Ex-militar da Embaixada dos EUA em Londres foi levado de seu apartamento em 25 de agosto e transportado para território americano sem notificação prévia às autoridades britânicas. Investigação iniciada nos EUA visava o irmão do diplomata, suspeito de enviar material ilegal; autoridades americanas encontraram imagens de abuso infantil no imóvel londrino.
EUA retiram diplomata de Londres em caso de abuso infantil sem avisar polícia britânica
Deveriam ter avisado quando encontraram o material
Por que os EUA não avisaram a polícia britânica antes de levar o diplomata?
Não sabemos ao certo. Mas a fonte citada na reportagem sugere que deveriam ter feito isso — especialmente quando encontraram o material ilegal no apartamento. A operação parece ter sido conduzida como se fosse puramente um assunto americano.
Espera. Os registros de voo mostram um avião chegando e saindo, mas a reportagem admite que não comprovam que o diplomata estava a bordo. Estamos inferindo bastante aqui.
Verdade. Mas as circunstâncias — a operação no mesmo dia, o avião saindo horas depois — levantam a suspeita razoável.
E quanto à imunidade diplomática? Ele estava protegido?
A reportagem não diz explicitamente. Mas o fato de os EUA terem retirado ele sugere que talvez tenham agido antes que a questão da imunidade se tornasse um obstáculo legal.
Ou talvez ele não tivesse imunidade completa. Diplomatas em embaixadas têm proteção, mas nem sempre absoluta. A reportagem não esclarece isso.
Isso lembra o caso Harry Dunn?
Muito. Anne Sacoolas invocou imunidade diplomática e deixou o país. Agora temos outro americano sendo retirado sem que a polícia britânica pudesse agir. O padrão é perturbador.
Mas há uma diferença: Sacoolas foi acusada de um acidente de trânsito. Este caso envolve imagens de abuso infantil — um crime muito mais grave. Os EUA podem ter agido assim justamente porque levam a acusação a sério.
Talvez. Mas o procedimento ainda contorna a justiça britânica. E isso é o que está gerando as reuniões de alto escalão em Londres.
Il Polso
- Diplomata ex-militar retirado de seu apartamento em Putney em 25 de agosto de 2026
- Investigação começou nos EUA, visando o irmão do diplomata como suspeito de enviar material ilegal
- Polícia britânica foi informada apenas no dia da operação, não antes
- Boeing 747 cargueiro saiu de RAF Fairford para Dover, Delaware, no dia seguinte
Ex-militar da Embaixada dos EUA em Londres foi levado de seu apartamento em 25 de agosto e transportado para território americano sem notificação prévia às autoridades britânicas. Investigação iniciada nos EUA visava o irmão do diplomata, suspeito de enviar material ilegal; autoridades americanas encontraram imagens de abuso infantil no imóvel londrino.
Diplomata americano suspeito de possuir imagens de abuso infantil foi retirado de Londres pelos EUA sem aviso prévio à polícia britânica, gerando questionamentos sobre procedimentos judiciais.
Na manhã de 25 de agosto, autoridades americanas entraram no apartamento de um diplomata em Putney, sul de Londres, e o levaram embora. O homem, ex-militar que trabalhava na Embaixada dos EUA em Nine Elms, foi transportado para território americano naquele mesmo dia. A polícia britânica não foi avisada com antecedência. Só soube da operação quando já estava concluída.
A investigação tinha começado nos Estados Unidos e apontava para o irmão do diplomata como suspeito de enviar material ilegal — imagens de abuso sexual infantil. Quando agentes americanos revistaram o apartamento em Londres, encontraram esse material no imóvel. Segundo o Daily Mail, a operação contou com membros da segurança da Embaixada dos EUA. Registros de voo mostram que um Boeing 747 cargueiro da Kalitta Air chegou à base RAF Fairford, onde há presença militar americana, em 24 de agosto, vindo de Chicago. No dia seguinte, a mesma aeronave saiu da base às 17h33 e pousou na Base Aérea de Dover, em Delaware, às 19h44, horário local. Os registros não comprovam que o diplomata estava a bordo, mas as circunstâncias levantam essa suspeita.
A polícia britânica confirmou que foi comunicada pelos EUA sobre a investigação apenas em 25 de agosto — o mesmo dia da operação. "Em 25 de agosto, as autoridades dos EUA nos informaram sobre uma investigação que estão conduzindo sobre suspeitas de crimes em Londres relacionados a imagens indecentes de crianças. Continuamos em contato com eles sobre o assunto", afirmou a corporação. Fontes próximas ao caso questionaram o procedimento. "Eles deveriam ter avisado a Scotland Yard quando realizaram a operação e, certamente, quando encontraram o material", disse uma delas. "O homem pode muito bem enfrentar a Justiça nos EUA, mas deveria estar diante dos tribunais daqui."
O episódio provocou reuniões entre integrantes do alto escalão britânico, incluindo o comissário da Polícia Metropolitana, Mark Rowley, e a ministra do Interior, Shabana Mahmood. O governo britânico respondeu com cautela: "Esperamos que todos os diplomatas estrangeiros no Reino Unido cumpram nossas leis. Como uma investigação dos EUA está em andamento, não seria apropriado fazer mais comentários". A Embaixada dos Estados Unidos também não confirmou a identidade do funcionário nem detalhou a investigação, limitando-se a dizer: "Estamos cientes das alegações envolvendo um indivíduo designado para a Embaixada. O governo dos Estados Unidos espera que todo o pessoal cumpra os mais altos padrões de conduta e levamos essas alegações a sério".
O caso ressuscita tensões diplomáticas entre Washington e Londres que nunca cicatrizaram completamente. Em 2019, o britânico Harry Dunn, de 19 anos, morreu quando sua motocicleta colidiu com um carro dirigido pela americana Anne Sacoolas perto da base RAF Croughton. Sacoolas deixou o Reino Unido invocando imunidade diplomática, e os Estados Unidos rejeitaram um pedido britânico de extradição. Em 2022, Sacoolas se declarou culpada de causar a morte de Dunn por direção imprudente e recebeu sentença de um tribunal britânico por videoconferência, sem retornar ao país. Uma revisão independente publicada em 2025 apontou falhas na atuação do governo britânico durante aquele episódio e apresentou 12 recomendações, todas aceitas pelas autoridades. Agora, com um novo caso envolvendo imunidade diplomática e a retirada de um suspeito sem aviso prévio, o padrão se repete — e as perguntas sobre soberania e justiça voltam à tona.
Citazioni salienti
Eles deveriam ter avisado a Scotland Yard quando realizaram a operação e, certamente, quando encontraram o material— Fonte próxima ao caso
Esperamos que todos os diplomatas estrangeiros no Reino Unido cumpram nossas leis— Governo britânico