EUA ampliam sanções contra TPI em campanha para desmantelar tribunal internacional

desmantelar sistematicamente o TPI até que ele seja incapaz de ameaçar
Rubio explicita o objetivo americano: não apenas limitar o tribunal, mas torná-lo inoperante.
Mark

Por que os EUA estão tão determinados a desmantelar o TPI agora, especificamente?

Mimi

Porque o tribunal ameaça investigar autoridades americanas e israelenses — dois aliados centrais da política externa americana. O mandado contra Netanyahu foi o ponto de ruptura.

Mark

Mas os EUA nunca foram membros do TPI. Como o tribunal pode investigar cidadãos americanos?

Mimi

Pode investigar crimes cometidos em territórios de países membros, ou quando vítimas são cidadãs de países membros. É por isso que o TPI investigou operações americanas no Afeganistão — porque afegãos são vítimas.

Mark

E a Venezuela? Por que um governo apoiado pelos EUA sairia do tribunal?

Mimi

Porque o TPI estava investigando Nicolás Maduro. Ao sair, o governo interino remove essa ameaça jurídica. É uma troca: apoio americano em troca de abandono do tribunal.

Mark

Isso funciona? Outros países vão sair?

Mimi

Alguns já saíram. Mas muitos países africanos e europeus veem o TPI como essencial para a justiça internacional. A pressão americana é real, mas a resistência também é.

Mark

E se o TPI for realmente desmantelado?

Mimi

Seria um golpe na ideia de responsabilidade internacional. Crimes de guerra, crimes contra a humanidade — ficaria mais fácil cometê-los sem consequências legais globais.

  • Sanções contra Tomoko Akane (presidente do TPI) e Abdoulaye Seye (advogado sênior)
  • Mandado de prisão contra Benjamin Netanyahu emitido em novembro de 2024
  • Venezuela e Chade anunciaram saída do TPI em julho de 2026
  • Campanha de "todo o governo" liderada pelo Departamento de Estado americano

EUA sancionaram presidente e advogado sênior do TPI por investigações contra países não-membros do tribunal. Trump lidera campanha de governo para pressionar países a abandonarem o TPI e cortarem financiamento ao tribunal.

O secretário de Estado americano Marco Rubio sancionou duas autoridades do TPI em campanha para desmantelar o tribunal, acusando-o de investigar nações sem consentimento de jurisdição.

Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, anunciou nesta terça-feira (18 de agosto) novas sanções contra duas autoridades do Tribunal Penal Internacional. A medida atinge Tomoko Akane, presidente do tribunal e cidadã japonesa, e Abdoulaye Seye, advogado sênior de julgamento e senegalês. Segundo Rubio, ambos participaram de investigações do TPI contra nações cujos governos nunca consentiram com a jurisdição da corte.

Essas sanções fazem parte de uma campanha mais ampla do governo Trump para desmantelar o tribunal internacional. Rubio anunciou no mês anterior uma "campanha de todo o governo", liderada pelo Departamento de Estado, com o objetivo explícito de pressionar outros países a abandonarem o TPI e cortarem seu financiamento. Os Estados Unidos ameaçam impor "escrutínio maior" aos países que não aderirem à campanha.

A hostilidade americana contra o tribunal não é nova. Durante seu primeiro mandato, Trump já havia sancionado o TPI por investigar supostos crimes de guerra cometidos por forças americanas no Afeganistão. Mas a tensão escalou dramaticamente em novembro de 2024, quando o tribunal emitiu mandados de prisão contra o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. O TPI afirmou ter encontrado "fundamentos razoáveis" para acreditar que Netanyahu tinha responsabilidade criminal por crimes de guerra durante operações militares em Gaza, incluindo o "uso da fome como método de guerra" e crimes contra a humanidade como assassinato e perseguição.

Rubio deixou claro o objetivo americano: "A capacidade do TPI de perseguir cidadãos americanos e de outros países que não são Estados Partes precisa acabar." Ele afirmou que o governo Trump está "preparado para adotar medidas adicionais, se necessário, para desmantelar sistematicamente o TPI até que ele seja incapaz de ameaçar a soberania americana." Um funcionário americano acrescentou que países que cooperam com os EUA, abrigam presença militar americana ou se beneficiam do sistema de segurança americano estão sendo chamados a rejeitar a autoridade do TPI.

A campanha já colhe resultados. No final de julho, o governo interino da Venezuela, apoiado pelos Estados Unidos, anunciou sua retirada do tribunal. O ministro das Relações Exteriores venezuelano argumentou que as "ações do Tribunal refletem um evidente viés geográfico", concentrando sua atuação em países africanos e latino-americanos. O Departamento de Estado americano elogiou a decisão, afirmando que o TPI havia desperdiçado recursos investigando pessoas de países com "sistemas judiciais competentes e independentes".

O Chade também anunciou sua saída do tribunal no final de julho, após o lançamento da campanha americana. A Presidência da Assembleia dos Estados Partes do TPI recebeu ambas as retiradas "com preocupação", alertando que as saídas "correm o risco de enfraquecer a busca coletiva por justiça e os esforços globais para acabar com a impunidade". O tribunal permanece sem comentar publicamente sobre as novas sanções impostas por Rubio.

A capacidade do TPI de perseguir cidadãos americanos e de outros países que não são Estados Partes precisa acabar
— Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA
As retiradas correm o risco de enfraquecer a busca coletiva por justiça e os esforços globais para acabar com a impunidade
— Presidência da Assembleia dos Estados Partes do TPI
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