Estudante acusa sete colegas de estupro em universidade de elite dos EUA

Estudante de 22 anos foi drogada e estuprada por sete horas, oferecida para violação sexual em grupo e sofreu falhas institucionais na investigação e proteção.
Seu corpo foi oferecido para violação em um grupo de WhatsApp
Mensagens trocadas entre membros da fraternidade revelaram coação explícita e transformaram o caso em escândalo nacional.
Mark

Como um caso de 2024 só veio à tona agora, em 2026?

Mimi

As mensagens do WhatsApp foram o catalisador. Elas mostravam coação explícita, algo que o depoimento inicial não havia capturado com clareza suficiente para o promotor agir.

Luke

Mas espera — o promotor disse que o depoimento dela descrevia tudo como consensual. Como ele chegou a essa conclusão se ela estava drogada?

Mimi

Essa é exatamente a questão que a ação civil levanta. Ela afirma que estava extremamente intoxicada e incapaz de consentir. O promotor trabalhou com o que tinha naquele momento.

Mark

E a universidade? Ela fez algo?

Mimi

Sim, conduziu investigação interna e aplicou sanções — dois expulsos, dois suspensos por pelo menos dois semestres. Mas a ação civil questiona se essas punições foram proporcionais.

Luke

Dois expulsos de sete acusados. Um já havia se formado. Dois foram considerados não responsáveis. Então na verdade apenas dois foram expulsos.

Mark

E agora o promotor reabre o caso?

Mimi

Em 28 de setembro, anunciou a reabertura e a intenção de levar para um grande júri. As mensagens do WhatsApp mudaram o cenário.

Luke

Mas há um pano de fundo maior aqui — o governo Trump revogou as regras do Título 9 que Biden havia estabelecido. Isso afeta como casos como esse serão tratados daqui para frente.

Mimi

Exatamente. As novas regras restringem a definição de assédio sexual e permitem que representantes dos acusados questionem diretamente as vítimas em audiências presenciais.

Mark

Então estudantes trans perdem proteções específicas?

Mimi

Sim. A norma de 2020 não reconhece explicitamente identidade de gênero e orientação sexual como categorias protegidas.

Luke

E isso tudo acontece enquanto este caso específico ainda está sendo processado. O timing é significativo.

  • Estudante de 22 anos acusa sete integrantes da fraternidade Chi Phi de estupro em outubro de 2024
  • Violação durou aproximadamente sete horas; vítima afirma ter sido drogada com possível cetamina
  • Promotor não apresentou denúncia em 2024, mas reabrirá inquérito em setembro de 2026
  • Universidade Cornell expulsou dois estudantes e suspendeu dois por pelo menos dois semestres
  • Governo Trump revogou regras do Título 9 de Biden em 28 de setembro de 2026

A jovem afirma ter sido drogada e estuprada por sete horas em outubro de 2024 por integrantes da fraternidade Chi Phi, incluindo possível cetamina. Promotor não apresentou denúncia criminal em 2024, mas reabrirá inquérito em setembro de 2026 após revelação de mensagens do WhatsApp mostrando coação.

Estudante de 22 anos acusa sete colegas da Universidade Cornell de estupro e oferecimento de seu corpo para violação em grupo no WhatsApp. Caso de 2024 veio à tona em setembro de 2026 com ação civil que questiona resposta da universidade e polícia.

Uma estudante de 22 anos apresentou uma ação civil em setembro de 2026 acusando sete colegas de tê-la estuprado na Universidade Cornell, em Ithaca, Nova York, em outubro de 2024. Segundo o processo, ela foi drogada — possivelmente com cetamina — e violentada por aproximadamente sete horas em seu alojamento universitário por integrantes da fraternidade Chi Phi. A jovem, cuja identidade foi protegida, afirma que foi coagida a consumir bebidas alcoólicas e drogas, deixando-a incapacitada de consentir com qualquer ato sexual.

O caso permaneceu silencioso por quase dois anos até que mensagens trocadas em um grupo de WhatsApp vieram à tona. Nelas, um dos acusados escreveu "free pussy in alum pu" — algo como "buceta livre no alum", referindo-se a uma suíte da casa da fraternidade — e outros responderam com emojis e frases como "eu amo a Chi Phi". Essas imagens, anexadas à ação civil e publicadas pelo jornal estudantil The Cornell Sun, transformaram o caso em um escândalo nacional nos Estados Unidos.

Cornell integra a Ivy League, grupo de oito universidades de elite americanas. Como em outras instituições do país, a vida social dos estudantes gira em torno das fraternidades — organizações tradicionalmente masculinas identificadas por letras gregas — e das sororidades, suas equivalentes femininas. Essas organizações promovem festas, atividades sociais e redes de relacionamento, mas também enfrentam críticas recorrentes por episódios de abuso de álcool, trotes violentos e violência sexual.

Em novembro de 2024, a estudante prestou depoimento à polícia universitária. O caso foi encaminhado ao promotor do condado de Tompkins, Matthew Van Houten, que decidiu não apresentar denúncia criminal. Segundo Van Houten, o depoimento formal da jovem descrevia o consumo de drogas e as relações sexuais como voluntárias e consensuais. O promotor afirmou que a decisão foi tomada com base nas informações disponíveis naquele momento, antes das alegações apresentadas na ação civil. A versão da estudante, porém, é radicalmente diferente: ela sustenta que estava extremamente intoxicada e sem condições de consentir. Em 28 de setembro de 2026, após a revelação das mensagens do WhatsApp, Van Houten anunciou a reabertura do inquérito e a intenção de levar o caso a um grande júri.

A Universidade Cornell também foi questionada sobre sua resposta. A instituição conduziu uma investigação disciplinar interna e aplicou sanções: dois estudantes foram expulsos, dois receberam suspensões de pelo menos dois semestres, um já havia se formado antes da punição, e outros dois foram considerados não responsáveis por violência sexual. A fraternidade Chi Phi teve sua unidade em Cornell banida em 2024. Em comunicado de 29 de setembro, o presidente Michael Kotlikoff informou que a universidade seguiu seus procedimentos e responderia às acusações na Justiça. A ação civil, contudo, questiona a proporcionalidade das sanções e a transparência do processo disciplinar.

O caso reacendeu debates sobre violência sexual nos campi americanos e a responsabilidade institucional na proteção de estudantes. A governadora de Nova York, Kathy Hochul, defendeu uma investigação independente sobre a resposta da universidade. Paralelamente, mudanças políticas federais complicam o cenário. O governo de Donald Trump revogou, em 28 de setembro, as regras de 2024 do Título 9 — legislação federal que proíbe discriminação sexual em instituições educacionais que recebem recursos federais — estabelecidas pela gestão Joe Biden. Com isso, fica restabelecida a norma de 2020, que não reconhece explicitamente a identidade de gênero e orientação sexual como categorias protegidas. As novas regras também restringem a definição de assédio sexual e alteram procedimentos de investigação, permitindo que representantes dos acusados questionem diretamente as vítimas em audiências presenciais. A mudança formaliza uma política que já estava em vigor desde janeiro de 2025, após decisões judiciais derrubarem as normas de Biden.

A decisão foi tomada com base nas informações disponíveis à época, antes da apresentação das alegações da ação civil
— Matthew Van Houten, promotor do condado de Tompkins
A universidade seguiu seus procedimentos e responderá às acusações na Justiça
— Michael Kotlikoff, presidente da Universidade Cornell
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