Emirados concluem que copiloto planejava ataque terrorista em voo para Israel

Capitão e copiloto ficaram feridos e foram hospitalizados; 174 passageiros, incluindo 166 israelenses, vivenciaram queda abrupta de altitude e risco de morte.
Em poucos minutos, nosso avião perdeu completamente o controle
Miriam Ohayon descreveu o momento em que o avião despencou 5,2 mil metros em dois minutos.
Mark

O procurador-geral dos Emirados concluiu que foi um ataque terrorista planejado. Mas como chegou a essa conclusão tão rápido?

Mimi

A investigação preliminar apontou que o copiloto usou o machado de emergência do cockpit para atacar o capitão, e que a intenção era tomar o controle da aeronave. Isso é diferente de uma briga espontânea.

Luke

Mas espera — "investigação preliminar" é a chave aqui. Não sabemos ainda quais são as evidências específicas que levaram a essa conclusão. Ele deixou uma nota? Há comunicações interceptadas? O relatório não detalha isso.

Mimi

Verdade. O que sabemos é que o avião caiu 5,2 mil metros em dois minutos, que havia sangue na cabine, que passageiros tiveram que conter o agressor.

Mark

E as autoridades israelenses? Elas concordam com a conclusão dos EAU?

Luke

Não. O Shin Bet ainda está investigando. Netanyahu chamou de "extremamente grave", mas as autoridades de segurança israelenses não chegaram a nenhuma conclusão sobre motivação.

Mimi

Dois ministros de extrema direita já classificaram como ataque terrorista frustrado, mas eles não são investigadores.

Mark

Então temos uma conclusão dos EAU e uma investigação aberta em Israel. Qual é mais confiável?

Luke

Depende das evidências que cada um tem. Os EAU têm acesso ao copiloto — ele foi preso. Israel tem acesso aos passageiros e aos pilotos feridos. Nenhum dos dois divulgou os detalhes que fundamentam suas conclusões.

Mimi

O que é claro é que algo muito grave aconteceu naquela cabine, e as pessoas a bordo vivenciaram minutos de puro terror.

Mark

E agora? O que vem a seguir?

Luke

O Shin Bet vai interrogar os passageiros que retornarem. Provavelmente haverá um relatório formal em algum momento. Mas por enquanto, temos uma conclusão de um lado e uma investigação aberta do outro.

  • Procurador-geral dos EAU conclui que copiloto planejava ato terrorista usando machado de emergência
  • Avião com 174 passageiros (166 israelenses) perdeu 5,2 mil metros de altitude em dois minutos
  • Capitão e copiloto ficaram feridos; passageiros ajudaram a conter agressor; pilotos de reserva estabilizaram aeronave
  • Pouso de emergência em Tabuk, Arábia Saudita; autoridades israelenses continuam investigação

Procurador-geral dos EAU confirma que copiloto tentou executar ação terrorista usando machado de emergência do cockpit para tomar controle da aeronave. Avião com 174 passageiros perdeu 5,2 mil metros de altitude em dois minutos; passageiros ajudaram a conter agressor enquanto pilotos de reserva estabilizaram aeronave.

Investigadores dos Emirados Árabes concluem que copiloto do voo FlyDubai planejava ato terrorista e usou machado para atacar capitão, tentando tomar controle da aeronave que fez pouso de emergência na Arábia Saudita.

Na quarta-feira, um voo da FlyDubai saiu de Dubai com destino a Tel Aviv carregando 174 passageiros — 166 deles israelenses — em uma rota que a companhia aérea opera diariamente. Cerca de duas horas após a decolagem, algo quebrou na cabine de comando. O avião começou a perder altitude em queda livre, despencando cerca de 5,2 mil metros em apenas dois minutos, segundo dados da BBC. Passageiros sentiram o piso desaparecer sob seus pés. Miriam Ohayon, que havia perdido o irmão no ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, lembrou-se de pensar que não poderia fazer aquilo com sua mãe. A aeronave transmitiu primeiro o código 7700 — emergência geral — e depois o 7500, que significa interferência ilegal a bordo. Pilotos de caça israelenses foram mobilizados para interceptar, mas recuaram antes de entrar no espaço aéreo saudita. O avião pousou em segurança em Tabuk, na Arábia Saudita, às 9h58 da manhã.

O que aconteceu dentro daquela cabine permaneceu confuso nos primeiros dias. Relatos de passageiros indicavam uma briga entre os pilotos, com um deles ferido por faca. Assaf Rajwan, um dos passageiros que entrou na cabine, descreveu como vários deles conseguiram dominar o agressor com ajuda da tripulação, imobilizando-o com abraçadeiras de plástico. Havia dois pilotos britânicos a bordo — um deles chamado James — que conseguiu estabilizar a aeronave. Yasmin Abukasis, mãe de Miriam, relatou à imprensa que ouviu o piloto gritar pedindo socorro, que havia muito sangue espalhado pela cabine, e que o homem havia pegado uma faca tentando matar o comandante. O capitão e o copiloto foram hospitalizados com ferimentos. Todos os 174 passageiros desembarcaram em segurança.

Agora, investigadores dos Emirados Árabes Unidos chegaram a uma conclusão. Hamad Saif Al Shamsi, procurador-geral dos EAU, anunciou no sábado que o copiloto planejava "um ato terrorista". Segundo a investigação preliminar, ele usou o machado de emergência do cockpit para atacar o capitão com a intenção explícita de tomar o controle da aeronave. A agência estatal WAM divulgou a conclusão, que marca a primeira determinação oficial sobre a motivação por trás do confronto.

As autoridades israelenses, porém, ainda não chegaram a nenhuma conclusão definitiva. O Shin Bet — o serviço de segurança interna — planeja interrogar os passageiros que retornarem a Israel. Investigadores buscam esclarecer quem iniciou o confronto, quem usou a faca, o que exatamente ocorreu dentro da cabine e qual era a intenção do agressor. Dois ministros de extrema direita do governo israelense, Bezalel Smotrich e Itamar Ben-Gvir, classificaram o incidente como um ataque terrorista frustrado, mas as autoridades de segurança israelenses mantêm a investigação aberta. O tenente-general Eyal Zamir, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, reuniu-se com altos funcionários da Força Aérea e da inteligência para avaliar o caso.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu descreveu o episódio como "um incidente de segurança extremamente grave", afirmando que um dos pilotos "esfaqueou o outro e aparentemente tentou derrubar o avião". A FlyDubai, por sua vez, pediu a todas as partes envolvidas que "se abstenham de especulações prematuras enquanto as autoridades apuram os fatos". O avião perdeu milhares de metros de altitude, mudou abruptamente de direção, chegou a entrar no espaço aéreo da Jordânia antes de retornar ao território saudita. Passageiros vivenciaram minutos que pareceram ser seus últimos. Agora, enquanto investigadores dos EAU apontam para um plano terrorista premeditado, as autoridades israelenses continuam buscando as respostas que expliquem por que um copiloto em um voo de rotina decidiu atacar seu comandante no ar.

Em poucos minutos, nosso avião perdeu completamente o controle, e sentimos que era o fim, que estávamos prestes a cair.
— Miriam Ohayon, passageira
Um incidente de segurança extremamente grave
— Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel
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