Ao encerrar seu mandato como secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres escolheu a franqueza como legado: admitiu que a ONU envelheceu além de sua utilidade imediata e colocou a inteligência artificial no mesmo patamar de perigo existencial que as armas nucleares. Seu discurso de despedida, proferido diante da Assembleia Geral em setembro de 2026, foi menos uma celebração e mais um inventário honesto das tarefas que a humanidade ainda não teve coragem de concluir. Guterres parte deixando os problemas nomeados — e a responsabilidade de resolvê-los para quem vier depois.