No Brasil e além, milhões de pessoas recorrem às chamadas canetas emagrecedoras em busca de transformação rápida — mas o que emerge das redes sociais é um retrato mais sombrio do que a promessa inicial sugere. Um levantamento de mais de 233 mil vídeos revela que os efeitos colaterais — do mau hálito ao envelhecimento precoce, da perda muscular ao sofrimento emocional — estão sendo vividos em silêncio ou compartilhados em comunidades digitais, longe do olhar médico. É o velho dilema humano entre o desejo de mudança imediata e o preço pago pelo corpo e pela mente quando a pressa supera o cuidado
Estudo mapeia 10 efeitos colaterais das canetas emagrecedoras em redes sociais
A perda de peso não garante que a imagem corporal melhore
O que exatamente a Winnin estava procurando quando analisou esses 233 mil vídeos? Eles estavam tentando contar histórias de horror ou apenas documentar o que as pessoas estão dizendo?
Eles mapearam o que as pessoas relatam espontaneamente nas redes sociais — não é um estudo clínico controlado, é mais um retrato do que está sendo dito publicamente. A plataforma usa IA para identificar padrões em conversas reais.
Mas aí está o problema: redes sociais não são dados clínicos. Alguém que teve um efeito colateral ruim é muito mais provável de postar sobre isso do que alguém que usou e ficou bem. Esse levantamento nos diz o que as pessoas reclamam, não necessariamente a frequência real desses problemas.
Então quando dizem que falta de energia e mau hálito são os "principais" efeitos colaterais, eles têm números? Qual é a proporção de usuários que realmente experimenta isso?
O estudo não fornece porcentagens específicas para cada efeito colateral — apenas a ordem de frequência nas menções. É uma hierarquia de reclamações, não uma medição de incidência.
Exatamente. Sabemos que essas coisas são mencionadas, mas não sabemos se 10% dos usuários ou 90% dos usuários as experimentam. Isso é uma limitação importante que o artigo não deixa clara.
E quanto aos adolescentes? Isso é assustador — crianças de 13 anos pesquisando canetas emagrecedoras?
Sim, há adolescentes buscando o tema, mas o artigo não diz se eles estão realmente usando os medicamentos ou apenas curiosos. Pode ser pesquisa, pode ser que estejam vendo conteúdo sobre o assunto nas redes.
Essa é uma distinção crucial que não está clara. Há uma diferença entre um adolescente ver um vídeo sobre canetas emagrecedoras e um adolescente realmente usar uma. O levantamento não nos diz qual é a realidade.
A psiquiatra menciona que a perda de peso não garante melhora da imagem corporal. Isso significa que essas canetas podem não funcionar psicologicamente?
Não exatamente. Ela está dizendo que o benefício emocional é imprevisível. Para alguns, emagrecer é libertador. Para outros, a insatisfação persiste mesmo depois da transformação física. É uma questão de como cada pessoa processa sua própria mudança.
E isso é importante porque muitas pessoas estão usando esses medicamentos esperando que a perda de peso resolva problemas emocionais profundos — depressão, ansiedade, transtornos alimentares. Mas o medicamento só tira a gordura. Não tira o trauma.
Le Pouls
- O uso de medicamentos emagrecedores injetáveis sem prescrição médica cresce de forma explosiva no Brasil, com um aumento de 96% no volume de vídeos sobre o tema nas redes sociais.
- Falta de energia, mau hálito, envelhecimento acelerado da pele e perda de massa muscular estão entre os efeitos colaterais mais relatados — consequências que comprometem a saúde a longo prazo.
- Adolescentes entre 13 e 17 anos já aparecem entre os que pesquisam esses medicamentos, expondo corpos e mentes ainda em formação a riscos pouco compreendidos.
- Especialistas alertam que pacientes com histórico de transtornos alimentares, ansiedade ou depressão correm risco amplificado, e que o acompanhamento de saúde mental raramente acontece nesses tratamentos informais.
- O paradoxo emocional persiste: mesmo quem emagrece pode não encontrar o alívio esperado, pois a percepção de si mesmo nem sempre acompanha a transformação física.
No Brasil e além, milhões de pessoas recorrem às chamadas canetas emagrecedoras em busca de transformação rápida — mas o que emerge das redes sociais é um retrato mais sombrio do que a promessa inicial sugere. Um levantamento de mais de 233 mil vídeos revela que os efeitos colaterais — do mau hálito ao envelhecimento precoce, da perda muscular ao sofrimento emocional — estão sendo vividos em silêncio ou compartilhados em comunidades digitais, longe do olhar médico. É o velho dilema humano entre o desejo de mudança imediata e o preço pago pelo corpo e pela mente quando a pressa supera o cuidado.
As redes sociais brasileiras vivem uma explosão de relatos sobre as canetas emagrecedoras — medicamentos injetáveis que prometem perda de peso rápida, mas deixam um rastro de efeitos colaterais inesperados. A plataforma de inteligência cultural Winnin analisou mais de 233 mil vídeos em português, espanhol e inglês no Instagram, YouTube, TikTok, Facebook e Twitch para mapear o que realmente acontece com quem usa esses remédios sem orientação médica adequada.
O levantamento revela um quadro preocupante. Falta de energia e mau hálito lideram as reclamações, seguidos por envelhecimento acelerado da pele, perda de colágeno e dificuldades com a massa muscular. Guilherme Moscardi, especialista em longevidade, explica que o emagrecimento rápido não queima apenas gordura — ele também consome músculo, reduz o metabolismo basal, aumenta o risco de lesões e torna muito mais difícil manter os resultados ao longo do tempo.
Os danos emocionais são igualmente sérios. A psiquiatra Carla Moura Weinstein alerta que pessoas com histórico de transtornos alimentares, compulsão, ansiedade ou depressão enfrentam riscos amplificados — e que o acompanhamento de saúde mental raramente acontece quando o tratamento ocorre sem supervisão profissional. O paradoxo é real: emagrecer pode aliviar o estigma social e elevar a autoestima, mas a percepção de si mesmo nem sempre acompanha a transformação física. Em muitos casos, a insatisfação permanece mesmo após a perda de peso.
O fenômeno está concentrado na hashtag #GLP1Community, e o volume de vídeos sobre o tema cresceu 96%. O perfil dos interessados é revelador: adultos jovens entre 25 e 34 anos lideram as buscas, mas adolescentes de 13 a 17 anos também pesquisam o assunto — o que significa que os riscos estão alcançando pessoas cujos corpos e mentes ainda estão em desenvolvimento.
As redes sociais brasileiras explodem com relatos sobre as chamadas canetas emagrecedoras — medicamentos injetáveis que prometem perda de peso rápida, mas deixam um rastro de efeitos colaterais que ninguém esperava. Um mapeamento feito pela Winnin, plataforma de inteligência cultural alimentada por IA, vasculhou mais de 233 mil vídeos em português, espanhol e inglês espalhados por Instagram, YouTube, TikTok, Facebook e Twitch para entender o que realmente está acontecendo com quem usa esses remédios sem prescrição médica adequada.
O que emerge do levantamento é um quadro preocupante. Falta de energia e mau hálito aparecem no topo da lista de reclamações — os efeitos colaterais mais frequentemente mencionados por usuários. Logo atrás vêm o envelhecimento acelerado da pele, a perda de colágeno, e problemas relacionados à preservação e ganho de massa muscular. Esses não são incômodos menores. Guilherme Moscardi, gerente de operações da Ultra Academia e especialista em longevidade, explica o mecanismo por trás disso: quando alguém emagrece muito rapidamente, o corpo não apenas queima gordura — ele também consome massa muscular. Essa perda muscular desencadeia uma cascata de problemas: o metabolismo basal cai, a força diminui, o risco de lesões aumenta, e fica muito mais difícil manter os resultados conquistados ao longo do tempo.
Mas os danos não param no corpo. Problemas emocionais e psicológicos estão entre os sintomas mais comentados nas redes, e isso é particularmente grave para certos grupos. A psiquiatra Carla Moura Weinstein aponta que pacientes com histórico de transtornos alimentares, compulsão, ansiedade ou depressão correm risco amplificado quando usam esses medicamentos. A situação exige acompanhamento paralelo de saúde mental — algo que raramente acontece quando o tratamento é feito sem orientação profissional.
O paradoxo emocional é real e complexo. Sim, emagrecer pode elevar a autoestima, aumentar a disposição e aliviar o sofrimento ligado ao estigma social da obesidade. Muitas pessoas relatam alívio genuíno ao deixar de estar em luta constante contra a fome e a preocupação obsessiva com comida. Mas Weinstein também observa que a perda de peso não garante que a imagem corporal melhore. Em alguns casos, a pessoa emagrece, mas sua percepção de si mesma não acompanha a transformação física — a insatisfação permanece, e o ganho emocional esperado nunca chega.
Completa o quadro uma série de outros efeitos colaterais menos comentados mas ainda presentes: perda de volume no rosto, problemas no controle do cabelo, e distúrbios no sistema digestivo. Nenhum deles é trivial quando você está tentando se sentir bem consigo mesmo.
Nas redes sociais, o fenômeno está concentrado em torno da hashtag #GLP1Community, onde usuários compartilham experiências e dicas. O levantamento da Winnin identificou um aumento de 96% no volume de vídeos sobre o tema — um crescimento explosivo que reflete a popularidade e a urgência com que as pessoas buscam essas soluções. O perfil dos interessados é revelador: adultos jovens entre 25 e 34 anos lideram as buscas, mas há também adolescentes de 13 a 17 anos pesquisando o assunto. Isso significa que a exposição a esses medicamentos e seus riscos está alcançando pessoas cada vez mais jovens, cujos corpos e mentes ainda estão em desenvolvimento.
Citations marquantes
Quando uma pessoa emagrece de forma muito rápida, existe o risco de perder não apenas gordura, mas também massa muscular, o que pode trazer impactos importantes para a saúde.— Guilherme Moscardi, gerente de operações da Ultra Academia
A perda de peso não garante melhora da imagem corporal. Em alguns casos, a percepção de si não acompanha a mudança física, e a insatisfação permanece.— Carla Moura Weinstein, psiquiatra