Em dezembro de 2004, uma mulher atravessou a fronteira entre o Kansas e o Missouri com uma mentira simples e cometeu um dos crimes mais perturbadores da história penal americana. Dezesseis anos depois, Lisa Montgomery se tornará a primeira mulher executada pelo governo federal dos Estados Unidos desde 1953, encerrando um capítulo que expõe, ao mesmo tempo, a brutalidade humana e as complexidades de um sistema de justiça que raramente chega a esse ponto com réus do sexo feminino. O caso reacende debates antigos sobre pena de morte, saúde mental e a linha tênue entre punição e justiça.
EUA executarão primeira mulher em 70 anos por matar grávida e roubar bebê
Montgomery estrangulou a vítima, cortou seu abdômen e roubou o bebê
Por que esse caso específico ressurge agora, depois de tanto tempo sem execuções federais de mulheres?
Porque a administração Trump decidiu retomar as execuções federais em 2020, depois de 17 anos de pausa. Montgomery estava na fila desde 2007, mas o sistema federal simplesmente não estava executando ninguém. Agora está.
A defesa dela argumentou sobre danos cerebrais e trauma infantil. Por que isso não funcionou?
O júri ouviu esses argumentos em 2007 e ainda assim recomendou unanimemente a morte. Às vezes a evidência do crime é tão grave que as explicações psicológicas não conseguem mudar a sentença.
Qual é a diferença real entre ser condenado à morte em nível federal versus estadual?
Crimes federais são aqueles que atravessam fronteiras estaduais ou envolvem questões de jurisdição nacional. Mas a pena de morte em si funciona de forma semelhante. O que é raro é que o governo federal raramente a aplica — apenas três execuções em 30 anos, até 2020.
O bebê sobreviveu. Como é possível que uma criança tão pequena tenha passado por isso?
O bebê foi recuperado com um dia de vida e entregue ao pai. Fisicamente, sobreviveu. Mas a mãe biológica foi assassinada na tentativa de roubar a criança. Essa é a realidade que fica por trás dos números.
Montgomery será executada em dezembro. Há algo que possa impedir isso?
Tecnicamente, sempre há possibilidades legais — apelos, clemência presidencial. Mas com a recomendação unânime do júri em 2007 e a administração atual acelerando execuções federais, as chances são mínimas.
O Pulso
- Montgomery planejou e executou o assassinato de Bobbie Jo Stinnett, grávida de oito meses, com uma frieza metódica que chocou investigadores e jurados.
- O bebê sequestrado — arrancado do ventre da mãe morta — foi recuperado com apenas um dia de vida, mas a família Stinnett carrega uma perda irreparável.
- A defesa tentou salvar Montgomery alegando danos cerebrais e traumas severos da infância, mas o júri votou unanimemente pela pena de morte.
- A execução, marcada para 8 de dezembro, será a oitava realizada pelo governo federal em 2020, após 17 anos sem execuções federais — uma aceleração sem precedentes recentes.
- O caso reacende o debate sobre a raridade histórica de execuções femininas federais e sobre os limites da responsabilidade penal diante de históricos de abuso.
Em dezembro de 2004, uma mulher atravessou a fronteira entre o Kansas e o Missouri com uma mentira simples e cometeu um dos crimes mais perturbadores da história penal americana. Dezesseis anos depois, Lisa Montgomery se tornará a primeira mulher executada pelo governo federal dos Estados Unidos desde 1953, encerrando um capítulo que expõe, ao mesmo tempo, a brutalidade humana e as complexidades de um sistema de justiça que raramente chega a esse ponto com réus do sexo feminino. O caso reacende debates antigos sobre pena de morte, saúde mental e a linha tênue entre punição e justiça.
Em dezembro de 2004, Lisa Montgomery saiu do Kansas com um pretexto banal — comprar um cachorro — e foi até a casa de Bobbie Jo Stinnett, no Missouri. O que aconteceu ali resultaria em sua condenação à morte e, agora, em sua execução marcada para 8 de dezembro: ela será a primeira mulher executada pelo governo federal americano em quase setenta anos.
Stinnett estava grávida de oito meses. Montgomery a estrangulou até a inconsciência, usou uma faca de cozinha para cortar seu abdômen e, quando a vítima acordou e resistiu, a estrangulou até a morte. Levou o bebê consigo. Uma hora depois, a mãe de Stinnett encontrou o corpo. A criança, com apenas um dia de vida, foi recuperada e entregue ao pai.
Montgomery foi presa no dia seguinte, rastreada por análise forense de conversas no computador da vítima. Em 2007, o júri a condenou por sequestro e assassinato, recomendando unanimemente a pena capital. Seus advogados argumentaram que ela sofria de distúrbios mentais decorrentes de espancamentos na infância, mas o argumento não prosperou.
A última mulher executada pelo governo federal havia sido Bonnie Heady, em 1953. Entre 1988 e 2018, apenas 78 pessoas foram condenadas à morte em processos federais, e somente três foram executadas antes de 2020. Em julho deste ano, a administração Trump retomou as execuções federais após 17 anos de pausa. A de Montgomery será a nona deste ano — uma aceleração que transforma um caso já perturbador em marco histórico do sistema penal americano.
Em dezembro de 2004, Lisa Montgomery dirigiu do Kansas até a casa de Bobbie Jo Stinnett, no Missouri, com um pretexto simples: comprar um cachorro. O que aconteceu dentro daquela casa transformaria Montgomery na primeira mulher a ser executada pelo governo federal dos Estados Unidos em quase sete décadas. O Departamento de Justiça anunciou no sábado que ela receberia uma injeção letal em 8 de dezembro.
Stinnett estava grávida de oito meses quando Montgomery a atacou. A sequência de eventos foi brutal e metódica. Montgomery estrangulou a vítima até que perdesse a consciência, depois pegou uma faca de cozinha e cortou seu abdômen. Quando Stinnett acordou durante a agressão, uma luta se desenrolou, mas Montgomery conseguiu estrangulá-la até a morte. Depois removeu o bebê do corpo e o sequestrou. Uma hora após a morte, a mão de Stinnett encontrou o corpo e acionou os serviços de emergência. O bebê, com apenas um dia de vida, foi recuperado e entregue aos cuidados do pai.
A polícia prendeu Montgomery no dia seguinte, graças a avanços em análise forense computacional que permitiram rastreá-la através de conversas no computador de Stinnett. Em 2007, um júri a considerou culpada de sequestro e assassinato, recomendando por unanimidade a pena de morte. Os advogados de Montgomery argumentaram que ela sofria de distúrbios mentais causados por danos cerebrais resultantes de espancamentos na infância, mas esse argumento não prevaleceu.
A execução de Montgomery marca um momento significativo no sistema de justiça federal americano. A última mulher executada pelo governo federal foi Bonnie Heady, morta em uma câmara de gás no Missouri em 1953. Desde então, nenhuma mulher havia sido condenada à morte em nível federal até Montgomery. A execução federal de Brandon Bernard, condenado por assassinar dois líderes religiosos em 1999, também está marcada para dezembro. O procurador-geral William Barr descreveu os crimes pelos quais ambos foram condenados como "assassinatos especialmente hediondos".
A distinção entre execuções federais e estaduais é importante para entender por que esse caso é raro. Nos Estados Unidos, crimes podem ser julgados em tribunais federais ou estaduais, dependendo de sua natureza. A pena de morte foi proibida nacionalmente em 1972, mas uma decisão de 1976 permitiu aos estados restabelecê-la, e em 1988 o governo federal aprovou legislação tornando-a disponível novamente em nível federal. Entre 1988 e 2018, apenas 78 pessoas foram condenadas à morte em processos federais, e apenas três foram executadas antes de 2020.
Em julho passado, a administração Trump retomou as execuções federais pela primeira vez em 17 anos. As execuções de Montgomery e Bernard serão a oitava e nona realizadas pelo governo federal este ano, marcando uma aceleração dramática após décadas de inatividade. O caso de Montgomery permanece um dos mais perturbadores do sistema penal federal, combinando a raridade de uma execução de mulher com a brutalidade extrema do crime que a levou ao corredor da morte.
Citações Notáveis
Os crimes pelos quais essas pessoas foram condenadas à pena de morte foram assassinatos especialmente hediondos— Procurador-geral William Barr