EUA vão classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas a partir de 5 de junho

Segundo o comunicado americano, as facções orquestram ataques contra policiais brasileiros, agentes públicos e civis, sem detalhar números.

Os Estados Unidos decidiram tratar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas, uma escolha que desloca para o campo da segurança nacional americana facções que nasceram nas prisões e nas periferias brasileiras. A medida, anunciada pelo secretário Marco Rubio, passa a produzir efeitos em 5 de junho de 2026, quando tiver sido publicada no diário oficial americano. Ela surge num momento em que a violência dessas redes já ultrapassa o território nacional e em que o debate político brasileiro se cruza com a diplomacia entre Washington e Brasília.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou que pretende classificar o Comando Vermelho e o PCC como Organizações Terroristas Estrangeiras, com efeito a partir de 5 de junho de 2026. Até lá, os dois grupos já passam a ser tratados como Terroristas Globais Especialmente Designados. O comunicado foi divulgado por Marco Rubio, que descreveu as facções como "duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil".

Segundo o texto americano, as facções comandam milhares de membros e orquestraram ataques contra policiais, agentes públicos e civis, sem detalhar números nem casos. Para Washington, sua influência se estende pela região e chega aos Estados Unidos. A justificativa é de segurança nacional, com a promessa de conter o tráfico e os fluxos financeiros que sustentam os grupos.

O anúncio veio dois dias depois de o senador Flávio Bolsonaro pedir ao presidente Donald Trump essa medida. Semanas antes, o presidente Lula esteve em Washington e, segundo interlocutores, buscava justamente evitar esse movimento. O caso segue em atualização, e o que se sabe agora sobre o impacto para o Brasil ainda depende da publicação no Federal Register.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou que vai tratar como organizações terroristas duas das maiores facções criminosas do Brasil: o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC). A designação como Organizações Terroristas Estrangeiras passa a valer em 5 de junho de 2026. O comunicado foi divulgado pelo secretário de Estado, Marco Rubio.

O texto americano faz duas classificações. Hoje, os dois grupos já passam a ser Terroristas Globais Especialmente Designados, conhecidos pela sigla SDGT. O governo dos EUA diz ainda pretender enquadrá-los como Organizações Terroristas Estrangeiras, as FTOs, com efeito a partir de 5 de junho. Segundo o comunicado, essas designações só entram em vigor após a publicação no Federal Register, o diário oficial americano.

Rubio descreveu CV e PCC como "duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil". De acordo com o texto, juntos eles comandam milhares de membros e orquestraram ataques brutais contra policiais brasileiros, agentes públicos e civis. O comunicado afirma que a influência e as redes ilícitas dos grupos se estendem para além das fronteiras do país, por toda a região e até os Estados Unidos. Não há, no documento, números de vítimas nem detalhamento dos ataques.

A justificativa foi apresentada em termos de segurança nacional. Para Rubio, a Administração Trump seguirá usando todas as ferramentas disponíveis para manter drogas ilícitas fora das ruas americanas e interromper os fluxos de receita que financiam o que ele chama de narcoterroristas violentos. A medida, segundo ele, mostra o compromisso do governo em desmantelar cartéis e organizações criminosas na região. O comunicado cita como base legal a seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade e a Ordem Executiva 13224.

O anúncio veio dois dias depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL) se reunir com o presidente Donald Trump na Casa Branca. Ele foi pedir que o governo americano designasse as facções brasileiras como terroristas. Três semanas antes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) havia estado em Washington e, segundo interlocutores de seu governo, tentou, entre outros objetivos, evitar exatamente esse movimento.

A reportagem original indicava que o caso estava em atualização. Ficam em aberto a publicação no Federal Register, que define a entrada em vigor, e os efeitos financeiros e diplomáticos para o Brasil a partir de 5 de junho.

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