Estreia do Missão: Renan Santos faz campanha radical com ataques a Lula e Flávio

Vou tirar Flávio do segundo turno e derrotar Lula
Promessa feita por Renan Santos em junho, refletindo sua estratégia de confronto aberto com os dois principais candidatos.
Mark

Como um partido completamente novo consegue colocar um candidato presidencial em campanha nacional em apenas um ano de existência?

Mimi

O Missão aproveitou a estrutura e o capital político do MBL, que já tinha presença forte nas redes sociais e entre certos setores. Mas a verdade é que começaram do zero institucional — uma cadeira na Câmara, nenhuma máquina estatal.

Luke

Mas espera: quanto dinheiro de campanha ele realmente recebeu? A reportagem menciona apoio do mercado financeiro, mas não diz quanto foi doado ou como foi financiada a campanha.

Mimi

Boa pergunta. A reportagem não detalha o financiamento. Sabemos que teve apoio de nomes como José Olympio Pereira e Tony Volpon, mas não há números de doações ou gastos de campanha.

Mark

E quanto àquelas frases radicais sobre "matar quem roubar"? Isso gerou reação legal ou política?

Mimi

Não há registro na reportagem de processos ou ações legais contra essas declarações. O que houve foi a suspensão de sua candidatura pelo TSE por questão de redes sociais, não por discurso.

Luke

Exatamente. As polêmicas deram visibilidade, mas não sabemos se converteram em votos. Ele oscilava entre 3% e 4% — dentro da margem de erro. Pode ser que toda essa radicalidade tenha sido mais ruído que substância eleitoral.

Mimi

É verdade. A reportagem mostra que ele foi notícia, mas não que tenha crescido nas pesquisas. O confronto aberto com Lula e Flávio pode ter alienado mais gente do que conquistado.

Mark

E o apoio da revista The Economist? Isso era significativo?

Mimi

Era um sinal de que setores internacionais viam nele uma alternativa econômica. Mas The Economist é lida por elites, não por eleitores médios.

Luke

E não sabemos se esse editorial influenciou votos no Brasil. É mencionado como fato, mas sem contexto de impacto real.

  • Renan Santos, fundador do MBL, foi o primeiro candidato presidencial do Missão em 2026
  • Oscilou entre 3% e 4% nas pesquisas Datafolha, dentro da margem de erro
  • Recebeu apoio de nomes do mercado financeiro como José Olympio Pereira e Tony Volpon
  • Teve candidatura suspensa pelo TSE em 30 de agosto, decisão revertida dois dias depois
  • O Missão elegeu apenas uma cadeira na Câmara dos Deputados em sua estreia

Fundador do MBL, Renan prometeu segurança pública radical com frases como 'vamos matar quem roubar' e confrontou abertamente Lula e Flávio Bolsonaro. O candidato do Missão recebeu apoio do mercado financeiro e até elogios da revista The Economist, enquanto enfrentava decisões judiciais controversas do TSE e STF.

Renan Santos, candidato do Missão à presidência, marcou sua primeira campanha com discursos radicais, ataques aos principais adversários e postura antissistema, oscilando entre 3% e 4% nas pesquisas.

Renan Santos estreou como candidato presidencial em 2026 com uma campanha que não deixava dúvidas sobre sua disposição de confrontar o establishment político. Fundador do Movimento Brasil Livre, o militante concorria pela legenda do Missão, um partido criado apenas um ano antes, em setembro de 2025, e que disputava sua primeira eleição presidencial. Desde o lançamento de sua candidatura, Santos adotou um tom que misturava promessas de segurança pública radical com ataques diretos aos dois principais concorrentes: Lula, do PT, e Flávio Bolsonaro, do PL.

No campo da segurança, o candidato não usava rodeios. "Vamos matar quem roubar", afirmou no evento de lançamento, complementando com a promessa de "tingir o chão de vermelho com sangue". Essas declarações não eram exceção em sua campanha, mas o padrão. Santos mantinha um discurso repleto de xingamentos e críticas aos dois polos principais, apostando no confronto aberto como estratégia. Em um debate da Band em agosto, quando Lula e Flávio não compareceram, exibiu fraldas geriátricas com os nomes de ambos, chamando-os de medrosos. Em junho, havia declarado: "Vou tirar Flávio do segundo turno e derrotar Lula". Contra o senador, usava adjetivos como estúpido, fujão e vassalo de Donald Trump. Quando questionado sobre apoiar Flávio, respondeu que se fosse para "votar em bandido", votaria em Lula.

Apesar da visibilidade gerada por essas polêmicas, o desempenho eleitoral de Santos permanecia modesto. Nas pesquisas Datafolha, oscilava dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, chegando a 4% em agosto e caindo para 3% na rodada divulgada no sábado anterior à eleição. A Folha acompanhou o candidato por dois dias no Pará em junho, observando sua estratégia de usar municípios afastados das capitais como laboratório de pré-campanha, com uma fórmula que combinava denúncia local, ataque a adversários e promessas de solução.

O apoio que Santos recebia vinha de setores específicos. Na Faria Lima, o mercado financeiro abraçava sua candidatura. José Olympio Pereira, ex-chefe em bancos como Credit Suisse e Safra, apoiou publicamente o candidato e o ajudou a abrir portas. Outros nomes conhecidos no setor, como Tony Volpon, ex-diretor do Banco Central, e João Landau, da Vista Capital, também engrossaram o apoio. Essa simpatia do setor financeiro reverberou no exterior: em editorial de setembro, a revista britânica The Economist chamou de sombria a escolha entre Lula e Flávio e identificou em Renan o candidato mais adequado nas questões envolvendo economia.

A campanha de Santos também se viu no centro de decisões judiciais controversas que, paradoxalmente, lhe deram mais visibilidade. Em 30 de agosto, o ministro do TSE Dias Toffoli determinou a suspensão de sua candidatura, apontando que a chapa havia demorado 12 dias para informar seus perfis em redes sociais à Justiça Eleitoral, o que teria dado vantagem indevida nos algoritmos das plataformas. A decisão foi revertida dois dias depois. O episódio forneceu munição para Santos subir o tom nas críticas contra o STF, acusando Toffoli de censura.

Antes e depois desse episódio, Santos mirou o Supremo Tribunal Federal de forma consistente. Defendeu afastar e prender ministros ligados ao caso Master, acusou-os de fazer negócios e disse que descumpriria decisão da corte que barrasse seu regime de exceção contra facções, uma de suas promessas de campanha. Na reta final do primeiro turno, o tribunal deu uma decisão favorável a ele: o ministro Gilmar Mendes determinou que participasse do debate na Rede Globo, que acabou cancelado.

O Missão, partido que abrigava a candidatura de Santos, era um movimento de juventude, conservador e com forte presença nas redes sociais. O MBL havia ganhado projeção ao liderar atos pelo impeachment de Dilma Rousseff. Quando o partido foi criado, Santos declarou à Folha que os membros do movimento estavam "se afastando da ideia do liberalismo inicial" e fundando um partido "no campo da direita altamente pragmático". A aproximação do MBL com Eduardo Cunha em 2015 — já investigado pela Lava Jato na época do impeachment — e a filiação de quadros do movimento a partidos do centrão levantavam dúvidas sobre quando exatamente esse pragmatismo havia entrado na ordem do dia. Na Câmara dos Deputados, a bancada do Missão estreou com apenas uma cadeira. Kim Kataguiri, outro fundador do MBL, havia trocado o União Brasil pelo partido durante a janela partidária e buscava a reeleição como deputado federal.

Vamos matar quem roubar
— Renan Santos, no lançamento de sua candidatura
Estavam se afastando da ideia do liberalismo inicial e fundando um partido no campo da direita altamente pragmático
— Renan Santos, à Folha, sobre a criação do Missão
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