A extração de granito é fundamental, mas precisamos estar atentos aos riscos
Nas entranhas econômicas do noroeste capixaba, onde o granito é extraído como sustento de gerações, uma doença silenciosa se instala nos pulmões de quem trabalha com a pedra. Barra de São Francisco levou à mostra estadual de vigilância em saúde um estudo sobre a pneumoconiose — enfermidade causada pela inalação prolongada de poeiras minerais —, colocando no centro do debate científico uma realidade que afeta centenas de trabalhadores invisíveis ao olhar das políticas públicas. O gesto é, ao mesmo tempo, um ato de cuidado e um chamado à responsabilidade coletiva.
- A sílica inalada dia após dia na extração de granito compromete irreversivelmente os pulmões de trabalhadores que raramente associam a tosse ao ofício que os sustenta.
- O estudo desenvolvido por servidoras municipais foi selecionado entre 133 trabalhos científicos na ExpovigES, conferindo visibilidade estadual a uma crise de saúde ocupacional local.
- A ausência de vigilância contínua permite que a pneumoconiose avance silenciosamente antes de qualquer diagnóstico, tornando a detecção precoce um desafio urgente.
- O município já havia iniciado ações preventivas durante o Abril Verde, em parceria com empresas do setor, mas a participação na mostra estadual amplia o alcance dessas iniciativas.
- A pesquisa aponta para a necessidade de políticas públicas integradas que equilibrem o peso econômico da extração de granito com a proteção efetiva de quem a realiza.
Barra de São Francisco marcou presença na 5ª Mostra de Experiências Bem-Sucedidas em Vigilância em Saúde do Espírito Santo, realizada em junho na Serra, com um estudo que toca diretamente na vida de centenas de trabalhadores da região noroeste capixaba. O trabalho, apresentado em formato de pôster, aborda a pneumoconiose — doença pulmonar causada pela inalação prolongada de poeiras minerais como a sílica, liberadas na extração e no beneficiamento de granito, principal atividade econômica local.
A pesquisa foi desenvolvida por Josiane da Fraga Januário Felicíssimo e Márcia Lamera Bitencourtt, servidoras da Secretaria Municipal de Saúde e da Vigilância em Saúde do Trabalhador, com apoio do secretário Wanderson Melgaço. O estudo evidencia os impactos diretos da atividade extrativista na saúde dos trabalhadores e defende a vigilância contínua como ferramenta essencial para identificar casos precocemente e embasar políticas públicas de proteção.
Para Melgaço, a seleção entre os 133 trabalhos apresentados na mostra — que reuniu profissionais, pesquisadores e gestores de todo o Espírito Santo — representa mais do que reconhecimento acadêmico. É, segundo ele, um alerta necessário: a extração de granito é fundamental para a economia regional, mas os riscos ocupacionais não podem ser ignorados.
O compromisso do município com a saúde do trabalhador não é novo. Durante o Abril Verde, a Secretaria Municipal de Saúde já havia promovido ações preventivas em parceria com empresas do setor. A participação na ExpovigES amplia essa visibilidade e reforça a urgência de integrar proteção à saúde e desenvolvimento econômico na região.
Barra de São Francisco levou para a 5ª Mostra de Experiências Bem-Sucedidas em Vigilância em Saúde do Espírito Santo, realizada entre 16 e 18 de junho na Serra, um trabalho que toca no coração econômico e sanitário da região: a pneumoconiose entre os trabalhadores de granito. O estudo, apresentado em formato de pôster, foi desenvolvido por Josiane da Fraga Januário Felicíssimo e Márcia Lamera Bitencourtt, servidoras da Secretaria Municipal de Saúde e da Vigilância em Saúde do Trabalhador, com apoio do secretário municipal Wanderson Melgaço.
A pneumoconiose é uma doença pulmonar que se instala lentamente no corpo de quem respira, dia após dia, as poeiras minerais que saem da extração e do beneficiamento de rochas ornamentais. A sílica e outras partículas finas penetram nos pulmões e ali ficam, comprometendo a capacidade respiratória e a qualidade de vida de quem trabalha nesse setor. Para Barra de São Francisco, município onde a extração de granito é uma das principais atividades econômicas da região noroeste capixaba, o tema não é abstrato — é a realidade de centenas de trabalhadores.
O trabalho apresentado buscou evidenciar exatamente isso: os impactos diretos da atividade de extração de granito na saúde da população trabalhadora local. Além de apontar os riscos e os desafios que essa população enfrenta, a pesquisa destacou a importância da vigilância contínua em saúde do trabalhador para identificar casos no início, evitar que a doença avance, e criar políticas públicas que protejam quem está exposto.
Para Wanderson Melgaço, a seleção do trabalho para a mostra estadual representa mais do que um reconhecimento acadêmico. "Ter um trabalho de Barra de São Francisco selecionado para a ExpovigES é motivo de orgulho para toda a nossa equipe", disse. Ele ressaltou que a pesquisa traz atenção para uma realidade que impacta diretamente a vida de muitos trabalhadores do município. "A extração de granito é uma atividade econômica fundamental para a região, mas precisamos estar atentos aos riscos ocupacionais e garantir que os trabalhadores tenham acompanhamento e prevenção."
A mostra, promovida pela Secretaria de Estado da Saúde, reuniu profissionais, pesquisadores e gestores de saúde de todo o Espírito Santo. Nesta edição, foram apresentados 133 trabalhos científicos e relatos de experiências — 68 iniciativas do nível estadual e 65 experiências municipais, distribuídas em nove áreas temáticas. O objetivo é incentivar a troca de conhecimentos, divulgar boas práticas e fortalecer as ações de vigilância em saúde em todo o estado.
Barra de São Francisco já havia demonstrado esse compromisso com a saúde do trabalhador durante a campanha Abril Verde, dedicada à prevenção de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho. A Secretaria Municipal de Saúde promoveu ações em parceria com empresas do setor de granito, orientando trabalhadores sobre os riscos ocupacionais e a importância de medidas preventivas. A apresentação do estudo na ExpovigES amplia essa visibilidade e contribui para o fortalecimento das políticas públicas voltadas à proteção da saúde dos trabalhadores, especialmente daqueles que atuam na extração e no beneficiamento de rochas ornamentais.
Notable Quotes
Ter um trabalho de Barra de São Francisco selecionado para a ExpovigES é motivo de orgulho para toda a nossa equipe. A pesquisa traz um olhar atento para uma realidade que impacta diretamente a vida de muitos trabalhadores do nosso município.— Wanderson Melgaço, secretário municipal de Saúde
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que a pneumoconiose é tão prevalente entre os trabalhadores de granito em Barra de São Francisco?
Porque a extração de granito gera uma quantidade imensa de poeira mineral — sílica principalmente — que fica suspensa no ar. Quando você trabalha nesse setor, você respira isso todos os dias, durante anos. A doença não aparece de repente; ela se acumula nos pulmões.
E por que o município decidiu fazer um estudo sobre isso agora?
Porque é uma realidade que afeta centenas de trabalhadores locais, e ninguém estava documentando sistematicamente os impactos. A Vigilância em Saúde do Trabalhador viu a oportunidade de trazer dados concretos para a conversa sobre saúde ocupacional.
O que muda quando um trabalho como esse é apresentado em uma mostra estadual?
Muda a visibilidade. De repente, não é mais um problema local isolado — é um problema que merece atenção de gestores, pesquisadores e formuladores de políticas em todo o estado. Abre portas para financiamento, para parcerias, para ações integradas.
A extração de granito é economicamente importante para a região?
Muito. É uma das principais atividades econômicas do noroeste capixaba. Então o desafio é real: como você protege a saúde dos trabalhadores sem comprometer a viabilidade econômica da atividade?
E como a prefeitura está respondendo a isso?
Com vigilância contínua, campanhas de prevenção, parcerias com as empresas do setor. Mas o estudo mostra que é preciso mais — políticas públicas estruturadas, acompanhamento médico regular, investimento em equipamentos de proteção e em ambientes de trabalho mais seguros.
Qual é o próximo passo?
A apresentação na mostra é um começo. Agora é preciso que esses dados se transformem em ação — em regulamentações mais rigorosas, em investimento em saúde ocupacional, em conscientização dos próprios trabalhadores sobre os riscos que enfrentam.