Na próxima segunda-feira, em Washington, a história comercial entre dois países volta a um cenário conhecido: um instrumento jurídico americano de 1974 transforma práticas brasileiras, do Pix ao setor agrícola, em matéria de julgamento público. O que está em jogo vai além de tarifas, porque toca a forma como um país soberano negocia sua economia e a própria política interna, onde a acusação de entreguismo e a defesa da autonomia se confrontam. A audiência mostrará quem fala e o que dizem os setores mais expostos, mas o desfecho ainda depende de uma disputa que se decide tanto em Brasília quant
EUA abrem audiência sobre práticas comerciais do Brasil sob a Seção 301, com Flávio Bolsonaro na lista de participantes
Entre os alvos da Seção 301 está o Pix
O que acontece na segunda-feira, afinal?
O USTR faz uma audiência pública em Washington, às 9h de Brasília, sobre práticas comerciais do Brasil, dentro da Seção 301.
E por que o nome de Flávio Bolsonaro chama tanta atenção?
Ele consta no cronograma dos painéis, é pré-candidato à Presidência e aliado de Trump. Dias antes, pediu o adiamento do tarifaço em carta ao USTR.
Vale separar: o que está confirmado é que o nome dele está no cronograma e que a carta existiu. O conteúdo da fala dele na audiência ainda é desconhecido.
E a reação de Lula?
Foi dura. Ele disse no X que a família Bolsonaro, com entreguismo, quer submeter o Brasil aos interesses dos EUA.
Isso é a leitura do presidente sobre a carta, não um fato apurado. E o texto não detalha o que a carta pedia além do adiamento.
Há outros setores no painel?
Sim, arroz, pela Abiarroz, e café, pelo Cecafé, entre outros. São setores que sentem as tarifas de perto.
Mas a reportagem não diz o que eles vão defender. Também não há número sobre o impacto; a avaliação de que seria setorial e limitado é da análise de Gribel.
E o Pix?
É citado como um dos alvos, e o governo brasileiro já o defendeu em resposta aos EUA.
Il Polso
- O USTR convocou audiência pública sobre práticas comerciais do Brasil com base na Seção 301, instrumento que pode punir países considerados injustos com empresas americanas.
- O Pix entra na mira americana, transformando um sistema de pagamentos brasileiro em peça central de uma disputa comercial.
- Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, está na lista de participantes após pedir ao USTR o adiamento do tarifaço, e a carta virou arma política.
- Lula acusou a família Bolsonaro de entreguismo, e a tensão em Brasília se soma à pressão vinda de Washington.
- Representantes do arroz e do café se preparam para falar, mas o impacto setorial tende a ser limitado e o custo político deve recair sobre quem negociou com os EUA.
Na próxima segunda-feira, em Washington, a história comercial entre dois países volta a um cenário conhecido: um instrumento jurídico americano de 1974 transforma práticas brasileiras, do Pix ao setor agrícola, em matéria de julgamento público. O que está em jogo vai além de tarifas, porque toca a forma como um país soberano negocia sua economia e a própria política interna, onde a acusação de entreguismo e a defesa da autonomia se confrontam. A audiência mostrará quem fala e o que dizem os setores mais expostos, mas o desfecho ainda depende de uma disputa que se decide tanto em Brasília quanto na capital americana.
Na próxima segunda-feira, 6, a partir das 9h de Brasília, uma sala da Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos, em Washington, receberá uma audiência pública sobre as políticas comerciais do Brasil. O Escritório do Representante Comercial dos EUA convocou o encontro com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, ferramenta usada por Washington para investigar práticas estrangeiras consideradas prejudiciais às empresas americanas. Entre os alvos está o Pix, o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.
Entre os participantes aparece o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência e aliado de Donald Trump. Na quarta-feira, 1º, ele havia pedido ao USTR o adiamento do tarifaço, em carta que agora se tornou o centro da disputa política. Também estão previstos representantes de exportadores de arroz e de café.
Lula reagiu nas redes sociais, afirmando ser inaceitável que a família Bolsonaro, com o que chamou de entreguismo, tente submeter o Brasil aos interesses americanos. Segundo ele, o país seguirá dialogando de igual para igual com qualquer nação.
Uma análise publicada pelo Estadão avalia que o tarifaço já não provoca o mesmo temor de antes. O impacto deve ser setorial e limitado, mas o custo político pode recair sobre Flávio Bolsonaro, acusado de prejudicar o país. A audiência mostrará quem fala em Washington, enquanto a disputa sobre a postura diante dos americanos segue aberta em Brasília.
Na próxima segunda-feira, 6, a partir das 9h no horário de Brasília, uma sala da Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos, em Washington, será palco de uma audiência pública sobre as políticas e práticas comerciais do Brasil. Quem a convocou foi o Escritório do Representante Comercial dos EUA, o USTR, que enquadra o caso na Seção 301 da Lei de Comércio americana, de 1974.
Essa seção é um instrumento que o governo dos Estados Unidos tem usado para investigar e punir práticas de outros países que a Casa Branca considera injustas ou prejudiciais às empresas americanas. No caso brasileiro, um dos alvos apontados é o Pix, o sistema de pagamentos instantâneos.
O cronograma dos painéis já traz nomes conhecidos. Entre os participantes está o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, aliado de Donald Trump. Na quarta-feira, 1º, ele havia pedido ao USTR o adiamento do tarifaço, em carta que agora está no centro da disputa política.
A lista inclui ainda representantes de setores exportadores: Andressa Silva, da Associação Brasileira da Indústria do Arroz, a Abiarroz, e Marcos Matos, do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil, o Cecafé. A reportagem menciona que há outros participantes, sem detalhá-los.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, reagiu à carta de Flávio. Em publicação no X, afirmou que é inaceitável que a família Bolsonaro, com o que chamou de entreguismo, queira submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos, o que, segundo ele, ficava claro no documento enviado naquele dia por um de seus integrantes ao governo americano. Lula acrescentou que o país sempre dialogará de igual para igual com qualquer nação do mundo.
O episódio se soma a uma sequência recente. Em reportagens anteriores, o Estadão registrou que os EUA publicaram a decisão da investigação sobre supostas práticas incoerentes do Brasil e propuseram uma tarifa de 25%. O governo Lula, por sua vez, defendeu o Pix em resposta aos americanos e propôs negociações bilaterais sobre etanol.
Uma análise de Alvaro Gribel, publicada pelo jornal, avalia que o tarifaço já não provoca o mesmo medo. O impacto na economia tende a ser setorial e limitado, mas o custo político será elevado para Flávio Bolsonaro, que deve ser acusado de prejudicar o país.
A audiência de segunda-feira mostrará quem fala em Washington e o que dizem os setores diretamente expostos, enquanto a disputa em Brasília sobre a postura diante dos americanos segue aberta.
Citazioni salienti
É inaceitável que a família Bolsonaro, com o seu entreguismo, queira submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos.— Lula, em publicação no X