Ex-diretor de presídio que executou prisioneiros se arrepende e agora combate pena de morte

Oito prisioneiros foram executados sob supervisão de McAndrew, incluindo Leo Jones, cuja inocência ele posteriormente questionou, e Pedro Medina, cuja execução resultou em queimadura fatal.
Eles simplesmente ficavam sentados ali me olhando
McAndrew descreve as visões noturnas dos prisioneiros que executou, assombrado pelo remorso de suas ações.
Mark

Como um homem que acreditava tão profundamente em "olho por olho" muda de ideia tão radicalmente?

Mimi

McAndrew diz que algo começou a mudar quando ele começou a ver os homens como pessoas — levando para casa seus dossiês, conversando com eles na noite anterior à execução. Mas não foi uma mudança rápida. Foram anos de insônia, bebida, visões noturnas.

Luke

Mas quando exatamente começou? A reportagem sugere que foi gradual, mas não fica claro se houve um momento específico ou se foi apenas acumulação de culpa.

Mark

E quanto aos oito homens que ele executou? Há alguma indicação de que alguns deles eram inocentes?

Mimi

Leo Jones é o caso que mais o assombra. Jones mantinha sua inocência, dizia que sua confissão foi coagida, e McAndrew acreditava que a investigação havia sido péssima. Mas quando levou isso ao seu chefe, foi mandado deixar de lado.

Luke

Então temos a preocupação de McAndrew sobre Jones, mas não temos confirmação independente de que Jones era realmente inocente. É o remorso de McAndrew, não necessariamente a verdade sobre o caso.

Mark

E agora, aos 88 anos, ele está ajudando outros detentos. Quantos ele conseguiu tirar do corredor da morte?

Mimi

A reportagem não dá um número específico. Ele diz que "tem tido bastante sucesso", mas não sabemos quantos casos ele realmente ajudou.

Luke

Exatamente. Sabemos que ele trabalha nisso desde 2002, mas não temos dados concretos sobre o impacto real de seus esforços. É uma afirmação dele, não verificada.

Mark

Faz diferença que ele tenha se arrependido?

Mimi

Para McAndrew, claramente faz. Ele diz que sem sua esposa teria se suicidado. Mas para os oito homens que foram executados, não muda nada.

  • McAndrew supervisionou três eletrocussões na Flórida e cinco injeções letais no Texas — oito mortes que ele agora descreve como um peso que o visita todas as noites.
  • O caso de Leo Jones, executado em 1998 com indícios de inocência que McAndrew reconhecia, tornou-se o epicentro de seu colapso psicológico e moral.
  • O ex-diretor chegou a considerar suicídio, bebia todas as noites para suportar a culpa, e foi sua esposa quem o impediu de concretizar o gesto.
  • Aposentado desde 2002, McAndrew percorreu os Estados Unidos discursando contra a pena de morte e ajudando detentos no corredor da morte a obter recursos legais.
  • Aos 88 anos, ele tenta transformar arrependimento em reparação — consciente de que oito mortes não podem ser desfeitas, apenas confrontadas.

Há homens que constroem carreiras inteiras dentro de sistemas que um dia passam a questionar — e Ron McAndrew é um deles. Aos 88 anos, o ex-diretor da Penitenciária Estadual da Flórida carrega o peso de oito execuções que supervisionou entre os anos 1990 e 2002, e agora dedica o tempo que lhe resta a combater a pena de morte que um dia defendeu com convicção. Sua trajetória levanta uma pergunta que transcende sua história pessoal: o que acontece com aqueles a quem o Estado delega o ato de matar em nome da justiça?

Ron McAndrew chegou ao cargo de diretor da Penitenciária Estadual da Flórida em 1996 convicto de que fazia o trabalho certo. Quando lhe perguntaram se teria dificuldade em enviar homens para a morte, respondeu sem hesitar: "Olho por olho, dente por dente." Supervisionou três eletrocussões no estado e depois viajou ao Texas para acompanhar cinco injeções letais. Oito homens morreram sob suas ordens.

Na véspera de cada execução, ele visitava a cela do condenado, pedia privacidade aos guardas e se sentava para conversar. Na manhã seguinte, era parte da máquina: prendia o tornozelo do prisioneiro à cadeira elétrica, posicionava o microfone para as últimas palavras e dava um sinal imperceptível ao executor escondido atrás da parede. Uma máscara de couro quebrava o nariz automaticamente. Sangue escorria. "Mas eles não conseguiam gritar", recorda.

Algo foi se partindo dentro dele ao longo dos anos. Ele passou a levar para casa os dossiês dos casos, obcecado pelas vidas dos homens executados. O caso de Leo Jones — condenado pelo assassinato de um policial, mas que alegava confissão obtida sob coação — o perturbava de forma especial. Quando levou suas dúvidas ao superior, a resposta foi direta: "Esse não é o seu trabalho." Jones foi executado em 1998. McAndrew mal dormia.

Na época de sua terceira execução, bebia todas as noites para anestesiar a dor e chegou a pensar em suicídio. Sua esposa o impediu. Depois veio o caso de Pedro Medina, cuja cabeça pegou fogo durante uma eletrocussão que deu errado — episódio que levou à proibição da cadeira elétrica na Flórida e enviou McAndrew ao Texas para avaliar a injeção letal como alternativa.

Quando se aposentou em 2002, era um homem destruído. Mas não parou: percorreu os Estados Unidos discursando contra a pena de morte e dedicou anos ajudando detentos no corredor da morte a obter recursos legais. Aos 88 anos, McAndrew tenta, com o tempo que lhe resta, confrontar oito mortes que não podem ser desfeitas. "Você realmente começa a pensar no que fez", diz. "Por que fez."

Ron McAndrew passou décadas dentro das prisões da Flórida, subindo na hierarquia até chegar ao cargo que o definiria: diretor da Penitenciária Estadual, o lugar onde o estado executava seus condenados à morte. Era 1996 quando ele assumiu o posto, ambicioso e convencido de que estava fazendo o trabalho certo. Ele supervisionaria três eletrocussões na Flórida e, depois, viajaria ao Texas para acompanhar cinco injeções letais. Oito homens morreram sob suas ordens. Agora, aos 88 anos, McAndrew diz que todas as noites um deles se sentava aos pés de sua cama, encarando-o com um olhar vazio que perguntava silenciosamente: como você pôde fazer isso?

McAndrew não começou em presídios. Na década de 1970, depois de fracassar como vendedor, um amigo lhe sugeriu trabalhar em uma prisão na Flórida. Ele riu da ideia. Mas com o tempo, aceitou. Trabalhou em várias unidades, subindo de agente para sargento, depois tenente, depois major. Quando o perguntaram se teria problema em enviar homens para a morte, respondeu sem hesitar: "Não, senhor. Olho por olho, dente por dente." Naquela época, ele acreditava nisso de verdade.

Na noite anterior a cada execução, McAndrew visitava a cela do condenado. Pedia privacidade aos guardas e se sentava na cama do homem para conversar. Ele descobriu que tinham muitas preocupações. "Fiz o meu melhor para ser uma pessoa que os confortasse", lembra. Na manhã do dia marcado, ele era parte da máquina. Sua responsabilidade específica era prender o tornozelo direito do prisioneiro à cadeira elétrica. Ele colocava um microfone diante do rosto do homem e perguntava quais seriam suas últimas palavras. Vinte e seis testemunhas observavam — juízes, advogados, cidadãos curiosos, como ele os descrevia. Uma máscara de couro era fixada tão apertada que quebrava o nariz automaticamente. Sangue escorria. "Mas eles não conseguiam gritar", diz McAndrew. Então ele dava um sinal imperceptível a um homem de vestes pretas e capuz, escondido atrás de uma parede. O sinal significava uma coisa só: puxe a alavanca.

Algo começou a mudar dentro dele, embora McAndrew não soubesse nomear quando. Ele começou a levar para casa os dossiês dos casos, obcecado pelas vidas dos homens que havia executado. Um deles o perturbava especialmente: Leo Jones, condenado pelo assassinato de um policial em Jacksonville. Jones mantinha sua inocência, dizendo que sua confissão havia sido obtida sob coação. "Essa investigação foi péssima", diz McAndrew. Quando levou suas preocupações ao chefe, a resposta foi simples: "Ron, fique longe desses registros. Esse não é o seu trabalho." Jones foi executado em 1998. McAndrew mal dormia. Quando conseguia, via os prisioneiros em sua mente, vivos novamente, sentados silenciosamente em seu colchão.

Na época de sua terceira execução, ele bebia todas as noites para anestesiar a dor. Pensou em suicídio. Sua esposa, Lynne, o impediu de concretizar a ideia, diz ele. Depois veio o caso de Pedro Medina, cuja cabeça pegou fogo durante uma execução na cadeira elétrica que deu errado. A eletrocussão foi proibida na Flórida. Um governador furioso enviou McAndrew ao Texas para acompanhar um novo método que o estado estava testando: a injeção letal. Ele fez parte da equipe que executou cinco homens dessa forma. "Se fosse humano, não precisariam de oito cintos para imobilizar alguém", diz ele sobre o procedimento que agora é padrão na maioria dos estados americanos.

Quando se aposentou em 2002, McAndrew era um homem destruído. Passou meses entregue aos seus arrependimentos. "Eu gostaria de nunca ter ido para a prisão estadual da Flórida", diz ele. "Eu gostaria de nunca ter me envolvido nesse negócio sujo." Mas não parou ali. Viajou pelos Estados Unidos discursando contra a pena de morte. Dedicou anos ajudando detentos no corredor da morte a obter recursos legais. "Tenho tido bastante sucesso em ajudar detentos a saírem do corredor da morte", diz com um orgulho que falta na maioria de suas outras lembranças. Ele está tentando, com o tempo que lhe resta, corrigir oito erros. "Tive que olhar para mim mesmo", afirmou. "Você realmente começa a pensar no que fez. Por que fez."

Eu realmente acreditava na pena de morte. Hoje, não consigo acreditar que acreditei nisso.
— Ron McAndrew
Tive que olhar para mim mesmo. Você realmente começa a pensar no que fez. Por que fez.
— Ron McAndrew
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