Etanol fica vantajoso em 6 estados após mudança de ICMS na gasolina

O etanol só compensa quando sua vantagem de preço supera sua desvantagem de consumo
A decisão entre etanol e gasolina depende de uma equação que vai além do preço visível na bomba.

Uma alteração na alíquota do ICMS sobre a gasolina, combinada com uma queda de 4,62% no preço do etanol, redesenhou silenciosamente o mapa de conveniência dos combustíveis no Brasil em junho de 2023. Em seis estados — São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal — o etanol passou a custar menos por quilômetro rodado do que a gasolina, invertendo uma lógica que havia prevalecido por meses. O episódio lembra que as escolhas cotidianas do consumidor estão sempre enredadas em teias fiscais e regionais que mudam sem aviso, exigindo atenção constante de quem quer tomar a decisão mais racional.

  • A mudança na cobrança do ICMS sobre a gasolina elevou o preço do combustível fóssil e abriu uma brecha que o etanol, em queda de 4,62%, soube ocupar em parte do país.
  • A comparação direta de preços por litro engana: o etanol consome cerca de 30% mais por quilômetro, e só vence quando sua vantagem de preço supera essa desvantagem de eficiência.
  • Em São Paulo, o etanol saía por R$ 0,441 por quilômetro contra R$ 0,464 da gasolina — uma economia real; no Rio Grande do Sul, o etanol a R$ 5,79 o litro tornava a conta impossível.
  • A vantagem identificada pela Ticket Log é geograficamente fragmentada e temporalmente frágil: o que vale hoje em Goiás pode não valer amanhã no Pará.
  • Consumidores de veículos flex precisam calcular, estado por estado e semana por semana, qual combustível realmente poupa dinheiro — o hábito pode estar custando caro.

Uma alteração na alíquota do ICMS sobre a gasolina reconfigurou, em junho de 2023, a disputa entre os dois combustíveis mais usados no Brasil. Levantamento da Ticket Log, empresa de gestão de frotas, mostrou que na primeira quinzena do mês o etanol se tornou financeiramente vantajoso em seis estados: Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São Paulo.

O movimento foi impulsionado por dois fatores simultâneos: a gasolina comum fechou a quinzena praticamente estável, a R$ 5,55 o litro (alta de apenas 0,54%), enquanto o etanol recuou 4,62%, chegando à média nacional de R$ 3,92. Essa combinação criou uma janela de oportunidade que não existia nos meses anteriores.

A análise, porém, vai além do preço na bomba. A Ticket Log mede o custo por quilômetro rodado, levando em conta que um carro a etanol consome cerca de 30% mais combustível do que o mesmo veículo a gasolina. Em São Paulo, o etanol saía por R$ 0,441 por quilômetro, contra R$ 0,464 da gasolina — vantagem clara. Em Minas Gerais, a diferença era menor, mas ainda favorável ao etanol. No Distrito Federal, os dois combustíveis chegaram a um quase empate.

Fora desses seis estados, a gasolina permanecia mais econômica. No Rio Grande do Sul, o etanol atingiu R$ 5,79 o litro — o mais caro do país —, tornando-o inviável. Em estados como Maranhão, Pará e Tocantins, mesmo com gasolina mais cara, o consumo excessivo do etanol anulava qualquer vantagem de preço.

Douglas Pina, diretor-geral de Mobilidade da Edenred Brasil, destacou que essa dinâmica exige atenção contínua do consumidor. A vantagem do etanol é sempre local e temporária: muda conforme os preços flutuam, os impostos se ajustam e as cadeias de distribuição se movem. Quem abastece por hábito, sem fazer as contas, pode estar pagando mais do que precisa.

A mudança na forma como o governo cobra impostos sobre a gasolina reconfigurou o mapa de vantagens entre os dois combustíveis mais usados no Brasil. Pela primeira vez em meses, abastecer com etanol passou a fazer mais sentido financeiro em seis estados — Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São Paulo. A descoberta vem de um levantamento realizado pela Ticket Log, empresa especializada em gestão de frotas, que analisou preços da primeira quinzena de junho de 2023.

O gatilho foi a alteração na alíquota do ICMS incidente sobre a gasolina, que elevou o preço médio nacional do combustível fóssil. Porém, o impacto não foi tão dramático quanto se poderia esperar. O litro da gasolina comum fechou a quinzena em R$ 5,55, praticamente estável quando comparado a maio — uma variação de apenas 0,54%. O que realmente mudou foi o comportamento do etanol. O preço do combustível de cana-de-açúcar recuou 4,62% no mesmo período, chegando a uma média nacional de R$ 3,92 por litro. Essa queda simultânea à estabilidade da gasolina criou uma janela de oportunidade que não existia antes.

Mas a vantagem do etanol não é tão simples quanto comparar o preço do litro. A Ticket Log utiliza uma métrica mais sofisticada: o custo por quilômetro rodado. Esse cálculo leva em conta não apenas o preço, mas também o consumo médio de cada combustível. Um carro movido a etanol consome cerca de 30% mais combustível que o mesmo veículo abastecido com gasolina — o etanol rende aproximadamente 8,5 quilômetros por litro, enquanto a gasolina atinge 11,5 quilômetros por litro. Essa diferença de eficiência é crucial. O etanol só compensa financeiramente quando sua vantagem de preço supera essa desvantagem de consumo.

Em São Paulo, por exemplo, o etanol custava R$ 3,75 por litro contra R$ 5,34 da gasolina comum. Convertendo para custo por quilômetro rodado, o etanol saía por R$ 0,441 enquanto a gasolina custava R$ 0,464 — uma vantagem clara. Situação semelhante ocorria em Minas Gerais, onde o etanol a R$ 3,91 por litro resultava em R$ 0,460 por quilômetro, contra R$ 0,472 da gasolina a R$ 5,43. No Distrito Federal, a margem era ainda mais apertada: R$ 0,478 para o etanol versus R$ 0,480 para a gasolina, praticamente empatados.

Em todos os outros estados, a gasolina permanecia mais econômica. No Rio Grande do Sul, o etanol chegava a R$ 5,79 por litro — o preço mais alto do país — tornando-o completamente inviável diante da gasolina a R$ 5,46. No Maranhão, Pará e Tocantins, embora a gasolina fosse mais cara, o consumo excessivo do etanol compensava a diferença de preço, mantendo a gasolina como a escolha mais racional. Amapá e Roraima não tiveram dados divulgados naquela quinzena.

O levantamento revela uma realidade regional profunda no Brasil. Não existe uma resposta única para a pergunta "qual combustível é melhor?". Tudo depende de onde você mora e de quanto paga por cada litro naquele momento específico. Um motorista em São Paulo que abastecia com gasolina por hábito poderia ter economizado dinheiro trocando para etanol. Mas esse mesmo motorista, se se mudasse para o Rio Grande do Sul, veria sua economia desaparecer instantaneamente. A vantagem do etanol é sempre local, sempre temporária, sempre dependente de uma equação que muda conforme os preços fluem.

Douglas Pina, diretor-geral de Mobilidade da Edenred Brasil, observou que essa dinâmica reflete as pressões mais amplas no mercado de combustíveis. A redução de 4,62% no preço do etanol em um mês não é trivial — sugere movimento real nas cadeias de produção e distribuição. Mas também deixa claro que o consumidor não pode simplesmente olhar para o preço na bomba. Precisa fazer as contas, considerar o consumo do seu veículo específico, e estar atento a mudanças que podem reverter a vantagem de um dia para o outro. A janela em que o etanol era vantajoso em seis estados era real, mas frágil.

O preço do etanol reduziu 4,62% em relação ao mês anterior, e foi comercializado a média nacional de R$ 3,92 nesta primeira quinzena
— Douglas Pina, diretor-geral de Mobilidade da Edenred Brasil
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que essa mudança no ICMS da gasolina criou uma oportunidade para o etanol agora?

Model

O ICMS é um imposto estadual que incide sobre o combustível. Quando aumentou sobre a gasolina, o preço subiu. Mas o etanol não recebeu o mesmo aumento — na verdade, caiu 4,62% no mesmo período. Essa divergência abriu uma brecha.

Inventor

Mas o etanol não é sempre mais barato que a gasolina?

Model

Não. O etanol é mais barato por litro, mas consome muito mais. Um carro roda cerca de 30% menos quilômetros com etanol. Então você precisa comparar o custo por quilômetro, não o preço do litro.

Inventor

E isso muda de estado para estado?

Model

Completamente. Em São Paulo o etanol era vantajoso, mas no Rio Grande do Sul era desastroso — o etanol lá custava R$ 5,79 por litro, mais caro que a gasolina. Tudo depende da estrutura de preços local.

Inventor

Então um motorista precisa fazer contas toda vez que vai abastecer?

Model

Na prática, sim. Ou pelo menos precisa estar atento. A vantagem pode desaparecer rapidamente se os preços mudarem. Essa janela de seis estados onde o etanol era melhor pode ter fechado semanas depois.

Inventor

Qual é o risco de escolher errado?

Model

Se você escolhe etanol quando a gasolina é mais econômica, está pagando mais por quilômetro rodado. Em um mês de uso, a diferença é pequena. Mas ao longo de um ano, pode somar centenas de reais.

Inventor

E como o consumidor fica sabendo qual é a melhor escolha no seu estado?

Model

Precisa acompanhar levantamentos como esse da Ticket Log, ou fazer o cálculo manualmente: preço do litro dividido pelo consumo médio do seu carro. Não é complicado, mas exige atenção.

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