A dez dias do primeiro turno, o Brasil enfrenta uma questão mais profunda do que qualquer escândalo pode revelar: a política deixou de ser escolha e tornou-se identidade. Quando o voto confirma quem se é — e não o que se quer — nenhuma revelação muda trajetórias, porque mudar de lado significa ameaçar o próprio eu. A neurociência e a história convergem num aviso que a cobertura eleitoral cotidiana raramente enuncia: o que está em jogo não é uma eleição, mas a capacidade de brasileiros reconhecerem uns aos outros como compatíveis com o mesmo país.