Quando o fogo consumiu a região de Bordéus, cerca de três mil portugueses e lusodescendentes encontraram-se deslocados, abrigados em centros de acolhimento longe das suas casas — algumas delas já cinzas. No meio da desorientação, emergiu uma queixa antiga e familiar: a sensação de que Lisboa estava longe demais. Num ano em que França registou o máximo histórico de 115 mil hectares queimados, o que estava em causa não era apenas a dimensão do fogo, mas a distância — real ou percebida — entre um Estado e os seus cidadãos espalhados pelo mundo.
Emigrantes portugueses em Bordéus sentem-se abandonados pelo Governo
Aproximadamente 3.000 portugueses e lusodescendentes deslocados; famílias em Le Porge perderam casas; zona de Lacanau evacuada.