Em um momento em que o Brasil enfrentava a disseminação da variante Gamma, pesquisadores da Fiocruz e de instituições parceiras trouxeram à luz uma evidência que vai além dos números: completar o esquema vacinal não é apenas uma recomendação, mas um divisor de águas entre vulnerabilidade e proteção. O estudo, conduzido com mais de 61 mil paulistas vacinados com a AstraZeneca, revela que a segunda dose eleva a proteção contra morte por Covid-19 de 61,8% para 93,6% em idosos — um salto que traduz, em estatística, incontáveis vidas preservadas. É a ciência confirmando, com dados do mundo real, qu
Estudo mostra eficácia de 93,6% da 2ª dose de AstraZeneca contra morte em idosos
De 62% para 94%: o salto que muda tudo
Por que esse estudo importa agora, em julho de 2021? Já não sabíamos que duas doses funcionam melhor que uma?
Sabíamos em teoria, mas não tínhamos dados brasileiros específicos para a variante Gamma. Este é o primeiro estudo de efetividade real — não em laboratório, mas em pessoas de verdade durante a circulação do vírus.
Certo, mas é pré-print. Ainda não passou por revisão de pares. Quantas pessoas morreram nessa amostra de 61 mil? Precisamos saber o tamanho absoluto dos números, não só percentuais.
O estudo não divulga esses números absolutos no resumo. Sabemos que analisaram 61.164 pessoas, mas não quantas morreram em cada grupo.
E por que a primeira dose oferece só 33% de proteção contra infecção? Isso parece baixo.
Porque a variante Gamma era mais transmissível. Mas note: 61,8% contra morte já na primeira dose. A proteção contra casos graves é muito mais forte que contra infecção leve.
Exatamente. Há uma diferença crucial entre "não pegar o vírus" e "não morrer dele". O estudo mostra que a AstraZeneca é fraca em evitar infecção, mas forte em evitar morte. Isso é importante para comunicar.
Então o intervalo entre as doses importa? O estudo menciona 14 dias após a segunda dose.
Sim. Os números de 93,6% são para 14 dias após a segunda dose. Não sabemos se a proteção é ainda maior depois.
E não sabemos como isso se comporta contra outras variantes. Este é um achado específico para Gamma em São Paulo em 2021. Não podemos generalizar para Delta ou Ômicron.
Isso significa que o estudo é menos útil agora?
Menos útil para hoje, talvez. Mas historicamente importante — documenta como a vacina se comportou em um momento específico contra um inimigo específico.
O Pulso
- A variante Gamma circulava intensamente em São Paulo no primeiro semestre de 2021, pressionando o sistema de saúde e ceifando vidas especialmente entre os mais velhos.
- Dados de 61.164 vacinados revelaram uma disparidade alarmante: quem recebia apenas a primeira dose ficava com menos de dois terços da proteção possível contra a morte.
- A segunda dose da AstraZeneca elevou a eficácia contra óbito de 61,8% para 93,6%, um aumento de quase 32 pontos percentuais que redefine o significado de 'vacinado'.
- Infectologistas da Fiocruz alertam que este é o primeiro estudo de efetividade no Brasil focado especificamente na Gamma, preenchendo uma lacuna crítica no conhecimento científico nacional.
- O artigo ainda aguarda revisão por pares — publicado em pré-print no Medrxiv —, mas sua mensagem já ressoa com força: a proteção máxima só existe para quem completa o esquema.
Em um momento em que o Brasil enfrentava a disseminação da variante Gamma, pesquisadores da Fiocruz e de instituições parceiras trouxeram à luz uma evidência que vai além dos números: completar o esquema vacinal não é apenas uma recomendação, mas um divisor de águas entre vulnerabilidade e proteção. O estudo, conduzido com mais de 61 mil paulistas vacinados com a AstraZeneca, revela que a segunda dose eleva a proteção contra morte por Covid-19 de 61,8% para 93,6% em idosos — um salto que traduz, em estatística, incontáveis vidas preservadas. É a ciência confirmando, com dados do mundo real, que a jornada vacinal só se completa quando se chega ao fim.
Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz divulgaram, em 22 de julho de 2021, um estudo inédito que mede pela primeira vez a proteção da vacina Oxford/AstraZeneca contra morte por Covid-19 em idosos durante a circulação da variante Gamma em São Paulo. A pesquisa, desenvolvida em parceria com instituições brasileiras, americanas e espanhola, acompanhou 61.164 moradores do estado vacinados entre janeiro e julho daquele ano.
Os resultados traçam uma curva de proteção crescente e reveladora. Após a primeira dose, a vacina oferecia 61,8% de proteção contra óbito. Com a segunda dose completa, esse índice saltava para 93,6% — quase 32 pontos percentuais a mais. A proteção contra hospitalização também avançava de 55,1% para 87,6%, e contra infecção, de 33,4% para 77,9%.
A metodologia comparou pacientes com doença respiratória aguda submetidos ao teste RT-PCR, cruzando dados dos sistemas de vigilância e-SUS e Sivep-Gripe para identificar vacinados e não vacinados com resultados positivos e negativos. Essa abordagem permitiu estimar a efetividade real da vacina em condições de circulação natural do vírus.
O infectologista Julio Croda, da Fiocruz e coautor do estudo, destacou à Folha de S. Paulo que o salto de aproximadamente 62% para 94% de proteção contra morte reforça de forma contundente a necessidade de completar o esquema vacinal. Ele também ressaltou que esta é a primeira pesquisa de efetividade no Brasil voltada especificamente para a variante Gamma.
Publicado em pré-print na plataforma Medrxiv, o artigo ainda aguarda revisão por pares. Mesmo assim, sua mensagem se alinha ao consenso científico: independentemente da marca, todas as vacinas disponíveis protegem contra casos graves e óbitos — mas essa proteção só alcança seu potencial máximo quando o esquema é completado.
Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz divulgaram na quinta-feira, 22 de julho, um estudo preliminar que quantifica pela primeira vez a proteção oferecida pela vacina Oxford/AstraZeneca contra a morte por Covid-19 em idosos durante a circulação da variante Gamma em São Paulo. O trabalho, conduzido por cientistas de instituições brasileiras, americanas e espanhola, analisou dados de 61.164 moradores do estado de São Paulo que receberam a vacina, acompanhando sua eficácia entre janeiro e julho de 2021, quando a variante Gamma se disseminava pela região.
Os números revelam um padrão claro de proteção crescente conforme o esquema vacinal avança. Após 28 dias da primeira dose, a vacina oferecia 33,4% de proteção contra infecção pelo novo coronavírus, 55,1% contra hospitalização e 61,8% contra morte. Esses percentuais saltam significativamente quando se completa o esquema com a segunda dose. Catorze dias após a segunda aplicação, a eficácia sobe para 77,9% contra infecção, 87,6% contra hospitalização e 93,6% contra óbito — um aumento de quase 32 pontos percentuais na proteção contra morte.
A pesquisa utilizou uma metodologia robusta, comparando dados de pacientes com doença respiratória aguda que se submeteram ao teste RT-PCR. Os cientistas consultaram bancos de dados de vigilância (e-SUS e Sivep-Gripe) para identificar quatro grupos: vacinados e não vacinados com resultado positivo para Covid-19, e vacinados e não vacinados com resultado negativo. Essa comparação permitiu estimar a efetividade real da vacina em condições de circulação natural do vírus.
Os autores do estudo destacaram em suas conclusões que completar o cronograma de vacinação com a AstraZeneca proporcionou proteção significativamente aumentada contra resultados leves e graves da Covid-19 em idosos durante a transmissão da variante Gamma. Julio Croda, infectologista da Fiocruz e coautor da pesquisa, enfatizou em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo a importância dessa descoberta: o salto de aproximadamente 62% para 94% de proteção contra morte reforça a necessidade de completar o esquema vacinal. Croda também ressaltou que este é o primeiro estudo de efetividade realizado no Brasil especificamente para a variante Gamma, preenchendo uma lacuna importante no conhecimento sobre o desempenho das vacinas contra essa linhagem do vírus.
É importante notar que o artigo foi publicado na plataforma Medrxiv em versão de pré-print, o que significa que ainda aguarda revisão por pares de outros cientistas antes de ser considerado definitivamente validado pela comunidade científica. Ainda assim, os resultados reforçam uma mensagem consistente entre os pesquisadores: independentemente da marca da vacina, a população — especialmente os idosos — precisa completar o esquema vacinal para alcançar proteção máxima. Todas as vacinas disponíveis protegem contra casos graves, hospitalizações e óbitos, mas este estudo oferece dados específicos sobre como essa proteção se manifesta contra a variante Gamma em São Paulo durante o primeiro semestre de 2021.
Citações Notáveis
O incremento que temos com o esquema vacinal completo é muito importante porque sai de cerca de 62% para prevenção de óbito e vai para 94%. Reforça a ideia que é necessário o esquema vacinal completo para uma excelente proteção.— Julio Croda, infectologista da Fiocruz e coautor do estudo
Todas as vacinas protegem contra casos graves, hospitalizações e óbitos contra qualquer variante, mas não existia esse dado para a Gamma. É o primeiro estudo de efetividade no Brasil para essa variante.— Julio Croda