'Eu não vou fugir do Brasil', afirma Bolsonaro após indiciamento da PF

Eu vou para a cadeia, eu não vou fugir do Brasil
Bolsonaro reafirma compromisso de permanecer no país apesar de indiciamento por tentativa de golpe e passaporte retido.
Mark

Como você lê essa declaração de Bolsonaro agora, depois de ter sugerido fuga três dias antes?

Mimi

É uma mudança de tom significativa. Ele estava testando a reação, talvez, ou genuinamente considerando opções. Agora está fechando a porta — ou pelo menos dizendo que está.

Luke

Mas precisamos ser claros: ele não tem escolha real. O passaporte está retido. Moraes negou a liberação na semana passada. Então quando ele diz "não vou fugir", é importante perguntar: isso é uma decisão dele ou uma realidade imposta?

Mark

Ele menciona ter voltado dos Estados Unidos sabendo dos riscos. Isso muda algo?

Mimi

Muda a narrativa que ele quer contar sobre si mesmo — alguém que enfrenta as consequências. Mas também é verdade que ele voltou quando tinha menos pressão. Agora a pressão é máxima.

Luke

E sobre a inelegibilidade? Ele questiona a decisão do TSE, mas o TSE já decidiu. Duas vezes. Ele está argumentando contra fatos consumados.

Mark

Ele parece estar apostando em 2026 com Michelle, Eduardo ou Flávio. É uma estratégia viável?

Mimi

É uma forma de manter a direita mobilizada e de sinalizar que a luta continua, mesmo que ele não possa ser candidato. Michelle tem números próximos aos de Lula em algumas pesquisas.

Luke

Mas "próximos à margem de erro" é o que ele mesmo disse. E isso era antes do evento em Washington. Não sabemos ainda qual será o impacto real da ausência dele na posse de Trump.

Mark

E a anistia? Ele realmente acha que o Congresso vai aprovar?

Mimi

Ele está sinalizando que é uma prioridade. Se a direita vencer em 2026, é provável que seja uma das primeiras ações. Se perder, fica mais difícil.

Luke

Mas há 39 outras pessoas indiciadas. A anistia não é apenas sobre Bolsonaro — é sobre todos eles. E a opinião pública sobre anistia para atos de 8 de janeiro ainda é dividida.

  • O indiciamento de Bolsonaro por golpe de Estado, abolição do Estado Democrático e organização criminosa coloca sobre ele a sombra de uma possível pena de 28 anos — a mais grave de sua trajetória pública.
  • A contradição entre declarar que poderia fugir e, três dias depois, afirmar que irá à cadeia antes de deixar o Brasil gerou desconfiança e alimentou o debate sobre suas reais intenções.
  • Com o passaporte bloqueado por Alexandre de Moraes, Bolsonaro foi impedido de comparecer à posse de Trump, ausência que ele descreveu como constrangedora e da qual espera retorno político.
  • Questionando sua inelegibilidade e defendendo anistia para os condenados do 8 de janeiro, Bolsonaro tenta reposicionar a narrativa: de réu a vítima de perseguição institucional.
  • Sem poder concorrer, o ex-presidente projeta Michelle, Eduardo e Flávio Bolsonaro como possíveis candidatos em 2026, mantendo a família como eixo da direita brasileira.

Três dias após sugerir que poderia deixar o país, o ex-presidente Jair Bolsonaro declarou à CNN Brasil que permanecerá no Brasil e, se necessário, irá à prisão — uma afirmação que chega enquanto ele enfrenta indiciamento pela Polícia Federal por crimes que podem resultar em 28 anos de condenação. Com o passaporte retido por ordem do STF e impedido de comparecer à posse de Donald Trump, Bolsonaro navega entre a pressão judicial e a articulação política, projetando nomes da própria família para disputar a presidência em 2026. O momento revela um homem que, mesmo destituído de poder formal, busca permanecer no centro da narrativa política brasileira.

A Polícia Federal indiciou Jair Bolsonaro e outras 39 pessoas pela suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Os crimes atribuídos — abolição violenta do Estado Democrático, golpe de Estado e organização criminosa — somam pena de até 28 anos. Em entrevista à CNN Brasil nesta quinta-feira, Bolsonaro foi direto: não vai fugir do Brasil. "Eu vou para a cadeia, eu não vou fugir", afirmou, lembrando que poderia ter permanecido nos Estados Unidos ou na Argentina, mas escolheu voltar.

A declaração veio três dias depois de ele ter sugerido, em entrevista a uma rádio, que poderia deixar o país — fala que gerou especulação imediata. Seu passaporte está retido desde fevereiro do ano anterior por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF, justamente para impedir uma eventual fuga. A retenção também o impediu de comparecer à posse de Donald Trump, evento no qual foi representado pelo filho Eduardo e pela ex-esposa Michelle.

Bolsonaro contestou a decisão do TSE que o declarou inelegível em duas ações — uma sobre reunião com embaixadores, outra sobre o discurso de 7 de setembro de 2022 — argumentando não ter gasto recursos próprios nem abusado de poder político. Comparou sua situação à de opositores venezuelanos tornados inelegíveis por 15 anos, dizendo que sem ele a eleição de 2026 será "parecida com a da Venezuela".

Sem poder concorrer, o ex-presidente não descartou candidaturas de Michelle, Eduardo ou do senador Flávio Bolsonaro. Descreveu Michelle como "um bom nome com chances" e brincou que exigiria ser nomeado ministro-chefe da Casa Civil em caso de vitória dela. Voltou ainda a defender a anistia aos condenados pelo 8 de janeiro, classificando a ausência do perdão como "uma maneira de eliminar a direita no Brasil". Sobre o medo de ser preso, foi lacônico: "Hoje em dia, qualquer um pode ser preso sem motivo nenhum".

A Polícia Federal indiciou Jair Bolsonaro e outras 39 pessoas na investigação sobre a tentativa de golpe de Estado que teria ocorrido após as eleições de 2022. Os crimes atribuídos ao ex-presidente — abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa — podem resultar em uma condenação de até 28 anos de prisão. Nesta quinta-feira, em entrevista à CNN Brasil, Bolsonaro respondeu às acusações com uma declaração direta: não vai fugir do Brasil, mesmo com o passaporte retido desde fevereiro do ano anterior por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

A retenção do documento foi determinada para impedir que o ex-presidente deixasse o país e escapasse de uma possível condenação. Bolsonaro já tentou recuperar o passaporte em quatro ocasiões, sendo a mais recente na semana anterior, quando Moraes argumentou que ele vinha defendendo a fuga do país e o asilo no exterior para os condenados pelos atos de 8 de janeiro. A Procuradoria-Geral da República se opôs à liberação, sustentando que a viagem não atendia a interesses vitais do ex-presidente. "Eu vou para a cadeia, eu não vou fugir do Brasil. Eu podia ter ficado lá quando eu fui para os Estados Unidos. Quando eu fui para a posse do Milei, eu poderia ter ficado, mas vim para cá, sabendo de todos os riscos que estou correndo", afirmou.

A declaração veio três dias após Bolsonaro ter dito a uma rádio que poderia deixar o país, gerando especulação sobre suas intenções. A impossibilidade de viajar o impediu de comparecer à posse do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na semana anterior. Bolsonaro lamentou a ausência, dizendo estar "constrangido" e esperando que Trump o apoie na reversão de sua inelegibilidade política. Seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, e sua ex-esposa, Michelle Bolsonaro, representaram-no no evento em Washington.

Durante a entrevista, Bolsonaro questionou a decisão do Tribunal Superior Eleitoral que o declarou inelegível em duas ações, uma sobre uma reunião com embaixadores e outra sobre comemorações do dia 7 de setembro de 2022. Ele argumentou que não abusou do poder político ao se reunir com embaixadores e que, quando discursou para quase um milhão de pessoas em um carro de som após as celebrações de 7 de setembro, não gastou recursos próprios nem utilizou estrutura oficial. "Se eu não for candidato, por uma perseguição de um ministro, que diz que eu abusei do poder político ao me reunir com embaixadores... Abuso de poder econômico. Não gastei um centavo naquilo", disse.

Ao ser questionado sobre as opções da direita para as eleições presidenciais de 2026, Bolsonaro não descartou candidaturas de sua ex-esposa Michelle, do filho Eduardo ou do senador Flávio Bolsonaro. Ele descreveu Michelle como "um bom nome com chances" de se eleger, brincando que uma das condições seria sua nomeação como ministro-chefe da Casa Civil em caso de vitória dela. Sobre Flávio, disse ser "um excelente nome, preparado, com experiência", e sobre Eduardo, destacou sua maturidade e vasto conhecimento de mundo. Bolsonaro afirmou que, sem sua presença, a eleição de 2026 será "parecida com a da Venezuela", onde candidatos como María Corina Machado e Henrique Capriles foram tornados inelegíveis por 15 anos.

O ex-presidente voltou a defender a aprovação de um projeto de lei que anistiaria os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 nos prédios dos Três Poderes em Brasília. Ele disse esperar que "não seja preciso eleger alguém de direita em 2026" para que os perdões sejam concedidos, caracterizando a falta de anistia como "uma maneira de eliminar a direita no Brasil". Quando questionado se teme ser preso, Bolsonaro respondeu de forma genérica: "Hoje em dia, qualquer um pode ser preso sem motivo nenhum, como tinha gente que nem em Brasília estava e foi preso. Está na mão de uma pessoa decidir o futuro de qualquer um".

Eu vou para a cadeia, eu não vou fugir do Brasil. Eu podia ter ficado lá quando eu fui para os Estados Unidos, mas vim para cá, sabendo de todos os riscos que estou correndo
— Jair Bolsonaro, em entrevista à CNN Brasil
Sem a minha presença, é uma eleição parecida com a da Venezuela, onde a María Corina e o Capriles foram tornados inelegíveis por 15 anos
— Jair Bolsonaro, sobre as eleições de 2026
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