Portugal atravessa um momento em que o crédito substitui a criação de riqueza: no primeiro semestre de 2026, o endividamento total da economia atingiu 894 mil milhões de euros — quase três vezes o produto interno bruto —, com as famílias a pedir emprestado ao ritmo mais acelerado desde a crise financeira de 2008. O Estado, por sua vez, financia-se crescentemente através de investidores estrangeiros, aprofundando uma dependência externa que levanta interrogações sobre a solidez dos alicerces económicos do país. É um retrato de uma economia que avança, mas apoiada em dívida, não em produção.