EUA reafirmam Doutrina Monroe e omitem apoio a ditaduras na América Latina

A captura de Nicolás Maduro resultou em sua detenção em penitenciária de Nova York, afetando diretamente o ex-líder venezuelano e suas circunstâncias pessoais.
O domínio americano nunca mais será questionado
Frase central do vídeo do Departamento de Estado reafirmando a Doutrina Monroe e a hegemonia dos EUA na América Latina.
Mark

Por que o Departamento de Estado escolheu exatamente este momento para reafirmar a Doutrina Monroe com um vídeo?

Mimi

Porque há uma mudança clara de postura. Os EUA estão sinalizando que voltaram a ver a América Latina como seu quintal estratégico, e precisam que a região entenda isso. A captura de Maduro é o exemplo perfeito: mostra que os EUA podem agir unilateralmente quando acham necessário.

Mark

Mas a Doutrina Monroe é de 1823. Por que ela ainda importa em 2026?

Mimi

Porque nunca deixou de importar. O que mudou é a franqueza. Antes havia uma fachada de respeito à soberania. Agora o governo Trump está dizendo explicitamente: essa é nossa região, e vamos agir como tal. A "Doutrina Donroe" é apenas a versão moderna e sem disfarces.

Mark

O vídeo menciona o Panamá e Cuba, mas ignora ditaduras. Isso é acidental ou proposital?

Mimi

É proposital. Quando você está tentando reafirmar autoridade, não quer lembrar as pessoas de que você apoiou torturadores e assassinos. É mais fácil contar a história como uma série de vitórias estratégicas limpas.

Mark

E a China? Por que ela aparece como a ameaça real?

Mimi

Porque é. Os EUA veem a influência chinesa crescendo na região através de investimentos, infraestrutura, comércio. A Doutrina Monroe sempre foi sobre exclusividade. Agora é sobre impedir que outro poder preencha o espaço.

Mark

Maduro em uma penitenciária de Nova York — isso muda algo para a América Latina?

Mimi

Muda tudo. Mostra que nenhum líder está realmente seguro se os EUA decidirem que é hora de agir. É um aviso, e a região está recebendo a mensagem.

  • O Departamento de Estado lançou um vídeo declarando domínio absoluto sobre a América Latina, reativando uma doutrina de 200 anos como se fosse uma promessa recém-feita.
  • A captura de Maduro — preso em Nova York por narcoterrorismo desde janeiro — é apresentada como prova de que os EUA ainda têm braço longo e vontade de usá-lo.
  • A chamada 'Doutrina Donroe' de Trump expande o projeto original: controle marítimo, combate a cartéis, contenção da China e apoio explícito a aliados de direita como Milei e De la Espriella.
  • O vídeo celebra episódios como o Canal do Panamá e a crise dos mísseis cubanos, mas silencia sobre décadas de apoio norte-americano a golpes e ditaduras na região.
  • A narrativa oficial, ao escolher quais capítulos contar, transforma uma história complexa em propaganda — e essa omissão é, por si só, uma declaração política.

Desde 1823, a Doutrina Monroe tem servido como bússola moral e estratégica dos Estados Unidos nas Américas — um princípio que ora protege, ora domina, conforme a conveniência de cada era. Nesta semana, o Departamento de Estado reacendeu essa chama ao divulgar um vídeo proclamando que a hegemonia norte-americana no continente 'nunca mais será questionada', usando a captura de Nicolás Maduro como símbolo vivo de uma doutrina que, dois séculos depois, ainda molda destinos. O gesto revela menos uma novidade histórica do que uma continuidade: a tensão permanente entre a narrativa de proteção hemisférica e a realidade seletiva de suas intervenções.

Na última terça-feira, o Departamento de Estado dos EUA divulgou um vídeo proclamando que o domínio norte-americano sobre a América Latina 'nunca mais será questionado'. A peça reafirma a Doutrina Monroe e apresenta a captura de Nicolás Maduro — preso em Nova York desde janeiro, acusado de narcoterrorismo — como demonstração concreta de que a doutrina segue viva e operante.

Criada em 1823 pelo presidente James Monroe, a doutrina estabelecia um princípio simples: potências europeias não deveriam interferir nas Américas. Em troca, os EUA prometiam não se envolver nas colônias europeias ainda existentes. Por mais de dois séculos, esse princípio moldou a política externa norte-americana — e agora é descrito pelo próprio Departamento de Estado como a 'pedra angular' da estratégia hemisférica.

A versão contemporânea da doutrina ganhou o apelido de 'Doutrina Donroe' — fusão de Donald e Monroe — cunhado pelo New York Times após Trump divulgar sua nova estratégia de segurança nacional. O plano prevê ampliar a presença naval para controlar rotas marítimas, intensificar o combate a cartéis com uso de força letal e expandir o acesso a locais estratégicos na região. O alvo declarado é conter o avanço chinês pela América Latina.

O vídeo seleciona episódios favoráveis para contar essa história: o apoio à independência do Panamá em 1903 e a crise dos mísseis cubanos em 1962. Omite, porém, o apoio norte-americano a golpes e ditaduras que marcaram o continente ao longo do século 20. Ao escolher quais capítulos iluminar e quais deixar na sombra, a narrativa oficial celebra uma doutrina que, na prática, teve faces muito menos heroicas do que o vídeo sugere.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos divulgou um vídeo nesta terça-feira (11 de agosto) proclamando que o domínio norte-americano sobre toda a América Latina "nunca mais será questionado". A mensagem reafirma a Doutrina Monroe, a estratégia centenária que moldou a presença dos EUA no continente, e apresenta a captura recente do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro como prova viva de sua aplicação contemporânea.

Maduro foi capturado em 3 de janeiro e levado para território norte-americano, onde permanece preso em uma penitenciária de Nova York respondendo a acusações de narcoterrorismo. Segundo o vídeo do Departamento de Estado, essa operação enviou um "forte sinal a todo o hemisfério". A publicação surge em um momento em que os EUA têm demonstrado apoio explícito à direita latino-americana: Trump apoiou aliados de Javier Milei nas eleições legislativas argentinas de 2025 e respaldou Abelardo de la Espriella, eleito presidente da Colômbia neste ano.

A Doutrina Monroe, criada em 1823 pelo presidente James Monroe, estabelecia limites à interferência de potências europeias no continente ocidental. Seu princípio central era simples: "América para os americanos". Os EUA buscavam impedir que as nações europeias recuperassem influência nas Américas e, em troca, prometiam não interferir nas questões internas das colônias europeias que ainda existiam na região. Ao longo de mais de dois séculos, essa doutrina moldou a política externa norte-americana e agora, segundo a legenda do vídeo, continua sendo a "pedra angular" da estratégia dos EUA no hemisfério.

Em dezembro do ano passado, o governo Trump divulgou sua nova estratégia de segurança nacional, que incluía a intenção de retomar a influência americana na região para conter o avanço de potências de outros continentes. O jornal The New York Times apelidou essa nova investida de "Doutrina Donroe", uma fusão dos nomes Donald e Monroe. O documento de estratégia estabelece três elementos principais: ampliar a presença da Guarda Costeira e da Marinha para controlar rotas marítimas, combater imigração ilegal e reduzir tráfico de drogas e pessoas; reforçar a proteção das fronteiras e intensificar o combate aos cartéis de drogas, incluindo o uso de força letal em alguns casos; e estabelecer ou ampliar o acesso dos EUA a locais considerados estratégicos na região. O foco declarado é conter o avanço chinês pela América Latina.

O vídeo do Departamento de Estado reconstrói a história da doutrina através de episódios selecionados. Cita a ação de 1903, quando os EUA apoiaram a independência do Panamá da Colômbia e obtiveram um acordo para construir, operar e defender o Canal do Panamá. Menciona também a crise dos mísseis de Cuba em 1962, quando o presidente John F. Kennedy invocou a Doutrina Monroe após descobrir mísseis soviéticos na ilha.

O que o vídeo omite, porém, é igualmente significativo. A narrativa oficial passa ao largo das intervenções norte-americanas que contribuíram para levar diversos países latino-americanos a regimes ditatoriais ao longo do século 20. Essa seleção cuidadosa de fatos apresenta uma versão da história que celebra a influência americana enquanto silencia sobre o apoio dos EUA a golpes e ditaduras que marcaram a região. A publicação, portanto, oferece uma leitura incompleta da própria doutrina que pretende reafirmar, escolhendo quais capítulos contar e quais deixar nas sombras.

Depois de anos de abandono, os Estados Unidos reafirmarão e aplicarão a Doutrina Monroe para restaurar a proeminência americana no hemisfério ocidental
— Documento de estratégia de segurança nacional do governo Trump
A Doutrina Monroe moldou a política externa dos EUA por mais de dois séculos. O domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado
— Legenda do vídeo do Departamento de Estado
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