralmente resulta em penas menores do que um julgamento. Além disso, há a questão da deportação que vem depois. Para um ex-governador mexicano, ser deportado para seu país após cumprir pena nos EUA pode trazer consequências políticas e legais adicionais.
Qual era o tamanho do esquema de suborno?
A fonte não especifica o valor total. Sabemos que envolvia contratos de construção de rodovias e que ele usou transações financeiras americanas para ocultar os pagamentos. Mas os números exatos não foram divulgados publicamente.
E seu colaborador, Villarreal-Hernández?
Ele também foi condenado por lavagem de dinheiro, mas sua sentença ainda não foi anunciada. Ele é de Saltillo, também em Coahuila, e aparentemente ajudou Torres López a executar o esquema.