O Brasil atravessa uma transformação silenciosa: em apenas dois anos, a adoção de inteligência artificial nas empresas quase dobrou, carregando consigo ganhos reais de produtividade — e uma contradição igualmente real. A tecnologia avança mais rápido do que a formação humana capaz de sustentá-la, e um em cada quatro empresas já sente esse vazio como obstáculo concreto. É um dilema antigo com roupagem nova: o progresso que chega antes das pessoas estarem prontas para recebê-lo.
Empresas brasileiras com IA enfrentam escassez de profissionais qualificados
Talento qualificado em IA é petróleo — recurso valioso e difícil de encontrar
Então a adoção de IA cresceu muito rapidamente — de 28% para 52% em um ano. Isso é realmente um salto. Mas por que a falta de profissionais é um problema tão grande agora e não era antes?
Porque a tecnologia se democratizou. Antes, IA era coisa de empresa grande, de setor de tecnologia. Agora uma farmacêutica em Minas Gerais, uma empresa de petróleo, qualquer um está tentando implementar. Mas o mercado de profissionais qualificados não cresceu na mesma velocidade. É simples assim.
Espera — a pesquisa diz que 25% das empresas apontam falta de qualificação como obstáculo. Mas 50% disse que não tem obstáculo nenhum. Então para metade das empresas, isso não é um problema. Precisamos ser cuidadosos em não universalizar um desafio que é real para um quarto das empresas, não para todas.
Verdade. E tem mais: as empresas que conseguem estão treinando gente internamente. Não é perfeito, mas está funcionando. A Wise faz isso, a Mediquímca também.
Mas treinar internamente leva tempo. Quanto tempo? E quanto custa?
O estudo não diz. Só diz que é uma solução que as empresas encontraram e que está funcionando bem.
Exato. Sabemos que as empresas estão fazendo treinamento interno, mas não sabemos a escala, o custo, a taxa de sucesso, quanto tempo leva. Isso é um buraco importante na reportagem.
Então o que a gente realmente sabe é: crescimento rápido de adoção, ganhos reais de produtividade, e um quarto das empresas diz que falta gente preparada. E a resposta delas é treinar internamente.
É isso. E para empresas como a Wise, onde você precisa de alguém que entenda tanto petróleo quanto IA, é praticamente impossível encontrar no mercado. Então você cria.
Mas a pergunta que fica é: isso é sustentável? Se todas as empresas precisam treinar internamente, e todas estão competindo pelos mesmos talentos básicos para treinar, como isso se resolve?
Il Polso
- A adoção de IA entre empresas brasileiras saltou de 28,7% para 52% em apenas dois anos, criando uma pressão crescente por profissionais que simplesmente não existem em número suficiente no mercado.
- Um quarto das empresas pesquisadas pela FGV aponta a falta de mão de obra qualificada como o principal freio para expandir o uso da tecnologia — um gargalo humano em meio a uma corrida digital.
- Empresas como a Wise, que monitora poços de petróleo a sete mil metros de profundidade com algoritmos preditivos, descobriram que encontrar especialistas prontos no mercado é tão difícil quanto encontrar petróleo em campo já explorado.
- A resposta pragmática que emerge: treinar os próprios funcionários internamente, convertendo colaboradores em especialistas — uma solução eficaz, mas que exige tempo e investimento que nem todas as empresas possuem.
- O mercado de talentos em IA permanece competitivo e escasso, enquanto a produtividade das empresas que já adotaram a tecnologia subiu de 52% para 64% — ampliando ainda mais a distância entre quem consegue operar a IA e quem ainda tenta aprender.
O Brasil atravessa uma transformação silenciosa: em apenas dois anos, a adoção de inteligência artificial nas empresas quase dobrou, carregando consigo ganhos reais de produtividade — e uma contradição igualmente real. A tecnologia avança mais rápido do que a formação humana capaz de sustentá-la, e um em cada quatro empresas já sente esse vazio como obstáculo concreto. É um dilema antigo com roupagem nova: o progresso que chega antes das pessoas estarem prontas para recebê-lo.
Quase metade das empresas brasileiras já incorporou inteligência artificial em suas operações, mas essa adoção acelerada trouxe um problema que nenhum algoritmo resolve sozinho: não há profissionais suficientes preparados para fazer a tecnologia funcionar.
Um estudo da Fundação Getúlio Vargas acompanhou essa transformação ao longo de dois anos. Em 2025, 28,7% das empresas pesquisadas usavam IA. Em 2026, esse número chegou a 52% entre as três mil empresas consultadas. Os ganhos de produtividade seguiram a mesma curva — de 52% para 64% das empresas relatando melhorias.
Os números ganham forma concreta em casos como o da Wise, que monitora poços de petróleo no pré-sal a sete mil metros de profundidade. Lá, algoritmos detectam falhas em válvulas antes que virem paradas de produção, evitando meses de perdas. Em Juiz de Fora, a farmacêutica Mediquímca mapeia mais de três mil processos internos, implementando IA gradualmente para reduzir erros e aumentar eficiência.
Mas quando a FGV perguntou sobre obstáculos, um padrão preocupante emergiu: vinte e cinco em cada cem empresas apontaram a falta de profissionais qualificados como barreira principal. Rodolpho Tobler, economista do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, confirma que a qualificação da mão de obra se tornou um limite real.
A resposta que as empresas encontraram é pragmática: formar seus próprios especialistas internamente. Na Wise, onde encontrar o profissional ideal no mercado é comparável a procurar petróleo em campo já exaurido, desenvolver talentos dentro de casa se tornou não apenas viável, mas necessário. É uma solução que funciona — desde que haja tempo e investimento para sustentá-la.
Quase metade das empresas brasileiras já incorporou inteligência artificial em suas operações. Mas essa adoção acelerada trouxe consigo um problema que nenhuma quantidade de algoritmo consegue resolver sozinho: não há gente suficiente preparada para fazer a tecnologia funcionar.
Um estudo da Fundação Getúlio Vargas rastreou essa transformação ao longo de dois anos. Em 2025, 28,7% das empresas pesquisadas usavam IA. Um ano depois, esse número saltou para 45%. Quando os pesquisadores voltaram a perguntar em 2026, havia crescido ainda mais — agora 52% das três mil empresas consultadas tinham implementado a ferramenta em alguma forma. O impacto na produtividade acompanhou essa trajetória. Em 2025, metade das empresas que usavam IA relatava ganhos de produtividade. Em 2026, esse percentual subiu para 64%.
Os números abstratos ganham forma quando você vê a tecnologia em ação. Na Wise, uma empresa que monitora poços de petróleo no pré-sal a sete mil metros de profundidade e duzentos quilômetros de distância da costa, a IA funciona como um sistema nervoso digital. Um simulador do poço alimentado por algoritmos sofisticados consegue detectar problemas em válvulas antes que eles se transformem em paradas de produção. Quando um desses problemas é identificado e corrigido, a produção do poço é restaurada — evitando meses inteiros de perdas que ocorreriam sem a tecnologia. Em Juiz de Fora, Minas Gerais, uma empresa farmacêutica chamada Mediquímca está mapeando seus mais de três mil processos internos, identificando onde a IA pode reduzir erros e aumentar eficiência, implementando a tecnologia gradualmente em cada um deles.
Mas quando a Fundação Getúlio Vargas perguntou às empresas quais obstáculos enfrentavam para expandir o uso de IA, um padrão preocupante emergiu. Metade das empresas respondeu que não tinha obstáculo algum — uma melhora em relação a 2025. Porém, um número considerável apontou um problema específico e intratável: a falta de profissionais qualificados. De cada cem empresas pesquisadas, vinte e cinco disseram que estava faltando gente especializada para trabalhar com inteligência artificial.
Rodolpho Tobler, economista do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, observa que a qualificação da mão de obra se tornou uma barreira real. As empresas que já adotaram IA têm tomado uma medida pragmática em resposta: treinam seus próprios funcionários internamente, transformando colaboradores existentes em especialistas em IA. É uma solução que funciona, mas exige investimento e tempo.
Na Wise, onde encontrar um profissional no mercado que atenda todos os requisitos técnicos necessários é extremamente difícil — comparável a procurar petróleo em um mundo que já o explorou intensamente — a empresa descobriu que formar seus próprios talentos internamente é não apenas viável, mas eficaz. João Vitor Bernardino, diretor de operações da Wise, resume o desafio: em um mercado onde talento qualificado é um recurso escasso e valioso, desenvolver especialistas dentro de casa se tornou a solução que melhor atende à realidade das empresas brasileiras que apostam em IA.
Citazioni salienti
A qualificação da mão de obra acaba sendo uma barreira. Das empresas que estão utilizando, uma das principais medidas que elas têm tomado é de qualificação da própria mão de obra dentro da empresa.— Rodolpho Tobler, economista FGV Ibre
Na nossa experiência, é muito difícil encontrar um profissional que atenda todos os requisitos que a gente precisa procurando no mercado. Formar eles dentro de casa é uma solução que a gente encontrou e atendeu muito bem esse desafio.— João Vitor Bernardino, diretor de operações da Wise