Num consultório onde a angústia costuma chegar antes da consulta, uma médica repete a mesma frase a muitas mulheres: endometriose não é sinônimo de infertilidade. Como tantas condições que atravessam o corpo feminino em silêncio, a doença pede escuta atenta e decisões feitas caso a caso, sem atalhos nem sentenças. A mensagem que emerge é de esperança com responsabilidade: planejar cedo, avaliar com cuidado e acompanhar de perto costuma abrir caminhos para a maternidade.
Endometriose não encerra o sonho da maternidade, mas exige planejamento e acompanhamento especializado
Endometriose não é sentença de infertilidade.
Por que essa notícia importa? O que ela muda para quem tem o diagnóstico?
Desfaz uma crença que, segundo a médica, aparece já na primeira consulta: a de que endometriose significa infertilidade. Ela diz que isso não é verdade e que muitas mulheres engravidam, algumas sem saber que têm a doença.
Vale notar que tudo vem de uma só especialista, falando a partir da prática clínica. O texto não traz números, como a proporção de mulheres que engravidam naturalmente.
Então qual é o conselho concreto?
Procurar um especialista em reprodução assistida assim que decidir engravidar, e se possível antes de começar a tentar, para avaliar a extensão da doença e a reserva ovariana.
E sobre a cirurgia?
Ela pode ajudar ao retirar focos e desfazer aderências, mas mexer nos ovários pode reduzir a reserva de óvulos. Por isso a médica fala em preservar tanto quanto tratar.
Ela cita a cirurgia robótica como favorável à preservação de tecidos, mas é a avaliação dela. O texto não apresenta comparação com outras técnicas.
E a gravidez como cura?
Ela descarta. Os sintomas podem melhorar na gestação, mas podem voltar, e a maternidade não deve ser prescrita como tratamento.
Sobre os riscos, a formulação é cautelosa: alguns estudos indicam risco um pouco maior de parto prematuro e alterações na placenta, sem detalhar quais estudos nem a dimensão do risco.
Il Polso
- Muitas pacientes chegam ao consultório convencidas de que o diagnóstico encerra o sonho de ser mãe.
- A inflamação, as aderências e os endometriomas podem afetar trompas, ovários e a qualidade dos óvulos, criando um cenário de incerteza.
- O caminho se desenha sob medida: acompanhamento natural, reprodução assistida, cirurgia com preservação ou congelamento de óvulos.
- A gestação costuma evoluir bem, mas exige pré-natal atento, pois há risco um pouco maior de parto prematuro e alterações placentárias.
Num consultório onde a angústia costuma chegar antes da consulta, uma médica repete a mesma frase a muitas mulheres: endometriose não é sinônimo de infertilidade. Como tantas condições que atravessam o corpo feminino em silêncio, a doença pede escuta atenta e decisões feitas caso a caso, sem atalhos nem sentenças. A mensagem que emerge é de esperança com responsabilidade: planejar cedo, avaliar com cuidado e acompanhar de perto costuma abrir caminhos para a maternidade.
No consultório da ginecologista e obstetra Maria Eliza Guimarães, a primeira mensagem para muitas pacientes com endometriose é que o diagnóstico não significa que não poderão engravidar. Muitas chegam convencidas do contrário, e ela costuma lembrar que parte dessas mulheres engravida sem sequer saber da doença.
A endometriose, porém, não é irrelevante para a fertilidade. A inflamação na pelve, as aderências nas trompas e os cistos nos ovários podem interferir na fecundação e na reserva ovariana. Por isso, cada caso exige avaliação individual, que considera a extensão da doença e a saúde reprodutiva de cada mulher.
A recomendação é não esperar. Quem tem diagnóstico ou suspeita deve procurar um especialista em reprodução assistida ao decidir engravidar, de preferência antes mesmo de começar a tentar. Em quadros leves, a gravidez natural com acompanhamento pode ser possível; em outros, entram em cena a inseminação, a fertilização in vitro, a cirurgia ou o congelamento de óvulos. "Não existe uma ordem fixa", diz a médica, e o plano é construído junto com a paciente.
As gestações, quando acontecem, costumam evoluir bem, embora estudos apontem risco um pouco maior de prematuridade e alterações na placenta. Engravidar também não cura a doença, que pode voltar após a gestação. Há ainda o peso emocional: culpa, dor crônica e pressão familiar. Para Maria Eliza, o apoio psicológico é parte essencial do cuidado.
A médica, que também tem endometriose e é mãe de dois filhos, diz não prometer resultados, porque isso não seria honesto. Sua mensagem final é que, com diagnóstico, planejamento e acompanhamento adequados, muitas mulheres realizam o desejo de ser mãe.
No consultório da ginecologista e obstetra Maria Eliza Guimarães, a primeira frase dita a muitas pacientes com endometriose é a mesma: o diagnóstico não significa que elas não poderão engravidar. Segundo a médica, muitas chegam acreditando no contrário, convencidas de que a doença equivale a infertilidade. "Mesmo com o diagnóstico, muitas mulheres engravidam", afirma. Ela acrescenta que parte delas engravida sem nem saber que tem endometriose.
Isso não quer dizer que a doença seja irrelevante para a fertilidade. A endometriose pode atrapalhar a gestação de diferentes maneiras. A inflamação na pelve pode tornar o ambiente menos favorável à fecundação. Aderências podem comprometer as trompas. Cistos nos ovários, os endometriomas, podem reduzir a reserva ovariana. Também podem ocorrer alterações que interferem na qualidade dos óvulos e na implantação do embrião. Por isso, diz a médica, a possibilidade de engravidar depende de uma avaliação individualizada, que leve em conta a extensão da doença e as condições de saúde reprodutiva de cada mulher.
A recomendação de Maria Eliza é não esperar. Mulheres com diagnóstico ou suspeita da doença devem procurar um especialista em reprodução assistida assim que decidirem engravidar, e o ideal é conversar sobre o desejo de ser mãe antes mesmo de começar a tentar. Assim, explica, é possível avaliar a extensão da doença e a reserva ovariana e planejar o melhor momento.
O tratamento varia conforme a paciente. Em quadros leves, sem outros fatores envolvidos, é possível tentar engravidar naturalmente, com acompanhamento. Em outros casos, podem ser indicadas técnicas de reprodução assistida, como a inseminação intrauterina e a fertilização in vitro, ou uma cirurgia para retirar focos da doença e desfazer aderências. O congelamento de óvulos é outra opção, para quem quer adiar a maternidade e tem risco de redução da reserva ovariana. "Não existe uma ordem fixa", diz a médica. O planejamento é feito junto com a paciente, respeitando o tempo e os objetivos dela.
A cirurgia, ressalva, exige avaliação cuidadosa, porque intervenções nos ovários podem diminuir a reserva de óvulos. Maria Eliza explica que a cirurgia robótica oferece instrumentos precisos, que favorecem a preservação dos tecidos saudáveis. "Para uma mulher que quer engravidar, preservar é tão importante quanto tratar", afirma.
Quando a gravidez acontece, a maioria das gestações de mulheres com endometriose evolui bem, segundo a obstetra. Alguns estudos, porém, indicam risco um pouco maior de parto prematuro, alterações na placenta e sangramentos, o que justifica um pré-natal atento ao histórico da paciente. Ela também desmente a ideia de que engravidar cura a doença: os sintomas podem melhorar durante a gestação, quando o ciclo menstrual fica suspenso, mas podem voltar depois. "Engravidar também nunca deve ser indicado como tratamento: a maternidade é um desejo, não uma conduta médica."
Há ainda o peso emocional. O receio de não ter filhos, somado à dor crônica e à pressão da família, afeta as pacientes. "É comum a paciente se sentir culpada, como se o corpo estivesse falhando", relata Maria Eliza, que considera o apoio psicológico parte importante do cuidado.
A médica também tem endometriose e é mãe de Rômulo e Antonia, ambos nascidos de parto normal. Essa vivência, diz, ajuda a entender as inseguranças das pacientes, mas não a leva a prometer nada: "Eu não prometo resultado, porque isso não seria honesto." Sua mensagem final é que a endometriose não é sentença de infertilidade e que, com diagnóstico, planejamento e acompanhamento adequados, muitas mulheres realizam o desejo de ser mãe. Para quem está nessa situação, o conselho é procurar uma especialista e conversar sobre seus planos antes de tentar.
Citazioni salienti
Eu não prometo resultado, porque isso não seria honesto.— Maria Eliza Guimarães, ginecologista e obstetra
Para uma mulher que quer engravidar, preservar é tão importante quanto tratar.— Maria Eliza Guimarães, ginecologista e obstetra