Ex-executivo da IBM abandona carreira para viver isolado nos Alpes com água nascente e painel solar

Se o paraíso existisse, eu faria de tudo para conquistá-lo
Forno reflete sobre sua vida atual nos Alpes Réticos, onde vive com apenas água nascente, lareira e painel solar.
Mark

Como alguém sai de uma carreira de dezessete anos na IBM e simplesmente desaparece para as montanhas? Isso não é impulsivo?

Mimi

Não foi impulsivo. Forno cresceu na natureza, sentiu o chamado desde criança. A IBM foi um desvio, não o destino. Quando pediu licença para o Himalaia, algo clicou.

Luke

Mas precisamos ser claros: ele tinha recursos. Dezessete anos em uma multinacional significa poupança, provavelmente pensão. Nem todos podem fazer isso.

Mark

Verdade. E a queda de trinta metros — como isso muda uma pessoa?

Mimi

Ele diz que ficou tranquilo, que imaginou uma porta se abrindo. Duas horas pendurado em gelo. Depois disso, encerrou as expedições. Parece que o confronto com a morte o reorientou.

Luke

Ele "afirma" que ficou tranquilo. Não sabemos o que realmente sentiu. Mas o fato é que parou de escalar depois disso.

Mark

E agora, aos 73 anos, ele está documentando tudo no YouTube. Isso não contradiz o isolamento?

Mimi

Não completamente. Ele tem câmera e notebook, mas apenas para editar. Não está conectado à internet o tempo todo. É uma escolha deliberada de quais ferramentas usa.

Luke

Ainda assim, há uma contradição: ele abandonou a vida digital, mas agora produz conteúdo digital. Talvez seja menos sobre rejeição total e mais sobre controle.

Mark

Os filhos cresceram lá com ele. Como foi para eles?

Mimi

Cresceram nas montanhas, cercados por natureza. Depois se mudaram para a cidade. Não sabemos se foi escolha deles ou necessidade.

Luke

Exatamente. A história dele é clara, mas a história deles não está contada.

  • Depois de dezessete anos preso a escritórios entre Europa e América, Forno pediu licença à IBM para escalar o Himalaia — e nunca voltou de verdade para a vida corporativa.
  • Como alpinista, chegou ao topo do Makalu e liderou expedições ao Everest, mas uma queda de trinta metros em Shishapangma o deixou pendurado sobre o gelo por duas horas, entre visões do pai e memórias de infância.
  • O acidente não o destruiu — funcionou como fronteira: encerrou as grandes expedições e abriu caminho para a construção de uma cabana nos Alpes Réticos, sem eletricidade convencional, sem confortos urbanos.
  • Aos 73 anos, com os filhos já na cidade, Forno documenta sua rotina no YouTube com apenas uma câmera e um notebook, transformando o isolamento em testemunho público de uma escolha radical.

Há histórias em que o abandono não é fuga, mas retorno — e a de Oreste Forno é uma delas. Após dezessete anos na IBM e uma carreira de alpinista que o levou ao topo do Makalu e às bordas do abismo em Shishapangma, este italiano de 73 anos escolheu os Alpes Réticos como resposta definitiva a uma pergunta que carregava desde a infância: como viver de verdade. A dois mil metros de altitude, entre nascentes, lareira e um pequeno painel solar, ele encontrou não a renúncia ao mundo, mas a versão dele que sempre fez sentido.

Oreste Forno cresceu em Monastero, no norte da Itália, onde a natureza era o único horizonte que conhecia. A entrada em um colégio interno na adolescência foi um choque — ele estava acostumado à liberdade das montanhas. Mesmo assim, completou os estudos e passou dezessete anos na IBM, circulando entre Europa e América. As montanhas, porém, nunca pararam de chamá-lo.

Foi durante esse período corporativo que começou a praticar alpinismo. Um pedido de licença de seis meses para escalar o Himalaia mudou tudo: ao retornar, deixou a multinacional. Nos sete anos seguintes, viveu imerso naquelas montanhas. Sua carreira como alpinista ganhou contornos notáveis — liderou uma expedição ao Everest em 1991, escalou sozinho oito mil metros no Cho Oyu e chegou ao topo do Makalu em 1993.

A virada veio em Shishapangma, na China, quando caiu trinta metros e ficou pendurado sobre uma fenda de gelo por cerca de duas horas. Forno conta que permaneceu calmo, imaginando que uma queda seria apenas uma porta se abrindo. Teve visões do pai e de brincadeiras da infância. Foi resgatado, mas decidiu encerrar as grandes expedições.

Nos Alpes Réticos, na fronteira entre Itália, Suíça e Áustria, construiu a vida que sempre desejou: uma cabana a dois mil metros de altitude, água de nascente, calor de lareira de pedra e um pequeno painel solar. Os filhos cresceram e foram para a cidade. Ele ficou. Hoje documenta essa rotina no YouTube, com uma câmera e um notebook. Em um documentário, resumiu tudo com uma frase: 'Se o paraíso realmente existisse e fosse como isto, então eu faria de tudo para conquistá-lo.'

Aos 73 anos, Oreste Forno vive em uma cabana a dois mil metros de altura nos Alpes Réticos, na fronteira entre Itália, Suíça e Áustria. Sua casa não tem eletricidade convencional, apenas um pequeno painel solar. A água vem de uma nascente próxima. O calor sai de uma lareira de pedra. Este é o fim de uma trajetória que começou em um escritório corporativo e passou por algumas das montanhas mais altas do mundo.

Forno nasceu no vilarejo de Monastero, no norte da Itália, cercado por natureza desde criança. Quando adolescente, entrou em um colégio interno e enfrentou dificuldades para se adaptar — estava acostumado à liberdade e à vida ao ar livre de sua terra natal. Mesmo assim, completou os estudos e, depois, passou dezessete anos trabalhando na IBM, transitando entre a Europa e a América. A carreira corporativa o afastava do que sempre o havia chamado: as montanhas.

Durante seu tempo na IBM, Forno começou a praticar alpinismo. Em determinado momento, pediu uma licença de seis meses para escalar o Himalaia. A experiência transformou seus planos. Ao retornar, decidiu deixar a multinacional de tecnologia. Nos sete anos seguintes, permaneceu na região do Himalaia, aprofundando sua relação com as montanhas e com o tipo de vida que sempre o havia atraído.

Sua carreira como alpinista foi marcante. Em 1991, liderou uma expedição ao Monte Everest. Escalou sozinho oito mil metros na montanha Cho Oyu. Chegou ao topo do Makalu, o quinto pico mais alto da Terra, em 1993. Mas em uma expedição na montanha de Shishapangma, na China, caiu de uma altura de trinta metros e ficou pendurado em uma fenda sobre um pedaço de gelo. Forno afirma que permaneceu tranquilo no momento, imaginando que, se caísse, uma porta se abriria e ele desapareceria. Ficou pendurado por cerca de duas horas, teve visões do pai e de momentos da infância quando brincava com crianças. Foi resgatado, mas a experiência o levou a encerrar as expedições.

Nos Alpes Réticos, seu "paraíso particular", Forno construiu a vida que sempre desejou. A lareira aquece o ambiente e esquenta alimentos. A água vem da nascente. O painel solar fornece energia limitada. Seus dois filhos cresceram e se mudaram para a cidade. Atualmente, aos 73 anos, ele documenta sua rotina em um canal no YouTube. Em vídeos publicados em 2024, conta que seus únicos recursos eletrônicos são uma câmera e um notebook para editar os vídeos. Em um relato para um documentário do canal Pillow, disse: "Se o paraíso realmente existisse e fosse como isto, então eu faria de tudo para conquistá-lo". A vida que abandonou — agitada, dependente de dispositivos digitais, presa a escritórios — ficou para trás. O que permanece é a conexão com cachoeiras, florestas e animais selvagens que o cercam todos os dias.

Se o paraíso realmente existisse e fosse como isto, então eu faria de tudo para conquistá-lo
— Oreste Forno, em documentário do canal Pillow
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