Em Contagem, Minas Gerais, uma jovem de dezoito anos formada inteiramente em escolas públicas passou meses debruçada sobre imagens do cosmos, pixel por pixel, até que o universo lhe devolvesse algo inédito: um asteroide que agora carrega suas iniciais. A descoberta de Laysa Peixoto Sena Lage, reconhecida pela Nasa em agosto de 2021 através do programa internacional de caça a asteroides em parceria com a IASC, é um lembrete de que a fronteira do conhecimento humano pode ser alcançada por qualquer mão paciente e curiosa o suficiente para procurar.
Estudante mineira de 18 anos descobre asteroide em projeto da Nasa
Foram meses difíceis, mas é muito gratificante contribuir com a ciência
Como você conseguiu identificar um asteroide entre tantas imagens?
As imagens chegam em preto e branco, e você precisa analisar cada pixel com muita atenção. Coisas muito pequenas podem passar despercebidas se você não estiver concentrado. Foram meses de análise sistemática.
Meses é bastante tempo. O que mantinha você motivada durante esse período?
Eu sempre gostei de astronomia desde criança, mas foi durante as olimpíadas científicas no ensino médio que realmente senti que isso era o caminho que queria seguir. Aquelas competições transformaram minha perspectiva.
E quando você viu seu nome confirmado como descobridora?
Fiquei muito emocionada, mal pude acreditar. Foram noites difíceis de trabalho, mas naquele momento tudo fez sentido. Saber que estava contribuindo para a ciência de verdade foi muito gratificante.
Você vem de escolas públicas. Acha que isso influenciou seu caminho?
Com certeza. Por isso acho tão importante que outros alunos de escolas públicas conheçam essas olimpíadas e programas. Eles podem realmente transformar vidas, abrir portas que você nem sabia que existiam.
Qual é o próximo passo agora?
Quero fazer o Advanced Space Academy da Nasa, um treinamento que simula a vida de um astronauta. Estou arrecadando fundos para isso. Mas também preciso terminar minha graduação em física e depois seguir em astrofísica e cosmologia como pesquisadora.
Der Puls
- Noite após noite, Laysa analisava imagens em preto e branco do telescópio Pan-STARRS com atenção cirúrgica — um piscar de olhos poderia fazer desaparecer o que ela procurava.
- Após meses de relatórios enviados e pontos catalogados, a Nasa confirmou: um dos objetos identificados por ela era, de fato, um asteroide inédito, batizado LPS0003.
- Medalhas de prata na Olimpíada Brasileira de Astronomia e de bronze na versão internacional revelam que essa descoberta não foi um acaso, mas o resultado de uma trajetória científica construída desde o ensino médio.
- Para participar do Advanced Space Academy da Nasa, Laysa lançou uma vaquinha virtual em busca de quinze mil reais — o próximo degrau em direção a uma carreira em astrofísica e cosmologia.
Em Contagem, Minas Gerais, uma jovem de dezoito anos formada inteiramente em escolas públicas passou meses debruçada sobre imagens do cosmos, pixel por pixel, até que o universo lhe devolvesse algo inédito: um asteroide que agora carrega suas iniciais. A descoberta de Laysa Peixoto Sena Lage, reconhecida pela Nasa em agosto de 2021 através do programa internacional de caça a asteroides em parceria com a IASC, é um lembrete de que a fronteira do conhecimento humano pode ser alcançada por qualquer mão paciente e curiosa o suficiente para procurar.
Em Contagem, na Grande Belo Horizonte, Laysa Peixoto Sena Lage passou meses analisando imagens espaciais pixel por pixel, enviadas pelo telescópio Pan-STARRS do Instituto de Astronomia da Universidade do Havaí. O trabalho era minucioso e solitário: o software Astrometrica processava as imagens em preto e branco, e qualquer distração podia fazer um objeto minúsculo desaparecer entre os pontos da tela. Ela registrava, catalogava e enviava relatórios — noite após noite, desde fevereiro.
Em agosto de 2021, a Nasa confirmou que um dos pontos identificados por ela era um asteroide até então desconhecido. O astro recebeu a designação LPS0003, baseada nas iniciais de seu nome. Ao ver seu nome na lista de descobridoras, Laysa conta que mal conseguiu acreditar. No futuro, ela poderá escolher um nome mais poético para o objeto que encontrou.
A trajetória de Laysa foi construída inteiramente em escolas públicas — um detalhe que ela faz questão de ressaltar. Estudante de física na UFMG e monitora no Observatório Astronômico Frei Rosário, ela acumula medalhas em olimpíadas científicas: prata na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica em 2020 e bronze na edição internacional em 2021. Para ela, essas competições são mais do que troféus — são portas abertas para estudantes que, de outra forma, talvez nunca vissem esses caminhos.
Seu próximo passo é o Advanced Space Academy da Nasa, programa imersivo que simula a rotina de astronautas. Para custear a viagem e o curso, ela criou uma vaquinha virtual com meta de quinze mil reais. Além disso, Laysa planeja concluir a graduação e seguir como pesquisadora em astrofísica e cosmologia — continuando a descobrir, como ela mesma diz, da melhor forma possível.
Em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, uma estudante de dezoito anos passou meses analisando imagens do espaço pixel por pixel, noite após noite, até que um ponto minúsculo se revelasse como algo que ninguém havia visto antes. Laysa Peixoto Sena Lage encontrou um asteroide.
A descoberta aconteceu através de um programa de caça a asteroides mantido pela Nasa em parceria com a IASC, uma colaboração internacional de pesquisa astronômica. Desde fevereiro, Laysa recebia imagens capturadas pelo telescópio Pan-STARRS, instalado no Instituto de Astronomia da Universidade do Havaí. Essas imagens chegavam em preto e branco, processadas por um software chamado Astrometrica, e exigiam uma atenção obsessiva: objetos muito pequenos podiam desaparecer entre os pixels se alguém piscasse. Ela analisava, registrava, enviava relatórios. Meses se passaram assim.
Em agosto, a Nasa confirmou que um dos pontos que ela havia identificado era de fato um asteroide. O astro recebeu a designação LPS0003, baseada nas iniciais de seu nome. No futuro, Laysa poderá escolher um nome mais poético para ele. Quando viu seu nome na lista de descobridoras, ela conta que ficou emocionada, mal conseguindo acreditar no que havia conquistado. Foram noites de trabalho árduo, mas a sensação de contribuir para a ciência compensou cada hora dedicada.
Laysa estuda física na Universidade Federal de Minas Gerais e trabalha como monitora no Observatório Astronômico Frei Rosário. Sua trajetória não começou com esse projeto da Nasa. Desde criança, ela observava as estrelas com curiosidade. Durante o ensino médio, participou de olimpíadas científicas que ampliaram seu horizonte e a motivaram a aprofundar os estudos em astronomia. Em 2020, conquistou medalha de prata na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica. Este ano, ganhou bronze na versão internacional da mesma competição. Toda sua formação ocorreu em escolas públicas, um detalhe que ela considera importante destacar.
Para Laysa, as olimpíadas científicas representam mais do que competições. Ela acredita que esses programas podem transformar a vida de estudantes, especialmente aqueles que vêm de instituições públicas, oferecendo caminhos que de outra forma poderiam permanecer invisíveis. Ela fala sobre isso com convicção, como quem viveu essa transformação.
Seu próximo objetivo é participar do Advanced Space Academy, um programa de treinamento imersivo da Nasa que simula a rotina de um astronauta e culmina em uma missão espacial simulada. Para arcar com os custos do curso e da viagem aos Estados Unidos, ela criou uma vaquinha virtual buscando arrecadar quinze mil reais. Mas esse é apenas um passo em um plano maior. Laysa quer terminar sua graduação em física e seguir carreira em astrofísica e cosmologia como pesquisadora, continuando a descobrir coisas e contribuindo para o conhecimento científico da melhor forma possível.
Bemerkenswerte Zitate
Quando eu vi meu nome na lista, fiquei muito feliz e emocionada, mal pude acreditar. Foram meses difíceis, passei algumas noites fazendo as análises para conseguir mandar a tempo.— Laysa Peixoto Sena Lage
Acho muito importante que os alunos tenham conhecimento das olimpíadas científicas, porque elas podem incentivar e transformar a vida dos estudantes, principalmente das escolas públicas.— Laysa Peixoto Sena Lage