Aqui, os verdadeiros rock stars são os cientistas e os investidores
À beira do Atlântico que os seus antepassados navegaram, Portugal volta a olhar para o oceano como motor de futuro. Oeiras compromete mais de 30 milhões de euros nos próximos quatro anos para construir um dos maiores ecossistemas europeus de ciência e inovação marítima, reunindo investigadores, startups e investidores em torno de uma visão que transforma a herança histórica do país em vantagem competitiva global. A aposta não é apenas económica — é uma declaração de identidade sobre o lugar que Portugal quer ocupar no mundo que está a emergir.
- Com 45 desafios de inovação lançados e 18 startups avaliadas em 200 milhões de euros, o ecossistema azul português já não é apenas promessa — é pipeline concreto à espera de escala.
- A ausência de uma plataforma integrada que ligue universidades, empresas e investidores tem sido o principal travão à transformação do conhecimento científico em valor económico real.
- O Fórum Oceano está a construir um ponto único de entrada para a inovação azul, reunindo mais de mil doutorados e infraestruturas como o Banco Nacional de Recursos Genéticos Marinhos numa rede nacional coordenada.
- Oeiras posiciona-se como epicentro desta transformação, apostando no Oeiras Valley Ocean Campus para concentrar a maior capacidade científica dedicada à economia azul em toda a Europa.
- O desafio que permanece é converter potencial em projetos empresariais concretos — e os promotores sabem que o sucesso dependerá da capacidade de atrair parcerias e talento à escala internacional.
Oeiras está a transformar-se num laboratório vivo da ambição marítima portuguesa. Com um investimento superior a 30 milhões de euros previsto para os próximos quatro anos, o município quer liderar a criação de um dos maiores ecossistemas europeus de investigação e inovação dedicado à economia azul — um projeto que combina infraestrutura científica, empreendedorismo e visão estratégica de longo prazo.
A iniciativa ganhou visibilidade pública a 15 de junho, durante os Global Ocean Days realizados no IPMA, em Algés. Carlos Costa Pina, presidente do Fórum Oceano, apresentou uma plataforma integrada de inovação azul que pretende ser o ponto único de entrada para quem queira desenvolver tecnologia, testar modelos de negócio ou escalar empresas no setor marítimo. Os números já existentes impressionam: 45 desafios de inovação lançados, 18 startups com uma avaliação conjunta de cerca de 200 milhões de euros e 10 patentes prontas para serem convertidas em negócios.
José Guerreiro, presidente do IPMA, sublinhou a dimensão global do projeto, desenhado para atrair investigadores e empreendedores para um ecossistema distribuído por todo o território nacional. Portugal conta já com mais de mil doutorados ligados à economia azul, em áreas que vão das energias renováveis à robótica marinha e à biotecnologia. Um dos investimentos mais concretos em curso é o Banco Nacional de Recursos Genéticos Marinhos, desenvolvido em parceria com Oeiras, que incluirá equipamentos de sequenciação de ADN e infraestruturas de robótica e observação marinha.
Pedro Patacho, vice-presidente da Câmara de Oeiras, posicionou o concelho — segundo maior contribuinte para o PIB nacional — como motor desta transformação. O projeto âncora é o Oeiras Valley Ocean Campus, concebido para reunir investigadores, empresas e dados num único ecossistema integrado. Com uma referência simbólica à coexistência com o festival NOS Alive, Patacho deixou claro quem são os protagonistas desta nova era: os cientistas e os investidores.
No fundo, a aposta em Oeiras é também uma aposta na memória longa de Portugal. Guerreiro evocou o século XV, quando o país liderou o oceano com base em ciência e tecnologia, para argumentar que esse legado deve voltar a ser presente. O desafio agora é transformar capacidade científica em projetos concretos — e posicionar Portugal na linha da frente da nova economia azul global.
Oeiras está a apostar tudo numa aposta que parece saída de um manual de desenvolvimento regional: transformar um concelho português numa potência europeia de investigação e inovação marítima. O investimento é concreto — mais de 30 milhões de euros nos próximos quatro anos — e a ambição é ainda maior: criar um dos maiores ecossistemas científicos da Europa dedicado à economia azul.
A estratégia ganhou novo impulso no dia 15 de junho, durante os Global Ocean Days realizados no Instituto Português do Mar e da Atmosfera, em Algés. O evento, promovido pelo Fórum Oceano, serviu como palco para apresentar uma visão que vai muito além de infraestruturas. Carlos Costa Pina, presidente do Fórum Oceano, foi claro: trata-se de reimaginar a economia marítima portuguesa como algo mais inovador, mais tecnológico, mais colaborativo e capaz de competir à escala internacional. O que está em jogo é nada menos que o posicionamento de Portugal como referência global no setor.
No centro desta estratégia está a construção de uma rede nacional de inovação para a economia azul, organizada em torno de hubs especializados e serviços partilhados. A ideia é criar um ambiente onde novas tecnologias, novos modelos de negócio e novas empresas possam testar, validar, escalar e chegar ao mercado. Para isso, o Fórum Oceano está a desenvolver uma plataforma integrada — um verdadeiro ponto único de entrada para inovação azul — que reúne universidades, centros de investigação, empresas, entidades públicas e investidores. O objetivo não é apenas fazer ligações entre atores, mas garantir que dessas ligações resultem investimentos e projetos empresariais concretos.
Os números apresentados no evento revelam o alcance da iniciativa. Foram lançados 45 desafios de inovação. Existe um pipeline inicial de 18 startups avaliadas em cerca de 200 milhões de euros. Há 10 patentes prontas para serem convertidas em negócios. José Guerreiro, presidente do IPMA, reforçou que se trata de um projeto global, não apenas nacional, desenhado para atrair jovens investigadores e empreendedores para um ecossistema distribuído por todo o território português. O país dispõe já de uma rede científica robusta, com mais de mil doutorados ligados à economia azul, cobrindo áreas que vão desde energias renováveis à biotecnologia, robótica marinha e sistemas de observação.
Um dos investimentos mais significativos em curso é a criação do Banco Nacional de Recursos Genéticos Marinhos, desenvolvido em parceria com o Município de Oeiras. Esta infraestrutura deverá tornar-se um ponto de referência para robótica marinha, sistemas de observação e genética marinha, com equipamentos de sequenciação de ADN já em instalação. Pedro Patacho, vice-presidente da Câmara Municipal de Oeiras, posicionou o concelho como motor da inovação em Portugal, destacando que é já o segundo maior contribuinte para o PIB nacional, apenas atrás de Lisboa. "Este é um lugar onde pessoas, ideias, talento e investimento se encontram", afirmou.
O projeto que melhor encapsula esta ambição é o Oeiras Valley Ocean Campus, que pretende criar a maior concentração de capacidade científica e de inovação dedicada à economia azul na Europa. O campus reunirá investigadores, empresas, startups e infraestruturas de dados num ecossistema integrado, com o objetivo de acelerar a transformação de conhecimento em valor económico. Numa referência simbólica à coexistência do projeto com o festival NOS Alive, Patacho afirmou que "aqui, os verdadeiros rock stars são os cientistas e os investidores".
A aposta na economia azul é apresentada como um prolongamento natural da história marítima portuguesa. Guerreiro sublinhou que no século XV Portugal liderou o oceano com base em ciência e tecnologia, e que o país deveria estar novamente à altura desse legado. Com uma estratégia assente em colaboração, inovação e internacionalização, os promotores acreditam que o sucesso dependerá da capacidade de construir parcerias globais. O desafio está lançado: transformar o potencial científico e tecnológico em projetos concretos, capazes de posicionar Portugal na linha da frente da nova economia azul.
Notable Quotes
Representa muito mais do que um investimento em infraestrutura — é uma visão para o futuro da economia marítima, mais inovadora, mais tecnológica, mais colaborativa e preparada para competir à escala internacional— Carlos Costa Pina, presidente do Fórum Oceano
No século XV, Portugal liderou o oceano com base na ciência e tecnologia. Devemos estar novamente à altura desse legado— José Guerreiro, presidente do IPMA
The Hearth Conversation Another angle on the story
Porque é que Oeiras, especificamente, se tornou o centro desta aposta na economia azul?
Oeiras já tinha as peças no tabuleiro — universidades, centros de investigação, proximidade a Lisboa, infraestruturas. Mas o que mudou foi a decisão de as conectar intencionalmente, de criar um ecossistema onde essas peças trabalham juntas em vez de isoladamente.
Estes 30 milhões de euros são muito dinheiro ou pouco, comparando com outras regiões europeias?
É um sinal sério de compromisso, mas o verdadeiro valor está no pipeline de 200 milhões em startups e no acesso a mais de mil doutorados. O dinheiro público é o catalisador, não a totalidade do investimento.
O que torna isto diferente de outras tentativas de criar hubs de inovação que falharam?
A ênfase na plataforma integrada — o "one-stop-shop". Muitos hubs fracassam porque reúnem atores mas não criam as condições para que eles trabalhem juntos. Aqui, o foco é explícito: não é matchmaking vago, é transformar ligações em projetos e investimentos concretos.
E os investigadores? Porque é que um doutorado em genética marinha escolheria Oeiras em vez de Cambridge ou Copenhaga?
Porque aqui encontra não apenas laboratórios, mas também empresas, capital de risco e a possibilidade de ver a sua investigação transformada em negócio num prazo realista. É a promessa de que o conhecimento tem saída.
Há risco de isto ser apenas marketing, um projeto que fica bonito no papel?
Sempre há risco. Mas os 45 desafios de inovação já lançados, as 10 patentes prontas para negócio, o Banco de Recursos Genéticos em construção — isto não é marketing, é infraestrutura a ser construída agora.