Enfermeira detalha tentativa de reanimar capitão da Marinha por mais de uma hora

Capitão da Marinha Mercante Iran Peixoto Martins Costa, 39 anos, morreu após parada cardiorrespiratória em restaurante, deixando amigos e família enlutados.
Todo paciente é o amor de alguém
Daiane Martins explica o princípio que a guia como enfermeira intensivista há mais de 15 anos.
Mark

O que torna essa história diferente de outras mortes súbitas em espaços públicos?

Mimi

O fato de uma profissional de saúde estar presente e ter agido imediatamente. Daiane não apenas iniciou a reanimação — ela coordenou com outros presentes e continuou mesmo sabendo que as chances diminuíam a cada minuto.

Luke

Mas a questão é: por que ela continuou por mais de uma hora? Qual era o protocolo? Quando se interrompe uma reanimação?

Mimi

Ela disse que continuaram até a pupila dilatar completamente. Isso é um sinal clínico claro de morte cerebral. Então havia um critério, não era arbitrário.

Mark

E quanto à causa da morte? Ainda está em aberto?

Mimi

Sim. A família informou que foi uma parada cardiorrespiratória, mas a causa subjacente não foi identificada. Pode ter sido infarto, arritmia, qualquer coisa.

Luke

Então não sabemos se era algo que poderia ter sido prevenido ou se era inevitável. Isso importa para a história?

Mimi

Importa porque deixa em aberto a questão de quem era Iran além daquele momento no restaurante. Ele era alguém que cuidava da saúde, que viajava, que tinha amigos próximos.

Mark

E Daiane? Como ela está lidando com o fato de não ter conseguido salvá-lo?

Mimi

Ela não expressou isso diretamente ao G1. Mas falou sobre seu princípio: "Todo paciente é o amor de alguém". Parece que ela vê o trabalho dela como um ato de amor, não como fracasso ou sucesso.

Luke

Isso é bonito, mas também pode ser uma forma de processar a perda. Não sabemos o custo emocional real disso para ela.

Mark

Faz sentido. Ela tinha acabado de fazer uma cirurgia plástica, certo? Estava em recuperação?

Mimi

Sim, apenas 28 dias antes. Então ela estava fisicamente vulnerável quando decidiu fazer as compressões torácicas. Isso fala sobre prioridade — a vida de alguém importava mais que sua própria recuperação.

  • Capitão Iran Peixoto Martins Costa, 39 anos, morreu em 27 de outubro em restaurante de Goiânia
  • Enfermeira Daiane Martins realizou reanimação por mais de uma hora, 28 dias após cirurgia plástica
  • Equipe coordenada incluiu socorrista cliente, brigadistas e Corpo de Bombeiros
  • Causa da parada cardiorrespiratória ainda não foi identificada

Daiane Martins, enfermeira com 15 anos de experiência, realizou massagens cardíacas por mais de uma hora mesmo dias após cirurgia plástica. Equipe coordenada de socorristas, brigadistas e bombeiros trabalhou em protocolos precisos no chão do restaurante para tentar salvar o oficial.

Enfermeira intensivista detalha esforço de mais de uma hora para reanimar capitão da Marinha Mercante que sofreu parada cardiorrespiratória em restaurante de Goiânia no domingo.

No domingo, dia 27 de outubro, o capitão Iran Peixoto Martins Costa, de 39 anos, estava em um restaurante em Goiânia quando começou a passar mal. Naquele momento, uma enfermeira intensivista chamada Daiane Martins estava no local. Quando ela percebeu que Iran havia perdido o pulso, não hesitou: iniciou as manobras de reanimação cardiopulmonar no chão do estabelecimento, mesmo tendo se submetido a uma cirurgia plástica apenas 28 dias antes.

O que se seguiu foi uma luta coordenada pela vida que duraria mais de uma hora. Daiane revezou as compressões torácicas com outro cliente que se identificou como socorrista, enquanto brigadistas do restaurante assumiram o suporte respiratório. Quando o Corpo de Bombeiros chegou, a enfermeira continuou auxiliando a equipe, participando da intubação, da administração de medicamentos e da ventilação manual. Todos os procedimentos ocorreram no chão do restaurante, pois a instabilidade do quadro clínico não permitia movimentação.

Daiane descreveu ao G1 o que vivenciou durante aqueles minutos que se estenderam. "Nós ficamos reanimando ele mais de uma hora. Ele estava tendo muito espasmo involuntário e as pessoas não entendem o que é isso, ficavam dizendo: 'Ó, está voltando, está voltando'. Só que a gente sabia que não estava", relatou. Ela explicou que continuaram os esforços até o momento em que a pupila do capitão se dilatou completamente, sinalizando que não havia mais o que fazer. Iran foi declarado morto. A causa da parada cardiorrespiratória ainda não foi identificada, conforme informou sua família nas redes sociais.

Daiane Martins traz consigo mais de 15 anos de trajetória na área da saúde. Durante a pandemia de Covid-19, atuou na linha de frente do antigo Hospital de Campanha de Goiânia, sendo a primeira enfermeira a admitir um paciente na Unidade de Terapia Intensiva daquela unidade e permanecendo até o final das operações. Ela atribui sua dedicação a uma vocação genuína de salvar vidas. Ao refletir sobre o resgate de Iran, elogiou a harmonia e o preparo técnico de todos os envolvidos, ressaltando que os protocolos foram executados de forma coordenada e precisa.

O que move Daiane, segundo suas próprias palavras, é um princípio simples mas profundo: "Todo paciente é o amor de alguém. Então, a gente sempre tem que tratar as pessoas como se aquela pessoa fosse o nosso próprio amor". Essa filosofia guia suas ações, mesmo quando o resultado não é o desejado.

Iran Costa era oficial da Marinha Mercante, habilitado para comandar embarcações de transporte de cargas e passageiros. Seus amigos descrevem um homem que viajava pelo mundo — Itália, Chile, Estados Unidos, África do Sul, Espanha — e que também apreciava a natureza brasileira, visitando lugares como a Chapada dos Veadeiros. Nas redes sociais, compartilhava registros de academia e refletia sobre como os exercícios cuidavam de sua mente e espírito. Durante um passeio pela Costa Amalfitana, havia escrito que o mar o "chamava" com seus encantos.

Vanessa Setúbal, amiga de mais de 20 anos, publicou uma homenagem dias após a morte. "Você é uma daquelas pessoas raras que a vida nos presenteia e que a gente guarda para sempre dentro do coração", escreveu. Ela relembrou o último encontro com Iran, poucos dias antes de sua morte, e expressou o arrependimento de não ter abraçado mais forte, de não ter dito mais uma vez o quanto ele era importante. A morte de Iran deixou um vazio entre aqueles que o conheciam, e a causa exata de sua parada cardiorrespiratória permanece sob investigação.

Nós ficamos reanimando ele mais de uma hora. Ele estava tendo muito espasmo involuntário e as pessoas não entendem o que é isso, ficavam dizendo: 'Ó, está voltando, está voltando'. Só que a gente sabia que não estava.
— Daiane Martins, enfermeira intensivista
Todo paciente é o amor de alguém. Então, a gente sempre tem que tratar as pessoas como se aquela pessoa fosse o nosso próprio amor.
— Daiane Martins, enfermeira intensivista
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