ETF do Ibovespa sobe 8,5% em Tóquio; real se valoriza após primeiro turno

O ponto central não é o nome, mas a mudança fiscal
Analista explica por que mercados reagiram à vantagem de Flávio no primeiro turno.
Mark

Por que o mercado reagiu tão rápido a um resultado que ainda deixa tudo em aberto? Não há segundo turno daqui a três semanas?

Mimi

Exatamente. Mas o mercado não espera — ele tenta antecipar. A reação em Tóquio e Chicago aconteceu porque investidores viram na vantagem de Flávio a possibilidade de uma política fiscal mais austera, e isso reduz o risco que eles cobram para investir no Brasil.

Luke

Mas isso é especulação pura, certo? Flávio não ganhou. Ninguém sabe ainda qual será sua política econômica, quem estará na equipe dele, nada disso.

Mimi

Verdade. Por isso os analistas deixam claro que essa melhora pode ser revertida se a disputa apertar nas pesquisas. É uma aposta, não uma certeza.

Mark

E quanto aos setores que supostamente se beneficiam — construção, varejo, educação? Eles já começaram a subir?

Mimi

Não sabemos ainda. O Ibovespa estava fechado quando o resultado saiu. Os analistas estão apenas dizendo quais setores teoricamente ganhariam com juros mais baixos.

Luke

Então a gente tem uma reação de mercado em dois países, uma explicação que faz sentido teórico, mas nenhuma confirmação de que isso vai se manter ou que os setores citados vão realmente se beneficiar?

Mimi

Exatamente. É por isso que segunda-feira será importante — é quando veremos se a reação inicial se sustenta ou se o mercado brasileiro muda de ideia.

Mark

E se a economia global continuar pressionando os juros para cima? Isso anula tudo?

Mimi

Não anula, mas limita. Um analista citou que a pressão global sobre juros e o endividamento dos governos podem impedir uma queda mais intensa das taxas brasileiras, mesmo com uma política fiscal melhor aqui.

Luke

Então o melhor cenário para o Brasil seria uma vitória de Flávio E uma melhora nas condições globais. Mas nenhuma dessas coisas está garantida.

  • Com as urnas fechadas e os mercados domésticos ainda adormecidos, foram Tóquio e Chicago que deram o primeiro veredicto financeiro do pleito brasileiro.
  • O ETF do Ibovespa disparou 8,42% e o dólar recuou cerca de 4,6% frente ao real, numa reação que analistas atribuem à expectativa de austeridade fiscal sob um eventual governo Flávio Bolsonaro.
  • Setores sensíveis a juros — construção civil, varejo, educação e bancos — surgem como os principais candidatos a ganhar caso a percepção de menor risco fiscal se consolide.
  • Analistas alertam que parte dos ganhos pode evaporar se o segundo turno apertar nas pesquisas ou se os nomes da equipe econômica decepcionarem o mercado.
  • O cenário global impõe um teto ao otimismo: a pressão sobre juros internacionais e o endividamento elevado dos governos podem limitar o quanto o Brasil consegue surfar nessa onda.

Enquanto o Brasil repousava após o primeiro turno eleitoral, seus mercados já falavam em Tóquio e Chicago: o ETF que espelha o Ibovespa saltou 8,42% e o real avançou quase 5% no mercado futuro, sinalizando que investidores globais leram a vantagem de Flávio Bolsonaro como promessa de maior disciplina fiscal. É o eterno diálogo entre democracia e capital — onde o voto ainda não secou, mas o preço já antecipa o amanhã.

Enquanto o Brasil dormia na noite de domingo, seus mercados já acordavam do outro lado do mundo. Em Tóquio, o fundo que espelha as principais ações brasileiras disparou 8,42%, saltando de 294,7 para 319,5 ienes. Em Chicago, o real avançava 4,78% no mercado futuro, com o dólar recuando cerca de 4,6%. Esses movimentos eram a primeira leitura que os investidores globais faziam do resultado do primeiro turno: Flávio Bolsonaro à frente de Lula, mas sem maioria, com segundo turno marcado para 25 de outubro.

Com a Bolsa e o câmbio domésticos fechados quando as urnas encerraram, os negócios no exterior funcionaram como termômetro antecipado. Analistas foram unânimes na explicação: o mercado não reagia ao nome do candidato, mas à expectativa de uma política fiscal mais rigorosa. A economista-chefe da KAT Investimentos, Elisa Machado, sintetizou o raciocínio — menor risco fiscal tende a reduzir o prêmio exigido pelos investidores, pressionar juros futuros para baixo e favorecer tanto o real quanto o Ibovespa.

Setores específicos surgiam como os mais propensos a se beneficiar: construção civil, varejo e educação, por serem sensíveis a juros, além de bancos e empresas endividadas. As estatais também poderiam reagir à perspectiva de mudança de gestão, mas com maior volatilidade.

A ressalva, porém, era clara. Machado alertava que os ganhos poderiam ser devolvidos caso a disputa voltasse a se apertar nas pesquisas, ou caso os nomes da equipe econômica decepcionassem. E o ambiente externo impunha seu próprio limite: a pressão sobre juros globais e o endividamento elevado dos governos ao redor do mundo poderiam impedir uma queda mais intensa das taxas brasileiras — lembrando que o Brasil, por mais que mude internamente, nunca está de todo isolado das correntes do capital global.

Enquanto o Brasil dormia na noite de domingo, seus mercados acordavam do outro lado do mundo. Em Tóquio, um fundo que espelha as principais ações brasileiras disparou 8,42% nos primeiros negócios da segunda-feira local — saltando de 294,7 ienes na sexta para 319,5 ienes. Simultaneamente, em Chicago, o real ganhava força no mercado futuro, avançando 4,78% e chegando a US$ 0,19945 por unidade, o que representava uma queda de cerca de 4,6% do dólar em relação à cotação anterior. Esses movimentos não eram aleatórios. Eles refletiam a primeira leitura que os investidores globais faziam do resultado do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras.

Flávio Bolsonaro havia terminado o domingo à frente de Luiz Inácio Lula da Silva, mas nenhum dos dois alcançou a maioria necessária para encerrar a disputa. Um segundo turno estava marcado para 25 de outubro. Como a Bolsa brasileira e o mercado de câmbio estavam fechados quando as urnas fecharam, os negócios no exterior funcionaram como termômetro — indicando como os investidores poderiam reagir quando os mercados domésticos abrissem na segunda-feira.

Os analistas eram unânimes em apontar a razão por trás da valorização: a expectativa de uma política fiscal mais rigorosa sob um eventual governo Flávio. Elisa Machado, economista-chefe da KAT Investimentos, resumiu o ponto central: não se tratava do nome do candidato em si, mas da probabilidade de uma mudança na trajetória das contas públicas. Uma percepção de menor risco fiscal, segundo os especialistas, teria o potencial de reduzir o prêmio de risco que os investidores cobram para aplicar dinheiro no Brasil, pressionar os juros futuros para baixo e, consequentemente, favorecer tanto o real quanto a Bolsa.

Setores específicos da economia brasileira poderiam se beneficiar particularmente dessa dinâmica. Alexandre Pletes, head de renda variável da Faz Capital, apontou construção civil, varejo e educação como segmentos mais sensíveis aos juros e, portanto, mais propensos a ganhar com uma eventual queda das taxas. Bancos e empresas mais endividadas também entrariam nessa lista de beneficiários, conforme avaliação de Ronaldo Guimarães, sócio e conselheiro da KAT Investimentos. As estatais, por sua vez, poderiam reagir à perspectiva de mudança de gestão, mas com maior volatilidade.

Contudo, essa reação inicial carregava uma ressalva importante. A melhora nos preços dos ativos brasileiros não estava garantida até o fim da eleição. Machado alertava que parte dos ganhos poderia ser devolvida se a disputa voltasse a se apertar nas pesquisas do segundo turno. Além disso, as propostas econômicas apresentadas durante a campanha e os nomes escolhidos para uma eventual equipe econômica continuariam mexendo com os preços nos próximos dias.

O cenário internacional também representava um limite ao movimento dos ativos brasileiros. Pletes citava a pressão sobre os juros globais e o elevado endividamento dos governos como fatores capazes de impedir uma queda mais intensa das taxas brasileiras, mesmo que a política fiscal doméstica melhorasse. Em outras palavras, o Brasil não estava isolado — as correntes globais de capital e as condições macroeconômicas mundiais continuariam exercendo influência sobre quanto o real poderia se valorizar e quanto o Ibovespa poderia subir nos próximos dias.

O ponto central não é o nome do candidato, e sim a probabilidade de uma mudança na trajetória fiscal
— Elisa Machado, economista-chefe da KAT Investimentos
Parte dessa melhora pode ser devolvida se a disputa voltar a se apertar nas pesquisas do segundo turno
— Elisa Machado, economista-chefe da KAT Investimentos
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