Num tempo em que a diplomacia e a força se recusam a ceder uma à outra, o embaixador norte-americano na ONU, Mike Waltz, admitiu ao Financial Times que o confronto com o Irão pode prolongar-se por mais um ano, sem saída à vista. A guerra, iniciada a 28 de fevereiro e prestes a completar oito meses, transformou o estreito de Ormuz, outrora por onde passava um quinto do petróleo mundial, num nó de tensão que nenhuma das partes parece disposta a desatar. Waltz não arrisca cenários, mas aposta que Teerão acabará por sentar-se à mesa a sério, enquanto Washington sustenta o bloqueio naval e aperta a
EUA admitem impasse com o Irão até daqui a um ano e mantêm bloqueio a Ormuz
Um embaixador admite que o impasse com o Irão pode durar mais um ano
Porque é que esta frase de Waltz merece atenção? Um embaixador a admitir um impasse de um ano.
Porque contrasta com o que foi prometido. Trump falou em quatro a cinco semanas e a guerra vai quase em oito meses. Agora a própria administração aceita que pode não haver solução à vista.
E o que sustenta essa posição, na prática?
O bloqueio naval aos portos iranianos e as sanções a quem comercie com o Irão. Waltz diz que a Marinha pode manter o bloqueio num futuro previsível.
Convém separar o que é dito do que é confirmado. O um ano é uma hipótese que Waltz admite, não uma previsão. Ele próprio recusou cenários hipotéticos.
E a ofensiva depois das eleições?
Foi noticiada pelo The New York Times: uma operação breve e intensa, possivelmente contra instalações nucleares, mísseis, drones e energia.
Mas é um relato de imprensa. A notícia não diz que haja confirmação oficial, nem datas, nem alvos decididos. Não sabemos se o plano existe nessa forma.
E Ormuz? Está fechado ou não?
Os iranianos bloqueiam-no, mas os EUA restabeleceram parte do tráfego por uma rota a sul, perto de Omã. Antes da guerra passava ali 20% do petróleo mundial.
A notícia não quantifica quanto tráfego foi recuperado. Fala de "parte", e isso fica por medir.
The Pulse
- O embaixador Mike Waltz admite que a guerra com o Irão pode arrastar-se por mais um ano, sem sinal de cedência em Ormuz.
- O bloqueio naval aos portos iranianos e a escalada das sanções económicas pressionam Teerão, mas também prolongam o desgaste.
- Relatos do The New York Times apontam para uma nova ofensiva conjunta com Israel depois das eleições intercalares de 3 de novembro.
- Trump, que prometia uma guerra de quatro a cinco semanas, enfrenta impopularidade e preços de combustíveis em alta, com o futuro do conflito ligado ao calendário eleitoral.
Num tempo em que a diplomacia e a força se recusam a ceder uma à outra, o embaixador norte-americano na ONU, Mike Waltz, admitiu ao Financial Times que o confronto com o Irão pode prolongar-se por mais um ano, sem saída à vista. A guerra, iniciada a 28 de fevereiro e prestes a completar oito meses, transformou o estreito de Ormuz, outrora por onde passava um quinto do petróleo mundial, num nó de tensão que nenhuma das partes parece disposta a desatar. Waltz não arrisca cenários, mas aposta que Teerão acabará por sentar-se à mesa a sério, enquanto Washington sustenta o bloqueio naval e aperta as sanções.
Numa entrevista ao Financial Times, o embaixador dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz, admitiu algo que poucos queriam ouvir em voz alta: Washington pode estar, daqui a um ano, exatamente onde está hoje, num impasse com o Irão. Falou sem dramatismo, mas sem fechar a porta a essa hipótese. As negociações de paz estão estagnadas e a situação no estreito de Ormuz não dá sinais de se resolver.
A guerra começou a 28 de fevereiro, com uma ofensiva dos Estados Unidos e de Israel. Trump garantiu que duraria entre quatro e cinco semanas. Quase oito meses depois, o conflito tornou-se muito impopular entre os norte-americanos, fez disparar os preços dos combustíveis e perturbou cadeias de abastecimento essenciais. O centro do problema é Ormuz, por onde passava cerca de 20% do petróleo mundial e que os iranianos bloquearam. Washington conseguiu reabrir parte do tráfego por uma rota ao longo de Omã e mantém um bloqueio aos portos iranianos, que Waltz garante poder sustentar durante muito tempo.
A pressão alargou-se à economia. Com a suspensão dos ataques, os Estados Unidos passaram a sancionar pessoas e entidades que negoceiam com Teerão, num esforço para cortar o financiamento da República Islâmica, campanha que a administração está a intensificar.
Entretanto, o The New York Times noticiou que Washington e Israel poderão preparar uma nova ofensiva, breve e intensa, para depois das eleições intercalares de 3 de novembro. Não se trata de um plano oficial. O calendário político pesa: em setembro, Trump acusou Teerão de prolongar o conflito até novembro para o prejudicar, numa eleição decisiva para o controlo do Congresso. Resta saber se o dia 3 de novembro trará negociação, uma nova ofensiva ou o impasse que o próprio embaixador já admite.
Numa entrevista ao jornal britânico Financial Times, o embaixador dos Estados Unidos junto da ONU, Mike Waltz, admitiu que Washington pode estar, daqui a um ano, no mesmo impasse com o Irão em que se encontra hoje. Disse-o sem dramatismo, mas sem fechar a porta a essa hipótese: a estagnação das negociações de paz e a situação complexa, sem sinais de resolução, no estreito de Ormuz podem arrastar-se.
Waltz, que representa a administração do Presidente Donald Trump na ONU e foi antes assessor do líder republicano para este conflito, recusou entrar em cenários hipotéticos. Disse esperar que, antes de um ano, os líderes iranianos se sentem à mesa para negociar a sério. A esperança, portanto, está posta numa mudança de atitude de Teerão, e não num prazo concreto.
A guerra começou em 28 de fevereiro, com uma ofensiva conduzida pelos Estados Unidos e por Israel, e está quase a completar oito meses. Trump tinha garantido inicialmente que duraria entre quatro e cinco semanas. Tornou-se, segundo a notícia, muito impopular entre os norte-americanos, fez disparar os preços dos combustíveis e interrompeu cadeias de abastecimento vitais.
O centro do impasse é Ormuz, por onde passava 20% do petróleo mundial antes da guerra e que os iranianos bloquearam. Os Estados Unidos conseguiram, ainda assim, restabelecer parte do tráfego marítimo ao longo de uma rota meridional, junto a Omã. Em paralelo, mantêm um bloqueio aos portos e costas iranianas. Waltz insistiu que o Presidente e a Marinha norte-americana podem sustentá-lo num futuro previsível.
A pressão não é só naval. Depois da suspensão dos ataques, Washington passou a travar uma guerra económica contra Teerão, com sanções a indivíduos e entidades que mantenham relações comerciais com o país, num esforço para isolar a República Islâmica. Waltz recordou que a administração está a intensificar essa campanha, que visa cortar as vias de financiamento do Irão.
As declarações surgem no mesmo momento em que o The New York Times noticiou, esta semana, que Estados Unidos e Israel estarão a preparar uma nova ofensiva para depois das eleições intercalares de 3 de novembro. Segundo o jornal, seria uma operação breve e intensa, com possíveis ataques a instalações nucleares, arsenais de mísseis e drones e infraestruturas energéticas iranianas. Trata-se de relatos de imprensa, não de um plano confirmado oficialmente.
O calendário político pesa. Em setembro, Trump acusou Teerão de prolongar o conflito até novembro para o prejudicar politicamente, numa eleição em que o seu partido joga o controlo das duas câmaras do Congresso. Resta saber se o dia 3 de novembro traz negociação, uma nova ofensiva ou a continuação do impasse que o próprio embaixador já admite.
Notable Quotes
É de esperar que, antes disso, os líderes iranianos se sentem à mesa para negociar a sério.— Mike Waltz, embaixador dos EUA junto da ONU, ao Financial Times
O Presidente e a Marinha dos Estados Unidos podem manter o bloqueio num futuro previsível.— Mike Waltz, embaixador dos EUA junto da ONU