Em uma cidade do leste da República Democrática do Congo, um enfermeiro perdeu a vida e outro profissional de saúde ficou gravemente ferido ao atender a um alerta de ebola. O episódio se soma a uma cadeia de agressões que vem acompanhando o surto, hoje o mais letal já registrado no país, e revela uma fratura antiga: quando a desconfiança em relação ao Estado se instala, quem chega para proteger a comunidade passa a ser visto como ameaça. A proteção da saúde, lembra a Organização Mundial da Saúde, depende antes de tudo de que quem cuida possa fazê-lo com segurança.
Enfermeiro é morto e profissional ferido em ataque durante resposta a surto de ebola no Congo
A desinformação e o medo nunca devem alimentar a violência.
Um enfermeiro morto em Bafwasende. Por que esse caso chama tanta atenção dentro de um surto tão grande?
Porque mostra que a violência atinge justamente quem vai atender os doentes. A OMS descreve o episódio como o mais recente de uma série de ataques contra equipes de saúde.
E o que se sabe sobre o ataque em si?
Aconteceu no sábado, 24, em Bafwasende, na província de Tshopo. Um enfermeiro morreu e outro profissional ficou gravemente ferido, quando atendiam a um alerta de ebola.
Vale separar o que está confirmado. Quem informa é a OMS, pela voz de Tedros. As autoridades locais não se pronunciaram, e não há informação sobre suspeitos nem sobre a motivação.
Mas há um padrão, não?
Há episódios anteriores: tendas incendiadas em maio, equipes mantidas em cativeiro, ameaças a equipes de enterro e a morte de um político em Kivu do Norte no mês passado.
Esses episódios são relatados, mas nada na reportagem liga diretamente o ataque de sábado a eles. O que existe é um contexto de desconfiança, não uma causa comprovada.
Que desconfiança é essa?
Vem da forma como o governo lidou com surtos anteriores e da corrupção crônica. Alguns moradores consideram o ebola uma farsa.
E os números, 9.800 casos e 4.700 mortes, são do Ministério da Saúde do Congo. É a fonte oficial, mas a reportagem não diz como foram contados.
The Pulse
- Um enfermeiro foi morto em Bafwasende, na província de Tshopo, e outro profissional ficou gravemente ferido após serem atacados durante um chamado de ebola.
- O surto já ultrapassa 9.800 casos e 4.700 mortes, tornando-se o mais letal da história do Congo.
- Tedros Adhanom Ghebreyesus e Mohamed Yakub Janabi condenaram o ataque e cobraram proteção para quem atua na linha de frente.
- Equipes relatam tendas incendiadas, profissionais mantidos em cativeiro e enterros seguros ameaçados, num cenário de medo e desinformação.
- As autoridades locais ainda não se pronunciaram sobre o ataque nem identificaram os suspeitos, e a desconfiança continua travando a resposta.
Em uma cidade do leste da República Democrática do Congo, um enfermeiro perdeu a vida e outro profissional de saúde ficou gravemente ferido ao atender a um alerta de ebola. O episódio se soma a uma cadeia de agressões que vem acompanhando o surto, hoje o mais letal já registrado no país, e revela uma fratura antiga: quando a desconfiança em relação ao Estado se instala, quem chega para proteger a comunidade passa a ser visto como ameaça. A proteção da saúde, lembra a Organização Mundial da Saúde, depende antes de tudo de que quem cuida possa fazê-lo com segurança.
No sábado, 24, um enfermeiro foi morto e outro profissional de saúde ficou gravemente ferido em Bafwasende, na província de Tshopo, no leste do Congo. Os dois tinham sido chamados para atender a um alerta de ebola e foram atacados no caminho do atendimento.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, lamentou o ocorrido em publicação no X e afirmou que quem protege as comunidades precisa trabalhar com dignidade e segurança. O diretor regional para a África, Mohamed Yakub Janabi, condenou o ataque e disse que desinformação e medo jamais deveriam alimentar a violência. Até agora, as autoridades locais não se manifestaram nem sobre o caso nem sobre os suspeitos.
O episódio se soma a uma série de agressões. Em maio, duas tendas de postos de saúde foram incendiadas por moradores revoltados. Equipes também relataram cativeiros em zonas de saúde e ameaças a grupos responsáveis por enterros seguros. Um político que defendia publicamente a resposta do governo foi espancado até a morte no mês passado, em Kivu do Norte.
Os números dão a dimensão do problema: mais de 9.800 casos e 4.700 mortes desde maio, o surto mais letal da história do país. A estratégia centrada nas aldeias encontra resistência de quem considera o ebola uma farsa, alimentada por anos de desconfiança em relação ao governo e à corrupção crônica. Enquanto isso, as equipes seguem atuando em áreas remotas, com pouco suprimento e poucos profissionais.
No sábado, 24, um enfermeiro foi morto e um outro profissional de saúde ficou gravemente ferido na cidade de Bafwasende, na província de Tshopo, no leste da República Democrática do Congo. Os dois haviam sido chamados para atender a um alerta de ebola quando foram atacados, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Quem deu a notícia foi o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em uma postagem no X. Ele escreveu que todos os que trabalham para proteger as comunidades contra a doença precisam poder fazê-lo com dignidade e segurança, e que a assistência à saúde deve ser sempre protegida. O diretor regional da OMS para a África, Mohamed Yakub Janabi, também condenou o ataque na mesma rede. Para ele, a desinformação e o medo nunca devem alimentar a violência. Até agora, as autoridades locais não se pronunciaram sobre o ataque nem sobre os suspeitos.
O episódio é o mais recente de uma série de agressões contra profissionais de saúde e equipes de resposta. Segundo as autoridades, esses ataques estão atrapalhando o esforço para conter o surto de ebola que mais cresce no mundo.
Os números do Ministério da Saúde do Congo dão a dimensão do problema. Desde o início do surto, em maio, foram registrados mais de 9.800 casos, incluindo mais de 4.700 mortes. É o surto mais mortal da história do país.
A violência já tinha atingido também figuras públicas. No mês passado, um político congolês foi espancado até a morte em Kivu do Norte depois de defender publicamente a resposta do governo. Em um programa de rádio, ele pedia à população que seguisse as medidas contra a doença, sobretudo o distanciamento social e a lavagem das mãos.
O caso ocorreu depois que as autoridades lançaram uma estratégia centrada nas aldeias, que encontrou resistência de moradores que consideram o ebola uma farsa. Há ainda uma desconfiança generalizada em relação ao governo, alimentada pela forma como lidou com surtos anteriores e pela corrupção crônica. As equipes de resposta dizem que esse ceticismo dificulta o trabalho com as comunidades, inclusive em áreas remotas e em novos focos que já sofrem com a falta de suprimentos médicos e de profissionais.
Os sinais de hostilidade vêm desde o começo do surto. Em maio, duas tendas em postos de saúde foram incendiadas em ataques separados, num intervalo de uma semana, por moradores enfurecidos. Quem atua na linha de frente também já relatou que integrantes de várias equipes foram mantidos em cativeiro em algumas zonas de saúde, e que equipes responsáveis por enterros seguros e dignos foram ameaçadas.
O que vem agora depende em parte de respostas ainda ausentes: as autoridades locais não disseram quem atacou os dois profissionais em Bafwasende, e a desconfiança que cerca a resposta ao surto segue sem solução.
Notable Quotes
A assistência à saúde deve ser sempre protegida.— Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS
A desinformação e o medo nunca devem alimentar a violência.— Mohamed Yakub Janabi, diretor regional da OMS para a África