EUA mantêm progressos em negociações com Irã, afirma vice-presidente Vance

A linha vermelha é muito simples: o Irã nunca pode ter uma arma nuclear
Vance reafirma a exigência não negociável de Trump nas negociações com Teerã.
Mark

Por que Vance insiste tanto que há progressos se as negociações estão num impasse?

Mimi

Porque progressos diplomáticos não são lineares. Pode haver avanços em questões menores — comunicação aberta, entendimento de posições — mesmo quando os pontos principais ainda estão travados. Vance está sinalizando que a porta continua aberta.

Mark

E a linha vermelha sobre armas nucleares — por que é tão importante para Trump?

Mimi

Porque é a única coisa que une americanos, israelenses e até chineses neste momento. Se o Irã tiver uma bomba nuclear, o equilíbrio de poder no Oriente Médio muda completamente. Tudo mais — bloqueios, ativos congelados — é negociável. Isso não é.

Mark

Israel parece estar sabotando as negociações.

Mimi

Não exatamente sabotagem. Israel tem medo legítimo de que Trump, cansado de negociar, aceite um acordo que deixe o Irã ainda perigoso mas menos isolado. Netanyahu quer vitória total, não um empate que estabilize o regime.

Mark

Por que o Irã ameaça os Emirados?

Mimi

Porque os Emirados estão se aproximando de Israel e dos EUA. Para Teerã, isso é traição regional. As ameaças são um aviso: não se alinhem contra nós ou haverá consequências.

Mark

O cessar-fogo pode desabar?

Mimi

Pode. Está sendo descrito como um paciente crítico — tecnicamente vivo, mas qualquer movimento errado o mata. Se uma das partes fizer algo que a outra considere uma violação, tudo volta ao ponto de partida.

Mark

Qual é o verdadeiro obstáculo aqui?

Mimi

Confiança. Ninguém acredita que o outro vai cumprir o que promete. O Irã não acredita que os EUA vão levantar o bloqueio. Os EUA não acreditam que o Irã vai abandonar suas ambições nucleares. Sem confiança, nem diplomacia funciona.

  • As negociações mediadas pelo Paquistão estão em impasse: uma segunda reunião em Islamabade não saiu do papel, e Trump já rejeitou a proposta iraniana mais recente como inaceitável.
  • O Irã exige o fim do bloqueio naval, o desbloqueio de ativos congelados e o cessar-fogo no Líbano — e se recusa a negociar enquanto essas condições não forem atendidas.
  • Israel teme que Washington, cansado das negociações, aceite um acordo parcial que deixe o programa nuclear iraniano e os mísseis balísticos iranianos intocados.
  • A China entrou como mediadora potencial, com Xi Jinping prometendo não fornecer armas ao Irã e defendendo a abertura do Estreito de Ormuz — um alinhamento inesperado com os objetivos americanos.
  • O Irã ameaçou responsabilizar países que se aliem a Israel, enquanto os Emirados Árabes Unidos negaram ter recebido Netanyahu em visita secreta durante a ofensiva contra Teerã.

Em meio a um dos impasses diplomáticos mais delicados do século, Washington insiste que o diálogo com Teerã ainda tem vida — mas a paz, quando construída sobre linhas vermelhas e desconfianças acumuladas, caminha sempre à beira do precipício. O vice-presidente JD Vance reafirmou que impedir o Irã de obter armas nucleares é a condição inegociável de qualquer acordo, enquanto China, Paquistão, Israel e os Emirados Árabes Unidos orbitam o processo com interesses próprios e lealdades ambíguas. O que está em jogo não é apenas um tratado, mas a arquitetura de segurança de toda uma região.

O vice-presidente americano JD Vance saiu a público nesta quinta-feira para defender o processo diplomático com o Irã, insistindo que progressos estão sendo feitos e que uma solução pacífica permanece possível. A linha vermelha da administração Trump é clara: Teerã não pode obter armas nucleares. Vance sinalizou abertura a diferentes caminhos, desde que todos levem a esse resultado.

Em paralelo, Trump e o presidente chinês Xi Jinping, reunidos em cúpula bilateral em Pequim, reafirmaram que o Estreito de Ormuz deve permanecer aberto e que o Irã não pode ser uma potência nuclear. Xi ofereceu mediação e prometeu não fornecer equipamento militar ao regime iraniano — um alinhamento que fortalece a posição americana, ao menos no plano retórico.

No entanto, as negociações diretas, mediadas pelo Paquistão desde um cessar-fogo iniciado em abril, enfrentam obstáculos concretos. O Irã exige o fim das hostilidades no Líbano, a suspensão do bloqueio naval e o desbloqueio de ativos congelados no exterior. Teerã considera as apreensões recentes de navios e o bloqueio do Estreito como violações do cessar-fogo, e se recusa a participar de novas rodadas enquanto essas questões não forem resolvidas. O presidente do parlamento iraniano foi categórico: Washington deve aceitar a proposta iraniana, sem alternativas.

Israel acompanha o processo com desconfiança crescente. Fontes de alto escalão em Tel Aviv revelaram temer que Trump, impaciente, aceite um acordo parcial que deixe o programa nuclear e os mísseis balísticos iranianos intactos. A Casa Branca garantiu a Israel que o urânio enriquecido será parte de qualquer acordo final, mas a inquietação persiste. A tensão se aprofundou com a revelação de uma visita secreta de Netanyahu aos Emirados Árabes Unidos — que o país negou — e com as ameaças do chanceler iraniano a nações que se aproximem de Israel. O cenário que emerge é o de uma negociação viva, mas cercada por desconfiança de todos os lados.

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, saiu em defesa da administração Trump nesta quinta-feira, insistindo que as negociações diplomáticas com o Irã continuam avançando e que uma solução pacífica ainda é possível. Falando sobre os contatos mantidos com os enviados especiais da Casa Branca Steve Witkoff e Jared Kushner, além de aliados americanos no Oriente Médio, Vance deixou claro que Washington tem uma prioridade não negociável: impedir que Teerã desenvolva armas nucleares.

A questão, segundo Vance, é simples em sua formulação mas complexa em sua execução. O presidente Trump estabeleceu uma linha vermelha intransponível — garantir que o regime iraniano nunca tenha acesso às armas mais perigosas do mundo. "Há muitas maneiras de alcançar esse objetivo", disse o vice-presidente, sinalizando que a administração está aberta a diferentes caminhos diplomáticos, desde que levem a esse resultado final. O que importa agora é se os progressos até aqui serão suficientes para satisfazer essa exigência fundamental.

Vance também aproveitou a ocasião para defender Trump contra críticas recentes. O presidente havia feito comentários sobre não estar preocupado com a situação financeira dos americanos e o aumento dos preços da gasolina, gerando reações negativas. Vance caracterizou isso como uma deturpação das palavras de Trump, afirmando que tanto o presidente quanto toda a equipe estão, sim, preocupados com as dificuldades econômicas do povo americano.

Enquanto isso, em Pequim, Trump e o presidente chinês Xi Jinping reafirmaram em uma cúpula bilateral que o Estreito de Ormuz deve permanecer aberto sem taxas e que o Irã não pode possuir armas nucleares. Xi ofereceu-se para ajudar a resolver o conflito entre Washington e Teerã, e prometeu não fornecer equipamento militar ao regime iraniano. Esse apoio chinês marca um alinhamento significativo em torno dos objetivos americanos.

No entanto, as negociações diretas enfrentam obstáculos reais. Washington e Teerã estão em diálogo mediado pelo Paquistão desde um cessar-fogo que começou em 8 de abril e foi prorrogado indefinidamente. Uma segunda reunião em Islamabad não conseguiu sair do papel porque as divergências criaram um impasse. Trump rejeitou a proposta iraniana mais recente como inaceitável, comparando o cessar-fogo atual a um paciente em estado crítico — vivo, mas frágil.

O Irã, por sua vez, exigiu o fim imediato de todas as hostilidades na região, incluindo os combates entre Israel e o Hezbollah no Líbano. Teerã também quer que Washington suspenda seu bloqueio naval aos portos iranianos e desbloqueie os ativos congelados no exterior. O regime considera as apreensões recentes de navios iranianos e o bloqueio do Estreito de Ormuz como violações do cessar-fogo, o que explica sua recusa em participar de novas rodadas de negociação por enquanto. Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do parlamento iraniano, foi direto: não há alternativa senão que Washington aceite a proposta de Teerã.

Israel, porém, vê o processo com profunda desconfiança. Fontes de alto escalão em Tel Aviv revelaram à CNN que o governo israelense teme que Trump se canse das negociações e aceite qualquer acordo, mesmo que parcial, com concessões de última hora. Para Israel, uma guerra incompleta — uma que deixe o programa nuclear iraniano parcialmente intacto, ignorando mísseis balísticos e o apoio iraniano a grupos regionais — seria inaceitável. O governo israelense quer que a guerra termine com objetivos plenamente alcançados. A Casa Branca já garantiu a Israel que a questão do urânio enriquecido iraniano será abordada em qualquer acordo final.

A tensão aumentou quando o gabinete de Netanyahu anunciou que o primeiro-ministro visitou secretamente os Emirados Árabes Unidos durante a ofensiva contra o Irã, sendo recebido pelo presidente Mohammed bin Zayed Al-Nahyan. O Irã respondeu com ameaças. Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores iraniano, advertiu que "inimizade com o grande povo do Irã é uma aposta insensata" e que aqueles que se aliam a Israel para semear discórdia "serão responsabilizados". Os Emirados, porém, desmentiu que Netanyahu tivesse visitado o país ou que qualquer delegação militar israelense tivesse sido recebida lá. O que fica claro é que as negociações avançam em um cenário de desconfiança mútua, com múltiplos atores — Israel, Irã, Emirados, China — tentando influenciar um resultado que ainda está longe de ser certo.

Há muitas maneiras de alcançar esse objetivo. O presidente nos lançou numa via diplomática por agora e é nisso que estou concentrado
— JD Vance, vice-presidente dos EUA
Inimizade com o grande povo do Irã é uma aposta insensata. Aqueles que se aliam a Israel para semear a discórdia serão responsabilizados
— Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores iraniano
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