Embaixada do Irã compara Netanyahu a Voldemort após discurso na ONU

O lorde das trevas deu uma lição de moral ao mundo
Resposta da Embaixada do Irã em Gana ao discurso de Netanyahu na Assembleia Geral da ONU.
Mark

Por que a Embaixada do Irã escolheu justamente uma comparação com ficção científica para responder Netanyahu? Parece uma estratégia estranha.

Mimi

Não é tão estranha assim. Voldemort é um personagem universalmente reconhecido como encarnação do mal absoluto. A comparação funciona porque é imediata, visual, e circula em redes sociais com facilidade. A embaixada estava respondendo a um discurso que usou recursos visuais — o Starlink, os outdoors. Ficção contra ficção, de certa forma.

Luke

Mas precisamos ser claros: essa é uma resposta retórica, não uma posição diplomática oficial. A embaixada em Gana postou isso no X. Não sabemos se reflete a posição do governo iraniano central ou se é uma ação mais autônoma de um representante.

Mark

E quanto ao discurso de Netanyahu? Ele realmente usou 500 outdoors?

Mimi

Segundo o gabinete do premiê, sim. Espalharam anúncios pró-Israel e anti-Irã por toda Nova York durante a Assembleia. É uma campanha de comunicação coordenada, não apenas um discurso.

Luke

Importante notar que esse número vem do gabinete de Netanyahu. Não temos confirmação independente de quantos outdoors foram realmente colocados. O que sabemos com certeza é que houve uma campanha visual significativa.

Mark

E a saída das delegações? Isso é novo?

Mimi

Não. Netanyahu disse que as delegações que saíram eram "covardes morais", e isso já havia acontecido no ano anterior. É um padrão que se repete.

Luke

O que é importante aqui é que a delegação brasileira saiu. Isso tem peso político doméstico no Brasil, não é apenas um gesto simbólico na ONU.

Mark

Mas há negociações acontecendo ao mesmo tempo?

Mimi

Exatamente. Enquanto Netanyahu e Pezeshkian trocam ataques na tribuna, o chanceler iraniano está reunindo-se com enviados americanos nos corredores. Pezeshkian deixou claro que o Irã não quer prolongar a guerra.

Luke

Mas "não quer prolongar" não é a mesma coisa que "está pronto para negociar termos específicos". Sabemos que há conversas, mas não sabemos em que estágio estão ou quais são as posições reais de cada lado.

  • A Embaixada iraniana em Gana publicou uma montagem gerada por IA comparando Netanyahu a Voldemort, chamando-o de 'lorde das trevas' e sugerindo que até seus aliados abandonaram o plenário — o que de fato ocorreu.
  • Netanyahu usou a tribuna da ONU para atacar Teerã com recursos visuais, exibindo um Starlink e financiando 500 outdoors anti-Irã espalhados por Nova York durante a Assembleia Geral.
  • Dezenas de delegações, incluindo a brasileira, deixaram o plenário durante o discurso israelense; Netanyahu chamou os que saíram de 'covardes morais', repetindo o roteiro tenso do ano anterior.
  • Um dia antes, o presidente iraniano Pezeshkian acusou Israel e os EUA de terrorismo e exibiu fotos de crianças mortas, enquanto a delegação americana era a que abandonava a sala.
  • Nos bastidores, o chanceler iraniano Araghchi se reuniu com o enviado americano Witkoff e Jared Kushner — os primeiros contatos diretos entre Washington e Teerã desde junho, sinalizando que a diplomacia ainda respira.

Na semana em que o mundo se reúne para debater paz, a tribuna das Nações Unidas tornou-se palco de uma guerra de símbolos: Netanyahu atacou o Irã com outdoors, satélites e retórica inflamada, enquanto Teerã respondeu invocando o vilão mais famoso da ficção moderna. Por trás do espetáculo público, porém, diplomatas dos dois lados tentam, em silêncio, encontrar uma saída para um conflito que a plateia já não consegue ignorar.

Na quinta-feira 24 de setembro, a Embaixada do Irã em Gana publicou no X uma imagem gerada por inteligência artificial comparando Netanyahu a Voldemort, o vilão de Harry Potter. A legenda dizia que 'o lorde das trevas deu uma lição de moral ao mundo na ONU' e brincava que 'até os Comensais da Morte saíram' — referência às delegações que deixaram o plenário durante o discurso do premiê israelense.

Horas antes, Netanyahu havia usado a tribuna das Nações Unidas para atacar diretamente o regime iraniano. Exibiu um aparelho Starlink para acusar Teerã de isolar seus cidadãos do mundo, e o governo israelense financiou cerca de 500 outdoors e anúncios anti-Irã espalhados por Nova York. O discurso provocou saída em massa de delegações, incluindo a brasileira. Netanyahu respondeu chamando os que partiram de 'covardes morais'.

Um dia antes, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian havia ocupado a mesma tribuna para acusar Israel e os Estados Unidos de terrorismo, exibindo fotografias de crianças mortas em um bombardeio no sul do Irã e reafirmando que o país não abandonará seu programa nuclear. Desta vez, foi a delegação americana que deixou o salão.

Apesar do espetáculo de acusações mútuas, há movimento nos bastidores. O chanceler iraniano Abbas Araghchi se reuniu à margem da Assembleia com o enviado americano Steve Witkoff e Jared Kushner — os primeiros contatos diretos entre os dois lados desde junho. Pezeshkian declarou que o Irã não deseja prolongar a guerra e que a decisão cabe aos Estados Unidos. A dinâmica é reveladora: enquanto diplomatas trocam insultos na tribuna, outros negociam em silêncio nos corredores.

A Embaixada do Irã em Gana respondeu ao discurso de Binyamin Netanyahu na Assembleia Geral da ONU com uma provocação que atravessou a ficção para atingir a política. Na quinta-feira 24 de setembro, a representação diplomática iraniana publicou no X uma imagem gerada por inteligência artificial que comparava o primeiro-ministro israelense a Voldemort, o vilão central da série Harry Potter. Junto à montagem, a embaixada escreveu que "hoje, na ONU, o lorde das trevas deu uma lição de moral ao mundo" e acrescentou, em referência aos filmes: "Até os Comensais da Morte saíram".

A provocação não era gratuita. Horas antes, Netanyahu havia subido à tribuna das Nações Unidas para desferir críticas diretas contra Teerã, em meio a uma guerra que coloca o Irã em confronto com Israel e os Estados Unidos. O premiê israelense usou recursos visuais para reforçar seus ataques ao regime iraniano. Exibiu um aparelho de internet Starlink, da empresa de Elon Musk, para afirmar que Teerã impede seus cidadãos de se comunicar com o resto do mundo. O governo israelense também financiou uma campanha de publicidade agressiva em Nova York, espalhando cerca de 500 outdoors e anúncios pró-Israel e anti-Irã pela cidade durante a Assembleia Geral.

O discurso de Netanyahu foi recebido com hostilidade no plenário. Dezenas de delegações abandonaram o salão enquanto ele falava, entre elas a delegação brasileira. O premiê respondeu aos que saíram chamando-os de "covardes morais". A cena se repetia: um ano antes, durante sua participação na mesma assembleia, Netanyahu havia enfrentado vaias e uma saída em massa de representantes.

O confronto verbal entre Israel e Irã na ONU não começou com Netanyahu. Um dia antes, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian havia ocupado a mesma tribuna para acusar Israel e os Estados Unidos de terrorismo. Pezeshkian exibiu fotografias de crianças mortas em um bombardeio contra uma escola em Minab, no sul do Irã, e reafirmou que seu país não será forçado a se render. Declarou também que Teerã não abrirá mão de seu programa nuclear. Durante a fala do presidente iraniano, foi a delegação americana que deixou o plenário.

Por trás dessa escalada retórica, porém, há movimento diplomático. Representantes de Washington e Teerã estão tentando retomar negociações diretas. À margem da Assembleia Geral, o chanceler iraniano Abbas Araghchi reuniu-se com o enviado americano Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Donald Trump. Foram as primeiras conversas diretas entre os dois lados desde o fim de junho. Pezeshkian afirmou na quinta-feira que o Irã não deseja prolongar a guerra e que a decisão sobre encerramento do conflito cabe aos Estados Unidos. A dinâmica é clara: enquanto diplomatas trocam insultos públicos na tribuna das Nações Unidas, outros negociam nos corredores, tentando encontrar uma saída para um confronto que parece estar longe de seu fim.

Netanyahu chamou os representantes que abandonaram o salão de covardes morais
— Relato do discurso na Assembleia Geral
Pezeshkian afirmou que o Irã não deseja prolongar a guerra e que cabe aos Estados Unidos decidir se querem encerrá-la
— Presidente iraniano Masoud Pezeshkian
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