EUA e aliados de extrema direita realizam exercício militar na Amazônia peruana

A defesa da pátria dos EUA e a segurança do Hemisfério Ocidental são uma só
Declaração do vice-secretário do Departamento de Guerra dos EUA sobre a integração estratégica da América Latina à segurança nacional americana.
Mark

Por que um exercício militar na Amazônia peruana importa tanto? Parece um treinamento tático comum.

Mimi

Porque não é apenas sobre selva. É sobre Trump redefinir a América Latina como zona de segurança nacional dos EUA e estruturar militarmente essa visão com aliados de extrema direita.

Luke

Mas o exercício em si — combate em floresta densa — é uma capacidade real que exércitos precisam. Como você separa o treinamento legítimo da estratégia geopolítica?

Mimi

Você não separa. Os dois existem simultaneamente. O treinamento é real. A estratégia também é. O que importa é que todos os dezessete países que assinaram compromissos bilaterais são governos alinhados com Trump.

Mark

Dezessete países é muitos. Isso significa que a maioria da América Latina já está integrada nessa estrutura?

Luke

Não exatamente. Dezessete é significativo, mas não é a maioria. E o documento não diz se todos esses países têm a mesma profundidade de envolvimento ou se alguns assinaram apenas acordos mínimos.

Mimi

Verdade. Mas o padrão é claro: Argentina, Chile, Peru — os que participaram do exercício — são os mais alinhados. Os outros variam em grau de comprometimento.

Mark

E a Doutrina Monroe? Trump realmente quer restaurá-la?

Mimi

Segundo sua Estratégia de Segurança Nacional, sim. Quer impedir que potências externas controlem ativos vitais na região. Isso é Monroe com linguagem moderna.

Luke

Mas quem são essas "potências externas"? A China? A Rússia? O documento não especifica, e isso importa porque muda o que a estratégia realmente visa.

Mimi

Sim, não está explícito. Mas dado o contexto geopolítico, provavelmente ambas. E talvez também a capacidade de países latino-americanos de agirem independentemente.

Mark

Então Trump está dizendo que a segurança dos EUA depende de controlar o que acontece em toda a América Latina?

Mimi

Exatamente. Humire disse isso de forma direta: "Do Ártico ao extremo sul das Américas, a defesa da pátria dos EUA e a segurança do Hemisfério Ocidental são uma só."

  • Pela primeira vez na história, forças armadas de quatro países realizaram manobras conjuntas em floresta densa amazônica — um terreno que nenhum exército havia usado antes como campo de treinamento compartilhado.
  • O Comando Sul dos EUA enquadrou o exercício não como cooperação regional, mas como preparação para defender o 'Hemisfério Ocidental', sinalizando uma redefinição estratégica de toda a América Latina como zona de segurança vital americana.
  • Trump ameaçou abertamente com uso da força na região durante discurso na ONU, na mesma semana do exercício, tornando explícita a pressão política que acompanha a expansão militar.
  • Dezessete países já assinaram compromissos bilaterais com Washington desde novembro de 2025, todos integrados ao 'Escudo das Américas' — uma rede de alinhamento que avança silenciosamente pelas capitais do continente.
  • A linguagem oficial americana — do 'Corolário Trump' à 'preeminência no Hemisfério Ocidental' — indica que a militarização não é conjuntural, mas parte de uma doutrina coerente e em expansão.

Em setembro de 2026, quatrocentos soldados de quatro nações treinaram juntos pela primeira vez na floresta amazônica peruana — um gesto que, na superfície, falava de interoperabilidade tática, mas que, em sua profundidade, revelava a reativação de uma velha ambição: a tutela americana sobre um hemisfério inteiro. O exercício Southern Vanguard não foi um evento isolado, mas um marco visível na arquitetura do 'Escudo das Américas', iniciativa que já vincula dezessete países a compromissos bilaterais de segurança com Washington. A Doutrina Monroe, nascida no século 19, encontrou na selva peruana sua forma mais contemporânea e militarizada.

Quatrocentos soldados dos Estados Unidos, Argentina, Chile e Peru chegaram à região de San Martín, na Amazônia peruana, entre 7 e 18 de setembro de 2026, para realizar o Southern Vanguard 2026 — o primeiro exercício militar conjunto já feito naquele bioma. O objetivo declarado era desenvolver capacidade de combate em selva e fortalecer a coordenação entre as forças armadas dos países participantes. Mas o que despertou a atenção de diplomatas e analistas foi a linguagem escolhida para descrever o evento.

O Comando Sul dos EUA enquadrou o treinamento como preparação para defender o 'Hemisfério Ocidental' — uma categoria estratégica central no governo Trump. O Pentágono falou em 'contingências reais' e 'prontidão operacional', mas a mensagem subjacente era mais ampla: Washington estava estruturando a defesa coletiva de um continente inteiro, com aliados selecionados e comprometidos.

Essa reorientação tem raízes no final de 2025, quando a Estratégia de Segurança Nacional de Trump reativou explicitamente a Doutrina Monroe e prometeu restaurar a 'preeminência americana' no hemisfério. Na semana do exercício, Trump foi ainda mais direto: em discurso na Assembleia Geral da ONU, ameaçou com o uso da força na América Latina caso interesses americanos fossem prejudicados.

Todos os países participantes do Southern Vanguard integram o 'Escudo das Américas', iniciativa criada por Trump para militarizar a região. O alcance dessa estrutura foi detalhado em março, quando Joseph Humire, vice-secretário do Departamento de Guerra, informou ao Congresso que dezessete nações — entre elas Argentina, Chile, Peru, Equador, Panamá e Paraguai — já haviam assinado compromissos bilaterais de cooperação em segurança de fronteiras, combate ao narcoterrorismo e proteção de infraestruturas críticas.

Humire encerrou seu depoimento com uma frase que circulou pelas capitais latino-americanas: 'Do Ártico ao extremo sul das Américas, a defesa da pátria dos EUA e a segurança do Hemisfério Ocidental são uma só.' O exercício na Amazônia peruana, portanto, não foi apenas um treinamento. Foi o momento em que uma estratégia de controle regional se tornou visível, documentada e integrada em estruturas permanentes — com perspectiva clara de expansão.

Quatrocentos soldados chegaram à Amazônia peruana em setembro para fazer o que nenhum exército havia feito antes naquele bioma: treinar juntos em floresta densa. Durante duas semanas, entre 7 e 18 de setembro, militares dos Estados Unidos, Argentina, Chile e Peru participaram do exercício batizado Southern Vanguard 2026, na região de San Martín. O objetivo declarado era simples — aprender a combater e vencer em cenários de selva, fortalecer a coordenação entre as forças armadas, desenvolver interoperabilidade tática. Mas o que chamou a atenção de diplomatas e analistas não foi o treinamento em si. Foi a linguagem usada para descrevê-lo.

O Comando Sul dos Estados Unidos, em suas comunicações oficiais, enquadrou o exercício como preparação para defender o "Hemisfério Ocidental" — um termo que o governo Trump transformou em categoria estratégica central. Não se tratava apenas de preparar soldados para a selva. Tratava-se de preparar aliados para proteger o que Washington considera sua região de segurança vital. O Pentágono explicou que o treinamento oferecia aos países parceiros a oportunidade de aprimorar a prontidão por meio de operações que simulavam contingências reais no terreno complexo da Amazônia. Mas a mensagem subjacente era mais ampla: os EUA estavam estruturando a defesa coletiva de um hemisfério inteiro.

Esta arquitetura militar reflete uma reorientação estratégica que começou no final de 2025, quando os órgãos de defesa norte-americanos redefiniram suas prioridades e colocaram a América Latina no topo. A Estratégia de Segurança Nacional de Trump deixa isso explícito no papel. O documento promete reativar a Doutrina Monroe — a política do século 19 que declarava o continente americano fora dos limites da interferência europeia — e restaurar o que chama de preeminência americana no Hemisfério Ocidental. Seu objetivo é impedir que potências externas controlem ativos considerados vitais. Em seu discurso na Assembleia Geral da ONU na semana anterior ao exercício, Trump ameaçou abertamente com o uso da força na América Latina caso os interesses americanos fossem prejudicados.

O que torna o Southern Vanguard 2026 significativo não é apenas sua escala ou localização. É que todos os participantes representavam governos de extrema direita e fazem parte do Escudo das Américas, uma iniciativa criada por Trump especificamente para militarizar a região. Quando as imagens do exercício foram divulgadas nas contas oficiais do Departamento de Guerra dos EUA — apenas ontem, semanas após as atividades — elas documentavam um momento de consolidação dessa estratégia.

O alcance dessa consolidação ficou evidente em depoimento prestado em 17 de março perante um subcomitê do Congresso norte-americano. Joseph Humire, vice-secretário do Departamento de Guerra, descreveu o avanço com precisão militar. Desde novembro de 2025, disse ele, o Departamento de Guerra obteve compromissos bilaterais de dezessete países: Argentina, Bahamas, Belize, Bolívia, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Guiana, Honduras, Jamaica, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago. Cada um desses compromissos expressa a intenção compartilhada de cooperar em segurança de fronteiras, combate ao narcoterrorismo e proteção de infraestruturas críticas contra o que Humire chamou de "controle maligno".

Humire completou seu depoimento com uma frase que ecoou pelos corredores militares e diplomáticos das principais capitais latino-americanas. "Do Ártico ao extremo sul das Américas, a defesa da pátria dos EUA e a segurança do Hemisfério Ocidental são uma só", afirmou. Ele descreveu as ações em curso como demonstração de determinação em proteger os interesses americanos e fazer cumprir o que chamou de aplicação moderna do "Corolário Trump" da Estratégia de Segurança Nacional à Doutrina Monroe. A linguagem era clara: a militarização não era um exercício isolado, mas parte de uma estratégia coerente de reafirmação do controle americano sobre uma região inteira.

O exercício na Amazônia peruana, portanto, não marca apenas um marco na cooperação militar regional. Marca o ponto em que essa estratégia se tornou visível, documentada, e integrada em estruturas permanentes de coordenação entre dezessete nações. O que vem a seguir é a expansão dessa capacidade operacional conjunta e o aprofundamento da presença militar dos EUA em um continente que Washington redefiniu como essencial à sua própria segurança nacional.

Do Ártico ao extremo sul das Américas, a defesa da pátria dos EUA e a segurança do Hemisfério Ocidental são uma só
— Joseph Humire, vice-secretário do Departamento de Guerra dos EUA
O exercício oferece às nações aliadas a oportunidade de desenvolver e aprimorar a interoperabilidade e a prontidão por meio de operações combinadas que simulam contingências reais no terreno complexo e desafiador da Selva Amazônica
— Pentágono
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