Atrasos não devem impactar as entregas de 2023
CEO da Embraer afirma que atrasos de fornecedores não impactarão entregas de 2023, com 60% das metas ainda a cumprir no segundo semestre. Empresa adotou postura cautelosa no guidance devido a restrições na cadeia, mas tem potencial de upside se fornecimentos melhorarem.
- 24 aeronaves comerciais entregues no primeiro semestre; meta de 65-70 para 2023
- 38 jatos executivos entregues no H1; guidance de 120-130 para o ano
- 60% das entregas previstas ainda precisam ser realizadas no segundo semestre
- Novos pedidos de US$ 700 milhões no início do terceiro trimestre
- Posições de produção para 2024-2025 praticamente preenchidas
Embraer descarta alterações em seu guidance de 2023 e garante cumprimento de entregas entre 65-70 aeronaves comerciais e 120-130 executivas, apesar de atrasos de fornecedores na cadeia de suprimentos.
A Embraer segue em frente com seus planos de entrega de aeronaves em 2023, apesar de uma realidade incômoda: fornecedores em todo o mundo estão atrasando componentes críticos. O CEO Francisco Gomes foi direto ao ponto durante a apresentação de resultados do segundo trimestre: a empresa não vai mexer em suas projeções, mesmo que isso signifique navegar por uma cadeia de suprimentos que não está acompanhando o ritmo de produção.
Os números falam por si. No primeiro semestre, a fabricante brasileira entregou 24 aeronaves comerciais e 38 jatos executivos. Para fechar 2023, a meta é entregar entre 65 e 70 aeronaves comerciais e entre 120 e 130 executivas. Isso significa que cerca de 60% das entregas previstas para o ano ainda precisam sair das linhas de produção nos próximos quatro meses. É um calendário apertado, e os atrasos de fornecedores não ajudam.
Gomes explicou que alguns fornecedores simplesmente não conseguem acompanhar o crescimento de produção que a Embraer acelerou de um ano para o outro. "Com o crescimento ainda não estão entregando tudo que a gente precisa na hora que a gente precisa", disse ele aos analistas. Mas garantiu que esses atrasos não derrubarão as metas de 2023. O problema se estende também ao segmento de defesa, onde componentes que deveriam chegar no segundo trimestre foram empurrados para o terceiro e quarto trimestres.
Antonío Garcia, o CFO da empresa, foi mais cauteloso na linguagem, mas revelador nos detalhes. A Embraer tem carteira de pedidos para entregar mais aeronaves do que está projetando, disse ele, mas a empresa deliberadamente foi conservadora no guidance justamente por causa das restrições na cadeia. Se os fornecedores conseguirem se recuperar, há espaço para surpresas positivas. Mas por enquanto, o número está "bem justo", nas palavras dele.
A estratégia é concentrar as entregas no quarto trimestre, quando a empresa espera um pico de atividade. Garcia mencionou que 60% das entregas do ano estão sendo preparadas para o segundo semestre, com ênfase especial no quarto trimestre. Isso também está calibrando a produção para um primeiro trimestre de 2024 mais robusto do que o que a empresa viu no mesmo período de 2023.
Mentretanto, a Embraer começou o terceiro trimestre com novos pedidos no valor de 700 milhões de dólares, cujos clientes só serão revelados no final do trimestre. O CEO espera uma aceleração nas encomendas tanto da divisão comercial quanto da de defesa no segundo semestre. As posições de produção para 2024 e 2025 já estão praticamente preenchidas, tanto para aviação comercial quanto para jatos executivos. As novas vendas não afetarão as metas de 2023, porque os "slots" de produção para este ano já estão totalmente definidos.
Os analistas reagiram com cautela otimista. A XP destacou que o Ebitda ajustado do segundo trimestre ficou 30% acima das estimativas, embora não tenha havido geração de caixa no período. Isso é explicado pelos níveis de estoque naturalmente maiores, já que a empresa está se preparando para entregas mais expressivas no segundo semestre. O Santander acredita que a empresa cumprirá o guidance após as fortes entregas do segundo trimestre, enquanto o BTG Pactual vê margens melhores chegando no segundo semestre.
As ações da Embraer fecharam em queda de 1,3% no dia da divulgação dos resultados, cotadas a 18,22 reais. Apesar da volatilidade intradiária — chegaram a 19,52 reais na máxima e 17,51 na mínima — o papel acumula alta de 27,3% no ano. A mensagem do mercado parece ser: confiamos no plano, mas vamos ficar de olho.
Notable Quotes
Com o crescimento ainda não estão entregando tudo que a gente precisa na hora que a gente precisa. Mas esse atraso não deve impactar nas entregas de 2023— Francisco Gomes, CEO da Embraer
A gente teria carteira até para fornecer mais, mas fizemos o guidance pensando nas restrições da cadeia de suprimentos. Se isso melhorar a gente tem algum upside— Antônio Garcia, CFO da Embraer
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que a Embraer não está mais preocupada com esses atrasos de fornecedores? Parece um risco real.
É um risco real, mas há nuances. A empresa tem controle sobre quando as aeronaves saem da fábrica. Os fornecedores atrasam, sim, mas Embraer consegue absorver isso porque tem estoque estratégico e flexibilidade no calendário de produção.
Então eles estão apenas empurrando tudo para o final do ano?
Exatamente. Concentrar 60% das entregas no segundo semestre, especialmente no quarto trimestre, é uma aposta de que conseguem resolver os gargalos até lá. É arriscado, mas é o que têm.
E se não conseguirem?
Aí o guidance cai. Mas note que o CEO foi bem específico: garantiu que 2023 não será impactado. Ele está colocando a reputação na mesa.
Qual é o upside que o CFO mencionou?
Se os fornecedores se recuperarem antes do esperado, a Embraer tem carteira para entregar muito mais. Eles foram conservadores de propósito. Há espaço para surpresas positivas.
E 2024? Parece que já está lotado.
Está. As posições de produção para 2024 e 2025 estão praticamente preenchidas. Isso é bom — significa demanda forte — mas também significa que a empresa não tem muito espaço para crescimento além do que já está comprometido.