Numa sexta-feira em Bafwasende, cidade do leste da República Democrática do Congo, um enfermeiro veterano que cuidava de pacientes com ebola foi morto por jovens da própria região, justamente quando tentava explicar a doença e ensinar como se proteger dela. Ele era conhecido ali e fazia parte da comunidade que tentava servir, o que torna o crime ainda mais difícil de compreender. É mais um capítulo de uma história antiga, em que o medo e a desinformação se misturam à doença e recaem sobre quem está na linha de frente para curá-la.
Enfermeiro que tratava pacientes com ebola é morto por jovens no Congo em ataque motivado por desinformação
Nenhum dos enfermeiros tem dormido em casa porque temem pela própria segurança
Por que esse caso chama tanta atenção dentro de um surto tão grande?
Porque o enfermeiro estava justamente tentando explicar a doença aos moradores. Quem fazia a ponte com a comunidade foi quem morreu.
A autoridade local disse que ele não poderia ser visto como estranho. Isso importa?
Importa, porque indica que o ataque não foi contra um forasteiro. A desconfiança alcançou até um profissional conhecido na cidade.
Cuidado: essa leitura vem de uma única autoridade ouvida pela Reuters. Não sabemos quantos jovens participaram nem o que exatamente os motivou naquele dia.
A reportagem fala em desinformação. Há detalhes sobre o boato envolvido?
Sobre este ataque, não. O texto lembra casos anteriores em Tshopo, em que profissionais foram mortos após acusações ligadas a uma doença imaginária.
Exatamente: aquilo é um precedente noticiado, não a explicação confirmada para sexta-feira. A ligação com desinformação é a caracterização da reportagem, sem detalhes do boato.
E o nome do enfermeiro?
Não foi divulgado no texto. Também não há informação sobre prisões nem sobre a data do ataque anterior em que uma casa foi incendiada.
O que está claro é o efeito: profissionais dormindo no hospital, com polícia por perto, e o exército mobilizado só temporariamente.
Le Pouls
- Um enfermeiro veterano foi assassinado em Bafwasende enquanto orientava moradores sobre o ebola, e a notícia deixou a equipe do hospital em choque.
- Colegas de trabalho passaram a dormir dentro do hospital geral, sob proteção policial, com medo de voltar para casa.
- O exército foi mobilizado de forma temporária na área, numa tentativa de conter a violência e permitir que o atendimento continue.
- O surto da cepa Bundibugyo já soma 9.964 casos confirmados em oito províncias, e a pergunta é se a equipe voltará a atender com segurança.
Numa sexta-feira em Bafwasende, cidade do leste da República Democrática do Congo, um enfermeiro veterano que cuidava de pacientes com ebola foi morto por jovens da própria região, justamente quando tentava explicar a doença e ensinar como se proteger dela. Ele era conhecido ali e fazia parte da comunidade que tentava servir, o que torna o crime ainda mais difícil de compreender. É mais um capítulo de uma história antiga, em que o medo e a desinformação se misturam à doença e recaem sobre quem está na linha de frente para curá-la.
Na sexta-feira, em Bafwasende, na província de Tshopo, um enfermeiro veterano do hospital geral foi atacado e morto por jovens. Ele tratava pacientes com ebola e procurava ajudar os moradores a entender a doença e a se proteger dela. Era alguém conhecido na comunidade, e por isso a equipe não consegue aceitar que tenha sido tomado por um estranho.
Um colega que estava com ele sobreviveu e se recupera no hospital. Desde então, os demais profissionais de saúde estão abrigados no próprio prédio, sob proteção policial, e nenhum deles tem dormido em casa. O exército foi mobilizado temporariamente para a região.
O episódio se soma a outros. Jovens da região já haviam atacado outro colega e incendiado sua casa, e profissionais de Tshopo já tinham sido mortos após serem acusados de espalhar uma doença inventada. O surto da cepa Bundibugyo, que atinge oito províncias, já registrou 9.964 casos confirmados, com letalidade de cerca de 48,6%.
O coordenador das Nações Unidas para o ebola lamentou a morte, dizendo que é uma perda para a resposta e uma perda ainda maior para os pacientes. A questão que fica é se a proteção policial e a presença do exército serão suficientes para que a equipe volte a atender e a dormir em casa.
Na sexta-feira, em Bafwasende, cidade da província de Tshopo, no leste da República Democrática do Congo, um enfermeiro veterano do hospital geral foi atacado e morto por jovens. Ele tratava pacientes com ebola e procurava ajudar os moradores a entender a doença e a se proteger dela. As autoridades de saúde confirmaram o caso nesta segunda-feira.
Um colega que estava com ele sobreviveu ao ataque e se recupera no hospital, segundo uma autoridade local de saúde que falou à Reuters. Essa mesma autoridade disse que a equipe ficou abalada com a reação da população. Para ela, é impossível acreditar que o enfermeiro tenha sido tomado por um estranho, já que ele era conhecido na comunidade.
Desde o ataque, os demais profissionais de saúde estão abrigados no próprio hospital geral, sob proteção policial, com medo de voltar para casa. O exército também foi mobilizado temporariamente para a área. De acordo com a autoridade, nenhum dos enfermeiros tem dormido em casa, porque todos temem pela própria segurança.
O episódio não é isolado. A mesma fonte contou que jovens da região já haviam atacado outro colega e incendiado sua casa, sem informar quando isso ocorreu. Os ataques a trabalhadores da saúde na resposta ao ebola têm como alvo hospitais, veículos e equipes, o que mostra a dificuldade de construir confiança com a população.
O pano de fundo é um surto de rápida disseminação da cepa Bundibugyo do vírus Ebola, que atinge oito províncias congolesas, entre elas Tshopo. O instituto de saúde pública do país registrou, até sexta-feira, 9.964 casos confirmados, com taxa de letalidade de cerca de 48,6% desde que o surto foi declarado, em maio.
A desinformação sobre saúde já ameaçava profissionais da região antes de o ebola se espalhar. A Reuters havia noticiado que vários deles foram mortos em Tshopo depois de acusados de propagar uma doença imaginária, que supostamente causaria atrofia dos órgãos genitais masculinos.
No domingo, Julien Harneis, coordenador sênior das Nações Unidas para o ebola, escreveu no X que o assassinato do enfermeiro em Bafwasende é uma perda para a resposta ao ebola e uma perda ainda maior para os pacientes.
O que se acompanha agora é se a proteção policial e a presença temporária do exército bastarão para que a equipe de Bafwasende volte a atender e a dormir em casa, num surto que segue em expansão.
Citations marquantes
O assassinato de um enfermeiro em Bafwasende é uma perda para a resposta ao Ebola e uma perda ainda maior para os pacientes.— Julien Harneis, coordenador sênior da ONU para o ebola, em postagem no X
Estamos chocados com a forma como a população se voltou contra esse enfermeiro.— Autoridade local de saúde, à Reuters